22 maio 2010

Barragem

 


Continua a barragem dos media contra o governo e Sócrates. Ontem Santana Lopes, na SIC notícias, disse, tal como Pacheco Pereira vem dizendo há anos, que mais ninguém aguenta Sócrates. Há pouco, no noticiário das 14h00, o autor da peça jornalística, após ter perguntado várias vezes a Sócrates e a Teixeira dos Santos quando começava a ter efeito a nova taxa de retenção na fonte do IRS, concluiu que os portugueses continuavam confusos e sem saber quando começava a subida de IRS. No entanto Sócrates e Teixeira dos Santos reafirmaram que só teria efeito a partir dos ordenados de Junho. A confusão não será dos portugueses mas de quem redigiu a notícia.


 


Apesar das eleições de Outubro o desmentirem, das últimas sondagens de opinião manterem o PS à frente nas intenções de voto, todos os comentadores, economistas, politólogos e semelhantes, na total e asfixiante censura existente e que faz perigar a liberdade de expressão, continuam a ladaínha do costume. Qual a credibilidade que Santana Lopes tem? Sugerir um governo de gestores - Belmiro de Azevedo, António Carrapatoso, António Mexia? Quem os elegeu? Afinal parece que a suspensão da democracia sempre serviria os propósitos de algumas pessoas.


 


Ninguém comentou a reforma financeira que Obama conseguiu que fosse aprovada pelo Senado - notícia, obviamente sem qualquer interesse.


 


Entretanto Mota Amaral, por esse mundo blogosférico, já foi comprado por Sócrates. E no elevador do DN (pág. 13), está a descer. É a noção que aqueles que se dizem defensores dos direitos, liberdades e garantias dos cidadãos têm do que é um estado de direito.


 

20 maio 2010

As mentiras

 


É muito interessante observar a gestão da importância da mentira na política. Pacheco Pereira continua a querer misturar escutas com avaliações políticas, numa cegueira e num fundamentalismo que já incomoda o seu próprio partido.


 


É muito interessante observar, para além da quebra das promessas eleitorais que o PS tem feito sucessivamente, da incapacidade de Portugal decidir sobre os seus processos económico-financeiros, a quebra de promessas recentes do líder do maior partido da oposição, de contradições nas opiniões de um destacado opinador social-democrata, da manipulação contínua da opinião pública pelos actores que, no ano anterior, protagonizaram as maiores queixas em relação à gravidade da crise, os maiores lucros durante a crise e as contínuas queixas na continuação da crise, mesmo que haja alguns sinais, a que ninguém quer dar importância, de que a economia, mesmo que debilmente, até pode estar a recuperar.


 

O perigo da demagogia

 


Um dos assíduos comentadores deste blogue chamou a minha atenção para uma notícia do Público: BE quer dar aos doentes "direito de optar livremente" por genéricos.


 


Já aqui defendi, por diversas vezes, que as receitas deveriam ser por denominação comum internacional (DCI), ou seja, os medicamentos deveriam ser prescritos por princípio activo, nas doses e duração da terapêutica que o médico entender, de acordo com a doença e o doente em causa. Se fosse essa a opção, a farmácia poderia dispensar qualquer medicamento que incluísse o princípio activo do medicamento, de acordo até com a escolha do doente.


 


Neste momento as receitas contemplam a hipótese de o médico autorizar a substituição do medicamento de marca que prescreve por outro qualquer genérico. Caso o médico não autorize essa troca, nem o farmacêutico nem o doente deverão escolher um genérico, mesmo que concluam que é semelhante.


 


Por uma simples razão - a responsabilidade de quem medica é do médico. A escolha da terapêutica é feita no acto da consulta, em que o doente e o médico têm oportunidade para conversar sobre a medicação mais adequada. Caso esse medicamento seja substituído sem a autorização do médico, está subvertida a relação de confiança entre doente e médico.


 


Em último caso a decisão de tomar um medicamento, seja ele qual for, ou de seguir uma qualquer terapêutica, seja ela qual for, é sempre do doente. Nada é feito (exames complementares, actos cirúrgicos ou toma de medicamentos) sem o consentimento esclarecido do doente. Faz parte do acto médico a explicação ao doente da patologia que o aflige, do tratamento possível e do prognóstico provável.


