Faze que a tua vida seja o que te nega./ A luta é tua: fá-la./ Agora, os sonhos em farrapos,
melhor é a luta que pensá-la.// Ergue com o vigor do teu pulso;/ solda-o em aço./ E da tua obra afirma:/ – Sou o que faço. [João José Cochofel]
Jaime Ramos caminha mais devagar, olha o vazio em baixo das pontes, escreve os caminhos das montanhas, os caminhos que o levam até onde não quer ir.
Jaime Ramos está mais silencioso, ouve mais as vozes que se fixaram à sua pele, conhece bem o que não sabe que se passou, conhece melhor o que sabe que se passará.
Jaime Ramos envelhece e nós caminhamos, mais devagar, a seu lado.
Um caçador de histórias salva a vida a um vizinho que o faz depositário de um dossier com fotografias e pequenos textos, poemas, fragmentos de cartas ou notas. Prisioneiros?
De que forma fazem estes pedaços de vidas parte da sua vida, da vida da cidade ou do país, como se misturam os sentimentos de honra, medo, ignomínia e perseguição?
Uma história da mistura entre as várias expressões do carácter dos homens e da memória colectiva, da responsabilidade partilhada, da constante readaptação aos sentimentos de culpa e de renovação. Um caçador de segredos e de amostras dos cinzentos que nos habitam, passada num país que ainda recupera da sombra da ditadura, numa escrita simples, elegante e sensível.
Hoje sinto uma certa distensão no ar, pelo menos no ar que eu respiro. Já li vários textos com que não concordo, já me insurgi contra várias opiniões, mas de uma forma benigna e mansa, quase como se não me e lhes desse importância.
Nestes dias invernosos e tranquilos, podemos dar-nos ao luxo de uns momentos em paz com o mundo, esquecendo tudo o que se passa e ouvindo música. A música é um dos maiores bálsamos da criatividade humana.
Vou continuar a ler jornais e blogues, neste canto em que me refugio das intempéries.