11 abril 2010

A hora do leque


 


Lendo a linguagem dos leques e partindo do princípio de que o vou usar apenas em duas velocidades - abanar o leque muito devagar e muito depressa - não posso deixar de imaginar as figuras que se faziam e que ainda se podem fazer, altamente ginasticadas e um pouco comprometedoras da imagem de sanidade mental que se requer. Temos que convir que colocar o leque na cabeça é muito pouco discreto.




Colocar o leque junto ao coração: conquistou meu amor.


Colocar o leque fechado junto ao olho direito: quando posso vê-lo de novo? A que horas, é respondido pelo número de varetas.


Tocar com a mão no leque ao abaná-lo: o meu desejo era estar sempre junto de ti.


Acariciar o leque fechado: não seja tão imprudente.


Tocar com o leque meio aberto nos lábios: pode me beijar.


Unir as mãos debaixo do leque aberto: não traia nosso segredo.


Esconder os olhos atrás do leque aberto: amo-o·


Fechar muito devagar o leque: prometo casar consigo.


Passar o leque pelos olhos: peço desculpas.


Tocar a extremidade do leque com o dedo: quero falar consigo.


Tocar o leque na face direita: sim.


Tocar o leque na face esquerda: não.


Fechar e abrir o leque várias vezes: você é cruel.


Deixar cair o leque: nós vamos ser amigos.


Abanar o leque muito devagar: sou casada. 


Abanar o leque muito depressa: estou comprometida.


Levar o cabo do leque aos lábios: beije-me.


Abrir todo o leque: espere por mim.


Colocar o leque na cabeça: não se esqueça de mim. 


Fazer o mesmo movimento com o leque, estendendo o polegar: adeus.


Segurar o leque na mão direita e em frente à face: siga-me.


Segurar o leque na mão esquerda e em frente à face: estou desejosa de o conhecer.


Colocar o leque junto da orelha esquerda: quero ver-me livre de si.


Passar o leque pela testa: você mudou.


Rodar o leque com a mão esquerda: estamos a ser observados.


Rodar o leque com a mão direita: amo outro.


Segurar o leque na mão direita: você está sendo muito precipitado.




Tal como disse (?) Madame de Stäel - (...) uma dama sem leque é como um nobre sem espada.



 


 

10 abril 2010

These Foolish Things








 


Jack Strachey & Harry Link & Holt
Marvell & Eric Maschwitz


canta: Billie Holiday


 


A cigarette that bares a lipstick's traces
An airline ticket to romantic places
Still my heart has wings
These foolish things remind me of you.
A tinkling piano in the next apartment
Those stumblin'words
That told you what my heart meant
A fair ground painted swings
These foolish things remind me of you.


 


You came, you saw, you conquered me
When you did that to me
I knew somehow this had to be
The winds of march that made my heart a dancer
A telephone that rings but who's to answer
Oh, how the ghost of you clings
These foolish things remind me of you.

Procura-se um Presidente

Manuel Alegre esteve os últimos anos a aproximar-se do BE, criticando duramente a indispensável reforma dos serviços de urgência, usando-a como bandeira para atacar o governo, colando a defesa do SNS à manutenção do status quo. A demissão de Correia de Campos parou o ímpeto reformista do governo, nesta e noutras áreas, tendo-se assistido a uma falsa acalmia, com os problemas na saúde a agudizarem-se pela falta de definições, pela tentativa de não criar constrangimentos nas classes profissionais e para não abrir espaço à oposição mediática.


 


No entanto Manuel Alegre, na questão de Valença, que é o reacender da apropriação partidária populista na suposta defesa do SNS, resolveu focar o problema na questão da forma de protesto e não no abandono da obrigatoriedade de assistência nocturna ao povo.


