21 fevereiro 2010

Um dia como os outros (36)



(...) O Governo vai reunir na segunda-feira num Conselho de Ministros extraordinário, no qual irá decretar três dias de luto nacional pelas vítimas da tempestade na Madeira. O executivo irá ainda analisar novas medidas de apoio às populações afetadas e à recuperação do que ficou destruído.





De acordo com balanço oficial do Governo regional, registam-se pelo menos 42 mortos, mas teme-se que o número aumente nas próximas horas, à medida que se efetuam os trabalhos de remoção de destroços e lama. Ao PÚBLICO, foi confirmada esta tarde a existência de mais uma vítima, elevando o número total para os 43 mortos (entre os quais um bombeiro e um trabalhador que integrava os esforços de remoção de destroços). Só no Funchal, há 18 vítimas mortais. (...)


 

A questão religiosa

 


 


 


Todos os domingos, às 11h00, a TSF passa O Jornal da República, um programa de Fernando Alves, interessantíssimo. Hoje falou-se da questão religiosa, tendo sido convidado o investigador Sérgio Pinto, do Centro de Estudos Religiosos da Universidade Católica.


 


A ideia republicana de laicização do Estado, ao contrário do confessional que então existia, em que os elementos do clero eram seus funcionários, assegurando o registo civil e até o recrutamento militar, não era totalmente renegada pela Cúria Romana, visto que estava em curso uma reorganização da Igreja Católica, com vista a uma maior autonomização da Igreja em relação ao Estado.


 


Para os republicanos o fenómeno religioso iria desaparecer, competindo ao Estado a tutela sobre o cidadão, sendo também o elemento de ligação entre os cidadãos, a componente que cimentava a sociedade, e não a religião.


 


O Episcopado português nunca discutiu o regime republicano mas sim as suas leis, nomeadamente a Lei da Separação da Igreja e do Estado. A Pastoral Colectiva do Episcopado Português ao Clero e Fiéis de Portugal foi a reacção da Igreja, chegando Afonso Costa a proibir a sua leitura nas Igrejas.


 


Por outro lado houve um ataque ao poder das Congregações, que vinha já do período da Monarquia Constitucional, reduzindo-lhes a influência na sociedade, nomeadamente vedando-lhes o acesso ao ensino, e proibindo a religião nas escolas.


 


O investigador Sérgio Pinto é de opinião de que, mais do que a perseguição religiosa a que se assistiu na Primeira República, havia uma enorme violência na sociedade portuguesa no princípio do século, visível na repressão do movimento operário e em toda a actividade política.




Por fim foi contada a história de uma figura que ficou na memória colectiva do povo do Fundão e de Coimbra – Alberto Costa ou o Pad' Zé, objecto de investigação de João Mendes Rosa.




O Pad' Zé estudou 3 anos no colégio de S. Fiel, no Fundão, fez o curso de Direito na Universidade de Coimbra, onde se distinguiu pelas suas ideias monárquicas. Posteriormente foi para Lisboa, ter-se-á tornado membro da Carbonária e aderido aos ideais republicanos (a sua menina). Era um homem bem-humorado e generoso, havendo vários ditos populares a seu respeito, nas regiões do Fundão e de Coimbra. Era corajoso, amigo de vários caudilhos republicanos como Afonso Costa e Bernardino Machado, não alimentando ilusões sobre as suas ideologias, reconhecendo o autoritarismo e o conservadorismo dos mesmos, idênticos aos dos monárquicos. Foi encontrado morto no seu gabinete (era redactor do jornal O Mundo), não se sabendo se foi suicídio ou não.


 


Enfim, um excelente programa que vale a pena seguir nas manhãs de Domingo.

 

Regressemos à governação

 


 


 


Por intermédio do Saúde SA fui ler a intervenção da Ministra Ana Jorge na sessão de discussão do OE 2010.


 


É um discurso interessante mas, quanto a mim, pouco esclarecedor da forma como se vão atingir as metas a que o governo se propõe.


 


Por um lado é muito importante voltar a falar-se da sustentabilidade do SNS que se tinha mais ou menos abandonado aquando da demissão de Correia de Campos. Assim, a ênfase na melhoria da eficiência da gestão, quando se fala na redução da despesa, parece-me indiscutível. No entanto, em que é que o investimento nos processos de contratualização dos cuidados de saúde primários e hospitalares melhora a eficiência dos serviços prestados, não se percebe. Tal como é muito pouco perceptível o significado de uma implementação gradual e progressiva dos mecanismos de avaliação hospitalar. Esses mecanismos já deveriam ter sido implementados, até porque não se entende como se avalia a gestão, a sua eficiência, o grau de cumprimento do que é contratualizado, etc., sem que haja uma criteriosa monitorização dos indicadores de qualidade e de organização.


