02 janeiro 2010

De 2009 para 2010

 



Jill Tatara: Paths


 


O ano que passou foi intenso em muitas vertentes. Para mim alargaram-se desafios pessoais e profissionais que fizeram com que o ano voasse e, simultaneamente, parecesse uma década inteira.


 


Foi também um ano em que me envolvi mais activamente na esfera da cidadania política, participando em blogues colectivos como o SIMpleX e o A REGRA DO JOGO.


 


O SIMpleX foi uma experiência interessantíssima, pelo entusiasmo e paixão de todos os participantes, numa verdadeira missão de campanha eleitoral. Conheci pessoas de grande generosidade, entrega, capacidade argumentativa e intelectual, a quem agradeço a hipótese da partilha. Fiquei também a conhecer ainda melhor o lado mais mesquinho, pidesco e de baixeza de que muitos são capazes apenas com o objectivo de denegrir o carácter de quem não conhecem, inventado e difamando sem qualquer preocupação pelos eventuais danos que possam causar.


 


O A REGRA DO JOGO está a ser uma experiência de debate de ideias diferente e estimulante, pelo gosto da discussão. Penso que pode ser um espaço de intervenção muito importante e aberto, pela variabilidade de temas tratados e pelas diversas opiniões.


 


Adivinha-se um ano cheio de combates a todos os níveis. Apesar das óbvias responsabilidades dos governantes na orientação económica, social e cultural, nenhum de nós é inocente ou está arredado do seu compromisso como pertence de uma comunidade. Cada um com o seu contributo, a verdade é que estamos todos convocados, sempre, para a tentativa de melhorar a qualidade da nossa vida, a tal busca de felicidade.


 


Nota - Saúdo o Eduardo Pitta pelo 5º aniversário do seu blogue, do qual sou seguidora, agradecendo-lhe a forma directa e elegante com que descreve a realidade.

 

Apelo subliminar ao Bloco Central

 



(Mensagem de Ano Novo - 01.01.2010)


 


O discurso do Presidente da República foi um bom discurso de um Presidente. De um Presidente de direita, mas ele é de direita e foi eleito como tal. Foi um discurso previsível mas verdadeiro quanto à enumeração dos problemas do país, não tanto exactamente a nível económico, e aí considero que o Presidente não resistiu a interferir na esfera do executivo, pois o diagnóstico e perspectivas filosóficas de solução são as que ele próprio e todos os economistas da sua área repetem há muitos anos (vale a pena ler, a propósito, o artigo de Carlos Santos comentando um outro de Ricardo Reis) mas principalmente a nível dos problemas políticos que o país atravessa.


 


Aí chamou a atenção para a responsabilidade do governo em governar, procurando os apoios de que precisa no Parlamento e, sobretudo, pediu responsabilidade às oposições para viabilizarem opções governativas em nome das necessidades do país. Todos os comentadores partidários anuíram e se mostraram sensíveis a esse apelo. E, no entanto, é sobretudo disso que mais duvido.


 


A opção subliminar do Presidente por um Bloco Central é óbvia e compreensível. Mas será essa a opção do governo, terá sido essa a opção do eleitorado? Cada vez mais se afigura que os partidos à esquerda do PS, aqueles cujo apoio parlamentar seria mais natural e desejável, fazendo cumprir o resultado das legislativas, não estão interessados em viabilizar políticas exequíveis e credíveis, mas apenas em gritar bem alto a incapacidade do governo responder à crise e ao desemprego, apontando medidas que agravam o défice público, nunca explicando como poderia ser resolvido esse problema. As posições demagógicas e populistas desta esquerda impossibilitam o diálogo e a concertação à esquerda.


 


Estará o PSD disponível para deixar o governo governar? Estará o governo disponível para acertar políticas com a direita?


 


Não acompanho a opinião de Carlos Santos em relação à questão presidencial. A actuação de Manuel Alegre nos quatro anos de governo socialista não dá garantias de que ele possa ser um Presidente supra partidário e que valorize a cooperação institucional, muito pelo contrário. A minha opção será prioritariamente por um Presidente de esquerda,  porque é a minha área ideológica e porque penso que contribui melhor para apontar e facilitar caminhos para uma sociedade tolerante e solidária, mas dou muita importância à equidistância e à função de árbitro que o Presidente deve ter, neste sistema semipresidencialista. Não me parece que Manuel Alegre cumpra estes últimos requisitos.


 


Aguardemos a opção de Manuel Alegre em relação à sua recandidatura à Presidência, assim como a existência de mais algum candidato de esquerda. Penso que as próximas eleições presidenciais dependerão também muito do ou dos candidatos que se perfilarem à direita, neste momento os mais prováveis Cavaco Silva e Marcelo Rebelo de Sousa.


