Cartaz oficial para promover o recenseamento eleitoral, antes das eleições para a Assembleia Cnstituinte - 1975 (CNE)
Faze que a tua vida seja o que te nega./ A luta é tua: fá-la./ Agora, os sonhos em farrapos, melhor é a luta que pensá-la.// Ergue com o vigor do teu pulso;/ solda-o em aço./ E da tua obra afirma:/ – Sou o que faço. [João José Cochofel]
Cartaz oficial para promover o recenseamento eleitoral, antes das eleições para a Assembleia Cnstituinte - 1975 (CNE)
canta Elis Regina
É de manhã, vem o sol
Mas os pingos da chuva que ontem caiu
Ainda estão a brilhar
Ainda estão a dançar
Ao vento alegre que me traz esta canção
Quero que você me dê a mão
Vamos sair por aí sem pensar
No que foi que sonhei
Que chorei, que sofri
Pois a nossa manhã
Já me fez esquecer
Me dê a mão vamos sair
Pra ver o sol
desenho de Adam Grossi
Hoje, ao contrário dos outros dias, deve reflectir-se. Ninguém sabe exactamente em quê, como se faz para reservar um dia em que os nossos olhos, a nossa mente, o nosso corpo todo se inclina para o lado do pensamento.
Será de lado, de frente? Será às escuras, à janela, ao ar livre, na solidão das paredes do nosso cérebro, em silêncio ou a cantar?
Hoje, ao contrário dos outros dias, deve reflectir-se. Nos dias que passam tão iguais que praticamente não se distinguem (Não é o tempo que passa depressa, na pressa de nos esquecermos do que se passa. É o espaço onde acontece a vida que se repete, uma e outra vez, na voragem dos hábitos e das regras que espartilham a nossa sobrevivência.) apenas usamos a mecânica, o levanta e lava e escova dentes e engole comprimidos e engole café e liga a ignição e pára nos sinais e boceja e refaz os dias anteriores como um filme e faz malabarismos para adivinhar o que se vai seguir e lembra-se de que a casa pode não ser a mesma quando voltar, e acelera para chegar à rotunda e…
Mas hoje abre-se uma clareira e tudo se vê mais colorido, mais preto e branco, tudo se ouve com mais nitidez, tudo se descodifica e resolve.
Hoje, ao contrário dos outros dias, deve reflectir-se. Hibernamos na vida e reflectimos na inutilidade do dia-a-dia sem pensar e da existência de dias obrigatoriamente reflexivos, na inutilidade de suspender aquilo que nos encaminha para decisões minúsculas, minoritárias, caóticas, suaves, muitas erradas e poucas certas.
Reflictamos, pois.
Pergunto-me muitas vezes a razão de ser da minha necessidade de intervenção cívica, nomeadamente política, sem que esteja nos meus horizontes algo mais do que isso mesmo: escrever. Talvez a noção de compromisso com o outro, da dependência e interligação entre os seres humanos, do sentido de obrigação que, como elo de uma cadeia das relações afectivas, profissionais e sociais, devemos à construção da nossa vida.
Ao contrário do que, para outros, se basta na manifestação de vontade no acto de votar, a troca e o debate de ideias são, para mim, muito apelativos. Por isso, embora tenha uma noção muito exacta da falta de alinhamento com muitas das práticas dos nossos representantes e responsáveis políticos, não me podia de todo alhear deste combate que é a campanha para as eleições legislativas, numa altura em que está em causa a continuação de um projecto globalmente reformador e renovador, em oposição a uma alternativa com contornos pouco definidos, que se afirma apenas por aquilo que não quer e que não sabe, por muito importante que a clareza do que se nega seja um factor fundamental para as opções que vamos fazendo.
Até domingo é preciso reunir todas as formas de intervenção, as mais opinativas, as mais contemplativas, as mais silenciosas, e motivá-las para a importância de exercerem o seu direito, que é também um dever, de participarem colectivamente na decisão do que vai ser este país nos próximos quatro anos. Porque é de uma legislatura de quatro anos que falamos, da governabilidade numa altura de grandes dificuldades económicas, de desânimo e desespero para muitos desempregados, de angústia para muitas famílias.
Ao contrário do que todos os partidos da oposição propagandeiam, não é a liberdade, a censura ou a falta de transparência democrática que está em causa. Quem for eleito sê-lo-á em eleições democráticas e assumirá o poder com toda a legitimidade. O que importa é o que se pode e se quer fazer com esse poder. E essa é a diferença que importa à vida do dia-a-dia, à perspectiva que temos do que podemos e queremos atingir.
A minha escolha é votar PS. Seja qual for a vossa não deixem de a expressar nas urnas.
Nota: Também aqui.
É inadmissível que continuem este tipo de comentários e mistérios. A manutenção deste clima de suspeição corrói qualquer resquício de confiança.
A Quadratura do Círculo, ontem, mostrou um José Pacheco Pereira inacreditavelmente delirante.
O PS e o Engº Sócrates são capazes de tudo, tal como operação política que tem como o alvo o Presidente da República, a TVI e o jornal Público, leia-se a o mais alto magistrado da Nação e a liberdade de imprensa, entrecortado pelo eu bem sei como é, foi verdadeiramente triste.
Mais triste ainda é a sensação que parece ficar, veiculada pelo PSD, de que Cavaco Silva desvendará o mistério, ou não, conforme quem ganhar as eleições.
Isto é tudo menos sério.
pintura de N.S. Harsha: náusea
Move os dedos com a lentidão com que pensa, com que sente, com que mente. Junta pequenos esgares de falta de jeito, de falta de senso.
Não sabe se falta o Outono ou se sobra o Verão. O cansaço faz-se da viagem que nunca acaba.
Reestrutura e recomeça e refaz, num ciclo infinito de entusiasmos e desesperos, num tempo imerecido de muito e de pouco. Não se basta nem se gosta nem se acha capaz de seguir.
Para quê e para quem, porque sim e porque não, eternamente insatisfeita e descontente, com arroubos apaixonados de vícios e virtudes. Larga máscaras e peles, mas não a larga a vida assim, pesada e sem brio, que arrasta até à náusea.
Ausência congénita de se sentir amada. Até à náusea.
Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...