05 maio 2010

Inaceitável

 










 


Isto é inacreditável e absolutamente inaceitável.

Separação entre o Estado e a Igreja

Petição Cidadãos pela Laicidade.

Intervenções a desgoverno

Cavaco Silva reúne com aqueles que são contra as obras públicas, nomeadamente o TGV, o aeroporto e a travessia do Tejo. Cavaco Silva, mais uma vez, interfere na esfera do governo dando cobertura à intoxicação mediática a que se assiste em prole das posições do PSD.


 


Paralelamente, Manuel Alegre oficializa a sua candidatura oficiosa à Presidência da República, e critica a intervenção de Cavaco Silva. A ironia suprema é que Manuel Alegre passou os últimos anos de pré campanha eleitoral a fazer exactamente o mesmo – a interferir na esfera do governo, criticando duramente as reformas realizadas.


 


Parece-me que uma grande parte da população ainda não se revê em qualquer dos candidatos presidenciais. Com o advento do bloco central, Cavaco Silva ganhou uma alma nova. E até as cautelas que ultimamente tinha no que diz respeito às relações com o governo, desapareceram.




Cemitério vivo

Há mortos bem vivos nos Cemitérios que guardam histórias.


 


A essa gente de caveiras bem pensantes e imaginativas, os meus calorosos e defuntos agradecimentos. É com muito orgulho que entro no vosso jardim de pedra.

Transborda


pedra de sangue ShouShan: Red Cliff


dinastia Qing


1644-1911


 


Não foi a água que mudou o vinho, mas o vinho que mudou o copo, de verde para vermelho, bem grosso e escuro, um líquido mastigável e quase assustador. Não foi bem a calçada que se moveu mas os ossos que se estreitaram e somaram estilhaços no meio da aridez fiel e descampada do seu corpo.


 


Despiu definitivamente o pudor e transformou o vinho em sangue.

02 maio 2010

Everytime We Say Goodbye











Cole Porter & John Coltrane

Trabalho e trabalhadores


 


Passou o dia 1 de Maio, aquele dia em que ninguém devia esquecer-se de reparar. Porque é o dia em que se eleva à dignidade não o trabalho, mas o trabalhador.


 


Na sociedade ocidental e ocidentalizada, num país como Portugal, o trabalho deixou quase definitivamente de ser uma componente essencial da vida. O trabalho é olhado hoje como uma inevitável cruz que nos permite auferir um ganho que nos financie o prazer. O trabalho deixou de ser considerado uma fonte de realização pessoal e uma contribuição para a vida em sociedade.


 


A esta escala de valores associa-se uma voragem económica que tudo suga, um apelo ao consumo e ao crédito, a melopeia do facilitismo, a ausência de exigência. Palavras como motivação ganham contornos quase absurdos, quando a elas se recorre para justificar negligência e incompetência, falta de assiduidade, pontualidade e empenhamento. O alcance da perfeição, por muito inatingível que esta seja, não faz sentido quando se fala de trabalho.


 


E no entanto, há uma enorme massa humana que abdica diariamente dos direitos mais básicos, da sua dignidade intrínseca e individual, assim como da sua dignidade como grupo solidário, para mendigar as migalhas de um trabalho sem condições, mal remunerado, sem regras nem fiscalização, que transformam a fome e o isolamento em escravatura. E isso passa-se nos países da Europa que contratam mão-de-obra imigrante africana, que separam famílias, que tratam os seus semelhantes como animais de carga.


 


Enquanto assistimos à marcha daqueles que têm emprego, ouvimos as reivindicações de um movimento sindical que perdeu de vista as novas revoluções tecnológicas e sociais, que se entrincheirou num tempo que já não existe, que esquece aqueles que não conseguem aceder ao mercado de trabalho, que não se preocupa com o mérito, com a competência, com objectivos de excelência mas apenas com os direitos adquiridos, que fala dos desempregados mas apenas defende corporativamente os seus cada vez menos associados.


 


Inevitavelmente continuamos esta marcha de aprofundamento das desigualdades sociais, do aumento da mancha dos arredados do sistema, do desaparecimento dos direitos de todos e da relativização de valores de solidariedade e coesão social.


 


Adenda: vale a pena reler este texto da Clara Ferreira Alves.


 

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...