 


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31 dezembro 2009

Bom Ano

 



Danielle Hatherley: new year's eve


 


É sempre com um misto de nostalgia e curiosidade que acabamos o ano, por muito que esta noite tenha o minuto 23:59 igual a todas as outras noites, que o próximo ano comece com nuvens negras, previsões ventosas e cheias anunciadas.


 


Não há nada melhor que aprendermos a olhar a esperança como a certeza do cíclico movimento de rotação da Terra, como a órbita solar, como a vida que se renova a cada instante, sabendo por experiência própria que não há eternidades nem garantias. E o que podemos prometer a nós próprios é viver, o melhor que podemos e sabemos, na comunidade de quem amamos.


 


Bom Ano para todos.


 


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29 dezembro 2009

Proposta de princípios

 



 


Os movimentos independentes de professores consideram "inaceitável" o "acordo de princípios" proposto segunda-feira pelo Governo sobre a carreira e a avaliação docente, e pedem aos sindicatos que não assinem o documento. (...)


 


É claro que, afinal, esta Ministra pode ser ainda pior do que a anterior, prometendo diálogo e negociação e apresentando um acordo de princípios em que há uma carreira estruturada em vários graus, em que a avaliação de desempenho é fundamental para a progressão na carreira,  avaliação essa que inclui vários parâmetros entre os quais a observação de aulas, em que apenas os mais bem classificados, em sistemas de vagas (ou quotas), tal como em todas as outras carreiras, chegarão ao último patamar.


 


Para quem ainda tinha dúvidas, o diálogo de que falam os professores e os sindicatos significa apenas uma coisa - voltar ao doce remanso anterior à Ministra Maria de Lurdes Rodrigues.


 


Aguardo serenamente que esta Ministra mantenha como objectivo a verdadeira dignificação da profissão docente. E que rapidamente se passe a discutir outros problemas, tão importantes como este para a efectiva defesa da Escola Pública, estranhamente arredados do discurso dos protestos: os currículos, as disciplinas, as cargas horárias, os manuais escolares, os exames, etc., etc..


 


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28 dezembro 2009

Espectáculo

 



Clã & Sérgio Godinho


 


 


Quando

tu me vires no futebol

estarei no campo

cabeça ao sol

a avançar pé ante pé

para uma bola que está

à espera dum pontapé

à espera dum penalty

que eu vou transformar para ti

eu vou

atirar para ganhar

vou rematar

e o golo que eu fizer

ficará sempre na rede

a libertar-nos da sede

não me olhes só da bancada lateral

desce-me essa escada e vem deitar-te na grama

vem falar comigo como gente que se ama

e até não se poder mais

vamos jogar

Quando

tu me vires no music-hall

estarei no palco

cabeça ao sol

ao sol da noite das luzes

à espera dum outro sol

e que os teus olhos os uses

como quem usa um farol

não me olhes só dessa frisa lateral

desce pela cortina e acompanha-me em cena

vamos dar à perna como gente que se ama

e até não se poder mais

vamos bailar

Quando

tu me vires na televisão

estarei no écran

pés assentes no chão

a fazer publicidade

mas desta vez da verdade

mas desta vez da alegria

de duas mãos agarradas

mão a mão no dia a dia

não me olhes só desse maple estofado

desce pela antena e vem comigo ao programa

vem falar à gente como gente que se ama

e até não se poder mais

vamos cantar

E quando

à minha casa fores dar

vem devagar

e apaga-me a luz

que a luz destoutra ribalta

às vezes não me seduz

às vezes não me faz falta

às vezes não me seduz

às vezes não me faz falta

 

Indignação mistificada

 



 


Segundo Mário Crespo, a maioria dos clientes do BPP eram pequenos aforradores. O que me espanta, se bem me lembro, é que o BPP não aceitava clientes com menos de 100 a 150.000€. Segundo esses pequenos aforradores e Mário Crespo, o Estado não resolveu os problemas dos clientes. É claro que João Rendeiro, o antigo Presidente do Banco Privado Português, não tem sido por eles incomodado.


 


Este é um problema para a justiça resolver. É aos gestores do BPP que esses pequenos aforradores devem responsabilizar, não ao governo nem ao Estado.


 


O telejornal abriu com a filmagem de um grupo de pessoas a forçarem a entrada da sede do BPP no Porto, do que foram impedidos por agentes policiais. A esse impedimento surgiram gritos e palavrões, numa vitimização que, a meu ver, por muito que entenda o desespero de quem foi objectivamente enganado, não tem qualquer sentido.


 


(Também aqui)


 

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...