 


Os serviços partilhados (compras e tecnologia informática), prescrição electrónica de medicamentos e unidoses são tudo objectivos do início da anterior legislatura, adiados todos os anos. Será que é desta vez que vamos assistir à sua implementação?


 


O problema dos recursos humanos em saúde é um daqueles em que o discurso político está longe da prática. Para se dotarem os serviços de saúde de médicos, que é a classe profissional com maior escassez de recursos, há que assumir que é necessário alterar muita inércia nas organizações existentes, como os horários de trabalho, a repartição e distribuição dos médicos das unidades em que são excedentários para as que são deficitárias, reestruturação das carreiras médicas com remodelação dos salários praticados, separação entre prestação de serviços público e privado, etc. Além disso não se podem estrangular as unidades de saúde impondo-lhes crescimento zero ou negativo para a rubrica dos recursos humanos. Isso aumentará a precariedade e a dificuldade de formar e diferenciar equipas de trabalho.


 


O Plano Nacional de Saúde 2011/2016 está já em preparação. Poderá ser acompanhada neste site e entrará, posteriormente, em consulta pública. Os grandes temas orientadores serão:



  1. A promoção da cidadania

  2. As políticas públicas saudáveis

  3. A equidade e o acesso adequado aos cuidados de saúde

  4. A qualidade dos cuidados


Regressemos à política, regressemos às reformas estruturais, regressemos ao que importa aos cidadãos. Espero deste governo socialista, numa área que tem estado adormecida e anestesiada, primeiro com a preocupação de apaziguamento do populismo, depois com a pandemia da gripe A e, ultimamente, com a maledicência e a coscuvilhice endémicas, a efectiva e justa governação. Foi para isso que o elegemos, já basta de responder ao diz-que-diz-que dos últimos meses, mais mortal que qualquer pandemia.

 

20 fevereiro 2010

Abril é macho

 



 


Militares de Abril: casamento gay é «aberração»

Impressionante

 



Temporal na Madeira


 

Um dia como os outros (35)

 


(...) Vantagem: Carlos Santos contou onde vai a Câmara Corporativa, feita por gente que tem o gosto pela bufaria anónima, buscar tanta informação, por vezes informação sobre adversários políticos: directamente aos gabinetes do poder. Vantagem: um blogue de bufaria depende de bufos. (...)





(...) Resumindo: distingo entre os que dão o seu nome por combates, mesmo que não concorde com eles, e os migueis abrantes desta vida e as suas fontes de gabinete. Mas vão-me perdoar: ver o Câmara Corporativa falar de bufos só mesmo para rir. (...)


 


(...) quanto ao miguel abrantes, sei quem é. como se chama, e o que faz; tenho o número de telefone dele e encontro-o de vez em quando. conheci-o, como já disse, no sim no referendo e por causa do sim no referendo. através do convite do daniel oliveira, portanto -- pode-se dizer que conheci o miguel abrantes através do daniel oliveira. sim, o daniel oliveira, como muitas outras pessoas que hoje escrevem coisas indignas sobre o miguel abrantes, já viu o miguel abrantes. esqueceu-se da cara dele, talvez tenha até esquecido o que ele faz e o telemóvel dele. (...)


 


(...) Estive duas vezes com o Miguel Abrantes: num jantar e num prós e contras (que foi quando o conheci pessoalmente). Só uma vez me disse o nome dele (quando se apresenou, nos bastidores do P&C), coisa que, lamentavelmente, não decorei. No meu telemovel (entretanto perdido com tantos contactos, como sabes porque tive de pedir a muita gente ajuda para recuperar contactos) o nome que tinha, talvez por facilidade, foi sempre "Miguel Abrantes" (...)


 

Expectativa

 


O aparecimento de uma candidatura presidencial completamente diferente das que estavam previstas pode ser uma oportunidade de debate sério.


 


O discurso do apartidarismo pode soar a populismo e demagogia, mas também pode apenas significar que há uma vontade genuína de romper com vícios dos vários aparelhismos.


 


Ainda falta algum tempo e veremos o discurso e as opiniões que se vão desenvolver. Penso que Fernando Nobre pode ir buscar votos a vários quadrantes políticos, não só à esquerda.


 


Estou na expectativa.


 

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...