 


A racionalização dos recursos não pode ser feita à custa do esvaziamento do acto médico, que coloca em perigo o próprio doente. A prescrição por DCI é aquilo que mais fácil e seguramente pode reduzir o enorme custo de medicamentos.

Um dia como os outros (57)





(...) Valha-no
s o espírito de sacrifício e a disponibilidade do director do Serviço de Oftalmologia do CHLC que não sendo capaz de organizar o serviço público que dirige para responder às necessidades dos cidadãos contribuintes teve o denodo de estar disponível para o fazer no sector privado. Pode, porém, ficar descansado que o SNS irá pagar o que é devido a tal esforço. (...)

18 maio 2010

Combate

 


José Sócrates já devia ter feito uma comunicação solene ao país, na altura em que foram decididas as medidas de austeridade, após o Conselho de ministros. A entrevista à RTP, que foi uma espécie de combate de boxe entre Judite de Sousa e o Primeiro-Ministro, foi um mau sucedâneo.


 


No entanto não lhe correu mal, com excepção da justificação da suspensão dos projectos do Aeroporto, do TGV e da 3ª travessia do Tejo.


 


A grande maioria da população não lê jornais, não ouve noticiários nem entrevistas aos políticos. Por um lado evita uma enorme quantidade de enfartes e duma depressão nacional ainda maior, pelas catástrofes iminentes que todos os dias estão a acontecer.


 


Estamos agora a aprender com as reacções dos partidos políticos e com os comentários dos comentadores o que pensar da entrevista.


 


O habitual, portanto.

17 maio 2010

Um dia como os outros (56)



(...) A situação portuguesa é complicada, devido à dívida externa (sobretudo privada) e às fracas expectativas de crescimento. As medidas agora aprovadas como resposta à exigência do acordo europeu para garantir a estabilidade do euro e enfrentar os ataques especulativos destinam-se a dar maior credibilidade ao País para o exterior. Trata-se de diminuir o défice e a dívida para preservar a soberania e recuperar maior autonomia de decisão. É necessário que sejam explicadas com clareza, verdade e rigor. Sem pedidos de desculpas nem evasivas. E é sobretudo necessário que sejam enquadradas numa visão estratégica para o futuro, com garantias de que são transitórias e serão completadas por outras que tenham em conta a economia e abram perspectivas ao crescimento e ao emprego. Segundo alguns economistas, poder-se- -ia talvez, como acentuou o dr. António Carlos Santos, ter dado, do lado da despesa, mais atenção ao desperdício, nomeadamente em institutos e empresas municipais que não se justificam. Do lado da receita, deve reconhecer-se que houve um esforço na repartição da carga fiscal. Há quem sugira que podia manter-se a taxa reduzida do IVA (expurgando produtos que estão a mais nesta lista) e também garantir a intangibilidade do mínimo de existência no IRS. Recorde-se que Obama criou um imposto sobre a banca e que, em Espanha, ao contrário de Portugal, a banca paga um imposto superior à generalidade das empresas.(...)

Poder casar

 


Cavaco Silva desvaloriza a importância da legalização do casamento de pessoas do mesmo sexo, falando das imensas dificuldades que temos pela frente, argumentos que se desmentem a si próprios pelo facto do Presidente ter sentido a necessidade de falar ao país para justificar a promulgação da lei.


 


Penso que é uma lei importante e tenho pena que o PS não tivesse a coragem de ir mais além, dando oportunidade aos casais de homossexuais de optarem pela adopção, em pé de igualdade com os casais de heterossexuais.


 


As dificuldades económicas não podem impedir que se pense e de discutam os direitos das pessoas e a igualdade perante a lei. Nem me parece que haja assim um tão grande perigo de desunião entre os cidadãos.


 


Cavaco Silva fez mais um pouco de campanha eleitoral, depois da orgia da visita papal. Não lhe fica muito bem.

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...