Ainda o Prof. Gentil Martins era Bastonário da Ordem dos Médicos (entre 1977 e 1986) e já se ouvia dizer que não havia falta de médicos, que o problema era a sua distribuição pelo país.
Hoje em dia, com a média etária do médicos muito alta, com dados que nos permitem saber que dentro de poucos anos haverá uma enorme percentagem de médicos com idade para se reformarem, com casos conhecidos de médicos já reformados que são contratados para continuarem a exercer nos hospitais públicos e centros de saúde, com a enorme carga horária que os médicos têm para assegurar as urgências, as consultas, as cirurgias, as enfermarias, com o pluriemprego médico, como é possível o Bastonário continuar a argumentar que o que há é má distribuição de médicos?
É verdade que sim, que os médicos estão mal distribuídos, que há hospitais com muitos e hospitais com poucos, que há especialidades mais carenciadas que outras mas, mesmo assim, há real falta de médicos.
Há dúvidas quanto ao tipo de cursos que se estão a abrir? Será que os médicos formados nas Universidades do Algarve e de Aveiro estarão tão bem preparados como os formados pelos métodos e universidades habituais? Isso sim, deveria constituir uma preocupação primordial da Ordem dos Médicos que, nestes casos, não colocou em causa a qualidade dos cursos.
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