02 fevereiro 2010

Do (meu) vazio cerebral

 



 


É enternecedor observar o desvelo com que tantos me tratam na blogosfera. Do paternalismo simpático ao mais completo enfado pela minha evidente inferioridade intelectual, tentam conduzir-me ao bom caminho, mesmo achando, desde há muito tempo, que o meu deslumbramento com o governo socialista e com o Primeiro-Ministro José Sócrates, principalmente no que diz respeito às novas tecnologias, não seja consentâneo com o vazio cerebral que me caracteriza.


 


Agradeço as atenções. Vou estar atenta e beber bebidas fosfóricas e muito sumo de cenoura, para nutrir os neurónios e aguçar o sentido da visão. Com a vossa ajuda certamente serei mais rápida, sagaz, arguta e responsável, aceitando-vos como guia do meu básico mundo.


 

01 fevereiro 2010

A indigência dos conteúdos

 



 


O artigo de Mário Crespo utiliza as ferramentas de um passado longínquo mas não esquecido, as informações de alguém que ouviu uma conversa num  restaurante.


 


O artigo de Mário Crespo foi recusado pelo jornal onde tinha uma coluna de opinião. É o director do JN que é responsável pela recusa do artigo e deve assumi-lo sem reservas. Concordemos ou não com a decisão do director, desde que cumpra a lei, está no seu pleno direito. Tal como o articulista tem o direito de se queixar às entidades reguladoras ou outras, as próprias para dizerem de sua justiça.


 


Não há inocentes neste episódio. Sócrates e os seus ministros têm obrigação de saber o que pode ou não ser comentado e divulgado ao ser ouvido em público. Mário Crespo sabe que o seu artigo é um conjunto de maledicência e do mais puro diz-que-diz, mas muito cuidadoso no que se refere à divulgação do executivo da televisão.


 


Esta asfixia democrática tem pouco de asfixia e muito de democrática, na triste figura dos intervenientes.


 

Malabarismos

 


Depois do aeroporto, do défice e do plano rodoviário segue-se o TGV. Mas que grande embrulhada.


 


Afinal em que ficamos – deve ou não fazer-se o TGV? É um programa de desenvolvimento ou de empobrecimento do país? Aumenta o défice e a dívida pública ou não?


 


Estamos a assistir a um castelo de cartas a desmoronar? Sinceramente, está a ser difícil manter a compostura.


 

Feminismos

 



 


A burca é um símbolo de submissão da mulher, é um símbolo de discriminação e de identificação religiosa. A burca é uma mistificação fundamentalista, um ferrete de menoridade e de reduzida cidadania.


 


Concordo com todas estas frases. Mas não concordo com a proibição do uso de burcas. Não é possível assegurar que algumas dessas vestes não sejam usadas por escolha livre e despoluída de lavagem cerebral. Tal como não concordaria com a proibição do bikini, dos piercings ou da impossibilidade de uso de calças pela mulher. Tal como não concordo que impeçam as freiras de usarem o seu hábito nos edifícios públicos, como escolas e universidades.


 


Tal como não concordo com a reivindicação de alteração de normas e de horários por causa dos burkinis. Tal como concordo com a obrigação de todas as crianças irem à escola. Independentemente da raça, etnia, cultura, naturalidade, etc., todos os cidadãos devem seguir um plano nacional de vacinação, enfim, sujeitarem-se à legislação do país onde vivem.


 


Proibir o uso da burca pode ser tão fundamentalista como proibir o uso de crucifixos ou da circuncisão masculina.


 



 

31 janeiro 2010

Ciclos perpétuos

 


Ciclos perpétuos na procura de um passado que nunca morre. Revisitamos ruínas de papéis, de tecidos engelhados com flores secas, que se desfazem à menor aragem de novidade.




Refazemos os factos essenciais que de essência são vestidos pelo olhar de quem muda.




Não há história universal. Há a pequena história que as correntes individuais somam e reproduzem.


 

O ciclo da pedra

 



Jurgis Baltrušaitis: Pictorial Stones


 

Widerstehe Doch Der Sünde

 



Andreas Scholl


Bach Cantata No.54


Georg Christian Lehms


 


 


 


Widerstehe doch der Sünde,

Sonst ergreifet dich ihr Gift.


Laß dich nicht den Satan blenden;

Denn die Gottes Ehre schänden,

Trifft ein Fluch, der tödlich ist.


 


Die Art verruchter Sünden

Ist zwar von außen wunderschön;

Allein man muss

Hernach mit Kummer und Verdruss

Viel Ungemach empfinden.

Von außen ist sie Gold;

Doch, will man weiter gehn,

So zeigt sich nur ein leerer Schatten

Und übertünchtes Grab.

Sie ist den Sodomsäpfeln gleich,

Und die sich mit derselben gatten,

Gelangen nicht in Gottes Reich.

Sie ist als wie ein scharfes Schwert,

Das uns durch Leib und Seele fährt.


 


Wer Sünde tut, der ist vom Teufel,

Denn dieser hat sie aufgebracht.


Doch wenn man ihren schnöden Banden

Mit rechter Andacht widerstanden,

Hat sie sich gleich davongemacht.


 

Mudanças

  Las manos Eduardo Kingman Aos poucos vou mudando a casa, vou adaptando o espaço à minha pessoa. Reduzir coisas e coisas e coisas. Clarear,...