 


Porfírio Silva defende que deveria haver uma luta franca à esquerda, com o aparecimento de um candidato, ou mais, que possa clarificar o político.Seria interessante, mas a verdade é que não se nota vontade de qualquer outra figura da área do centro-esquerda disponível para aceitar esse desafio. Fernando Nobre aí está, tendo já causado algum mal-estar no BE, mas o PS ainda não se revê em qualquer destes dois candidatos.

Um dia como os outros (50)

 



(...) Não se percebe para que querem os juízes e os magistrados do Ministério Público um sindicato. Os magistrados não são simplesmente funcionários públicos. Não são simplesmente trabalhadores. São um órgão de soberania. São uma componente essencial da separação de poderes numa democracia avançada. Um sindicato de juízes é tão aberrante como o seria um sindicato de deputados. Não faz qualquer sentido. E, bem vistas as coisas, só serve para trivializar a própria justiça. (...) Estes sindicatos raramente tratam da componente laboral da justiça. São sobretudo instrumentos de intervenção política ativa. (...)


 

A inevitabilidade

A crise. A maior crise desde a grande depressão. A crise dos mercados desregulados. A crise do capitalismo selvagem. A crise dos lucros rápidos e efémeros. A crise bolsista dos especuladores e dos gestores com remunerações milionárias, prémios de produtividade e prémios de despedimento.


 


O mundo tremeu, como é hábito uns mais do que os outros. Principalmente se falarmos dos mundos individuais. Cada vez mais mundo a tremer muito, cada vez menos a não tremer de todo. Os anos de 2008 e de 2009 foram anos de grandes declarações de rotura com o estabelecido, do renascimento do estado como ideia de apoio aos cidadãos, como garante da dignidade e da redistribuição justa. O desemprego alastrou mais do que as boas intenções e as boas palavras.


 


Mas já estamos em 2010. A banca está de boa saúde. Os mercados recuperaram, robusteceram e, mais uma vez, são a razão e a explicação, a causa e a consequência de todas as decisões políticas, dentro do país, na Europa, no mundo. A globalização.


 


Aprendemos todos os dias que não há alternativa. Que a discussão das escolhas do Estado, dos contratos milionários para gestores públicos e de empresas públicas, caucionados pelos representantes do estado, são inevitáveis e até desejáveis, pelo risco de perdermos tão qualificados gestores. Claro que a demonstração da fuga desses gestores para outros paraísos nunca é necessária.


 


Como nunca é necessária a demonstração do que se apregoa. A proliferação de maternidades e clínicas privadas nas localidades onde o estado as fechou, por segurança e boa prática, está por encontrar. Mas o que importa é falar dessa possibilidade para indignar a população.


 


Aprendemos todos os dias como é inevitável o desemprego, a falta de competência e a negligência, a falta de assiduidade, os queixumes constantes, o abismo sempre à espera do passo fatal. Aprendemos todos os dias que a obscenidade e a imoralidade das destinadas fortunas de poucos e a pobreza irreversível de muitos é um desígnio divino.


 


Pois a felicidade só será alcançada no outro mundo. Alegremo-nos pois, na esperança da redenção.

09 abril 2010

Unchained Melody









U2


 


Oh, my love
my darling
I've hungered for your touch
a long lonely time
and time goes by so slowly
and time can do so much
are you still mine?


I need your love
I need your love


Godspeed your love to me


 


Lonely rivers flow to the sea,
to the sea
to the open arms of the sea
lonely rivers sigh 'wait for me, wait for me'
I'll be coming home wait for me


 


Oh, my love
my darling
I've hungered for your touch
a long lonely time
and time goes by so slowly
and time can do so much
are you still mine?
I need your love
I need your love


Godspeed your love to me

O preconceito do preconceito

 


Para responder à Helena Matos, é mesmo importante que se perceba exactamente do que se está a falar. Em relação ao assunto da alegada discriminação dos homossexuais na doação de sangue, escrevi vários posts sobre o assunto. É natural a reacção do Presidente do IPS. Eu também agurado as indicações do Ministério da Saúde.


 

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...