03 setembro 2009

Governo de iniciativa presidencial

 



 


O artigo que Medina Carreira escreveu no Correio da Manhã, no Domingo, embora apocalíptico como é habitual, foi mais transparente e apontou uma direcção, que se adivinhava em todas as últimas intervenções que fez.


 


A única eventual solução para este país à deriva é um governo de salvação nacional, do bloco central e de iniciativa presidencial.


 


Talvez Medina Carreira seja um mensageiro de Belém, preparando o terreno para o que há-de vir. Talvez assim se expliquem as intervenções e os silêncios cirúrgicos do Presidente, assim como o  abandono da postura de estado.


 


Nota: Também aqui.

 

Debates de Verão (24)

 



 


Agora com outro formato, continua o debate. Hoje escreve o  Palmira Silva, pelo SIMplex:


 


Sustentabilidade




(...) Investir na produção de energia, em especial nas renováveis, deve ser prioridade do programa de qualquer partido que pretenda governar o país e apostar no futuro. Ao ler os programas dos principais partidos, é fácil verificar que apenas um deles assume esse desígnio.


 



 


e o José Eduardo Martins, pelo Jamais.


 

O novo PREC

 


Realmente hoje é um dia de que a democracia não se pode orgulhar. A total irresponsabilidade perigosa de José Aguiar Branco e de muitas outras personalidades ao acusar José Sócrates e o PS de terem forçado a demissão de Manuela Moura Guedes, é um desrespeito total pelas regras de um estado democrático.


 


É inaceitável que se levantem este tipo de suspeitas e calúnias gravíssimas sem que haja qualquer resquício de factos que comprovem as acusações.


 


A última pessoa a ganhar com esta demissão é, precisamente, José Sócrates. A decisão de demitir Manuela Moura Guedes, que conduzia um programa em que se praticava muita coisa, mas não jornalismo, muito menos jornalismo de investigação, é da competência da administração da empresa. Manuela Moura Guedes até já tinha afirmado que se a nova administração a demitisse era muito estúpida. Por coincidência Manuela Moura Guedes tinha uma reportagem fantástica sobre o caso Freeport.


 


Mas as coincidências não se ficam por aqui. É que hoje foram conhecidas as pressões exercidas pelo governo sobre Alexandre Relvas, chantageando-o a propósito dos negócios que tinha com o Estado. Também por coincidência, um dos pilares da estratégia eleitoral do PSD, iniciada há algum tempo por Pacheco Pereira, é o slogan da asfixia democrática e da falta de liberdade na sociedade portuguesa.




É estranho que, para toda a oposição, a única coincidência que existe em todo este processo é mesmo a pouca inteligência de José Sócrates.




Para mim, Manuela Moura Guedes é a negação do que deve ser uma jornalista. Sou totalmente contra qualquer condicionante da liberdade de expressão. A possibilidade de se praticarem pressões políticas conducentes a qualquer tipo de censura, velada ou explícita, deve ser imediatamente repudiada, accionando-se todos os instrumentos legais para punir quem o fizer.


 


Tanto a nova administração da TVI como quem acusa o governo, o PS e Sócrates de condicionarem a demissão seja de quem for, devem de imediato apresentar os factos em que se baseiam para o afirmar. Era muito importante que a TVI divulgasse a reportagem sobre o Freeport a que se refere Manuela Moura Guedes.


 


Senão a única conclusão a tirar é que, para que José Sócrates perca as eleições, todas as armas, mesmo as mais abjectas, são permitidas. Estamos num novo PREC, em que se acusava o PS e os próximos do PS de fascistas, reaccionários, antidemocráticos, controladores, pidescos, etc.


 


Espero as declarações do Presidente a propósito deste assunto. Ou será que este ambiente de suspeição e calúnias não o preocupa, tanto como os graves problemas do país, como o  desemprego e a recessão económica?


 


Nota: Também aqui.

 

02 setembro 2009

Combate 1 - CDS/PP contra PS - rescaldo

 


Este combate, que se adivinhava agressivo e difícil, acabou com alguma vantagem para José Sócrates, que conseguiu desmontar a enorme demagogia de Portas em relação à segurança: fazer perceber aos eleitores que as acusações do CDS em relação ao aumento da insegurança pela alteração às leis penais foi, ao fim e ao cabo, aprovada no Parlamento pelo CDS.


 


Foi um momento de enervação extrema para Paulo Portas que disparou em todas as direcções, agarrando rapidamente o discurso dos idosos sem direito à reforma. Só comparável à pergunta mortal que Vasco Rato fez a Aguiar Branco, no debate do referendo da IVG. Aguiar Branco, depois de ter defendido que a pergunta apresentada no referendo não tinha qualquer sentido, teve que confessar que a tinha votado favoravelmente.


 


José Sócrates insistiu, talvez um pouco em demasia, no passado governativo de Portas, cujas responsabilidades não foram tão grandes como Sócrates tentou insinuar. O problema do Iraque foi forçado e podia ter sido poupado.


 


Em tudo o resto, desde a segurança social às reformas educativas, desde o aumento do ordenado mínimo até à redução do défice (pergunta inicial a que Paulo Portas fugiu, visto que não foi capaz de negar que as propostas do seu programa aumentam o défice), o governo tem obra para mostrar e o CDS passeou a sua demagogia o mais que lhe foi possível. Mais uma vez a atitude do Primeiro-ministro, que tem contra si todos os partidos da oposição, foi firmemente convicta.


 


Este modelo de debate é um pouco estranho. Não percebi muito bem qual o papel de Constança Cunha e Sá.


 


Nota: Também aqui.


 

Debates de Verão (23)

 


 


Agora com outro formato, continua o debate. Hoje escreve o  Bruno Cardoso Reis, pelo SIMplex:


 


Sócrates e a diplomacia económica




(...) Sobretudo o que incomodou muita gente foi ver Sócrates a promover o Magalhães na Cimeira Ibero-Americana, e o Presidente Chávez pegar no Magalhães. Ficava mal. Exportar para um candidato a ditador? Ora o Rei de Espanha não promove as empresas espanholas? Não o faz a Rainha de Inglaterra, ou o Presidente dos EUA? Será que esses países não exportam para a Líbia ou a Arábia Saudita, essas grandes democracias? A promoção e diversificação das nossas exportaçõs têm de ser uma prioridade estratégica do próximo governo. Foi uma prioridade de Sócrates. Não faz milagres?





Não acredito em milagres em política ou economia. Mas acredito que tentar promover produtos nacionais não é vergonha, é verdadeiro sentido de Estado[, aquele que ajuda a criar empregos.] (...)



 


e o Paulo Lopes Marcelo, pelo Jamais.


 

Combate 1 - CDS/PP contra PS

 


 



 

01 setembro 2009

Já vai sendo

 


 


The Duck Variations


David Mamet


Rippon College


 


 


Já vai sendo tempo de nuvens gordas

vento frio e sol envergonhado.


 


Já vai sendo tempo de virar a bússola

de voltar às folhas secas

ao chão molhado.


 


Já vai sendo tempo de retirar o véu

mergulhar os olhos no abismo do outro

no fundo dos silêncios

nas ausências disfarçadas.


 


Já vai sendo tempo de regressar à ilha

de novo despida e dormente.


 


Já vai sendo tempo de voltar

a ser eu.

 

Mudanças

  Las manos Eduardo Kingman Aos poucos vou mudando a casa, vou adaptando o espaço à minha pessoa. Reduzir coisas e coisas e coisas. Clarear,...