16 dezembro 2009

A real falta de médicos

 



 


Ainda o Prof. Gentil Martins era Bastonário da Ordem dos Médicos (entre 1977 e 1986) e já se ouvia dizer que não havia falta de médicos, que o problema era a sua distribuição pelo país.


 


Hoje em dia, com a média etária do médicos muito alta, com dados que nos permitem saber que dentro de poucos anos haverá uma enorme percentagem de médicos com idade para se reformarem, com casos conhecidos de médicos já reformados que são contratados para continuarem a exercer nos hospitais públicos e centros de saúde, com a enorme carga horária que os médicos têm para assegurar as urgências, as consultas, as cirurgias, as enfermarias, com o pluriemprego médico, como é possível o Bastonário continuar a argumentar que o que há é má distribuição de médicos?


 


É verdade que sim, que os médicos estão mal distribuídos, que há hospitais com muitos e hospitais com poucos, que há especialidades mais carenciadas que outras mas, mesmo assim, há real falta de médicos.


 


Há dúvidas quanto ao tipo de cursos que se estão a abrir? Será que os médicos formados nas Universidades do Algarve e de Aveiro estarão tão bem preparados como os formados pelos métodos e universidades habituais? Isso sim, deveria constituir uma preocupação primordial da Ordem dos Médicos que, nestes casos, não colocou em causa a qualidade dos cursos.


 


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15 dezembro 2009

14 dezembro 2009

Prémio Pessoa 2009

 



 


Não conheço a obra de D. Manuel Clemente, nem como Teólogo, nem como Historiador. Mas o facto de ser Bispo não me parece impeditivo de merecer o Prémio Pessoa.


 


O desconhecimento da sua obra será certamente devido mais à minha ignorância e falta de interesse do que à sua pouca valia.


 


Pertencer à Igreja Católica não deve ser motivo de discriminação positiva tal como não deverá ser motivo de discriminação negativa.


 


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Ideologia ambiental

 



 


A Cimeira de Copenhaga irá ficar conhecida provavelmente mais pelo Climagate do que propriamente pelas metas e acordos que conseguir em relação aos compromissos de redução de emissões de CO2.


 


Não me parecem questionáveis as vantagens globais de um esforço combinado de despoluição atmosférica, de aposta em energias renováveis alternativas, de redução e reciclagem dos lixos, da gestão criteriosa dos recursos naturais, nomeadamente hídricos, de protecção de espécies ameaçadas, em suma, de respeito pelo ambiente e pelo planeta.


 


Mas isso não deve ser feito através da intoxicação da opinião pública com ameaças e previsões de assustadoras, baseadas em estudos científicos que, pelo que se vai sabendo, têm sido orientados para concluir que o aquecimento global está a acelerar pelo efeito no ambiente do Homem.


 


A ciência faz-se todos os dias e o que é uma certeza hoje pode tornar-se incerteza amanhã. A comunidade científica é formada por pessoas, tão permeáveis como quaisquer outras a pressões e lobbies. Os emails revelados fazem suspeitar de uma gigantesca mistificação de contornos ainda pouco nítidos.


 


Interesses poderosos há-os da parte das companhias petrolíferas. Mas não os haverá também da parte dos grupos que se dizem defensores do planeta e profetas das iminentes catástrofes?


 


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13 dezembro 2009

Aprender as arritmias

 



 

Pela Paz

 


 


 


Foi uma semana cheia de trabalho pelo que fui assistindo ao que se passava à minha volta, sem capacidade para apreender a voragem de notícias. Que são muitas, que parecem todas muitíssimo importantes, imprescindíveis para a vida do nosso dia-a-dia, mas que se revelam efémeras e banais.


 


Não foi o caso do discurso de Obama na cerimónia de entrega do prémio Nobel da paz. Obama fez um discurso extraordinário e corajoso, enfrentando as suas responsabilidades como Presidente dos Estados Unidos nas guerras contemporâneas, mas lembrando que há guerras inevitáveis e que o combate pela paz é exigente e não dá tréguas a nenhuma das nações que se dizem dela defensores.




(...) I understand why war is not popular. But I also know this: the belief that peace is desirable is rarely enough to achieve it. Peace requires responsibility. Peace entails sacrifice. (...)


 


Obama faz um discurso marcadamente ideológico, mostrando aquilo em que acredita e aquilo que quer fazer, exortando as outras nações, grandes e pequenas, ricas e pobres, a comprometerem-se com uma estratégia conjunto para alcançar a paz.


 


(...) First, in dealing with those nations that break rules and laws, I believe that we must develop alternatives to violence that are tough enough to change behavior - for if we want a lasting peace, then the words of the international community must mean something. (...)


 


(...) This brings me to a second point - the nature of the peace that we seek. For peace is not merely the absence of visible conflict. Only a just peace based upon the inherent rights and dignity of every individual can truly be lasting. (...)


 


(...) Third, a just peace includes not only civil and political rights - it must encompass economic security and opportunity. For true peace is not just freedom from fear, but freedom from want. (...)


 


Foi um discurso intencionalmente poderoso e humilde. Não tenho a certeza de que Obama mereceu este Nobel, mas tenho a certeza de que fará tudo para o merecer. Queiram outros Chefes de Estado assumir assim as suas responsabilidades, contribuindo realisticamente para a construção de um mundo mais justo.


 


(...) We can acknowledge that oppression will always be with us, and still strive for justice. We can admit the intractability of depravation, and still strive for dignity. We can understand that there will be war, and still strive for peace. We can do that - for that is the story of human progress; that is the hope of all the world; and at this moment of challenge, that must be our work here on Earth.


 


(Também aqui)


 

Seguro de memórias

 



Salvador Dalí - el caballero de la muerte


 


A morte pendura-se nos gestos


respira-se pelos cantos


subtil e densa como sangue


palpitante e perpétua como vida


seguro de memórias no amor


perversa novidade ao nascer


sempre e dolorosamente.

 

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...