Patricia Barber
Faze que a tua vida seja o que te nega./ A luta é tua: fá-la./ Agora, os sonhos em farrapos, melhor é a luta que pensá-la.// Ergue com o vigor do teu pulso;/ solda-o em aço./ E da tua obra afirma:/ – Sou o que faço. [João José Cochofel]
A preocupação pelo número de fantasmas nos cadernos eleitorais com o conhecimento actualizado do número de residentes em cada freguesia, é importantíssima para a reorganização e a reforma administrativa do território, assim como para a adequação dos meios às reais necessidades do país, no que diz respeito a serviços públicos do estado.
Essa reforma tem sido sistematicamente adiada. A limpeza dos cadernos eleitorais já foi anunciada mas não tem sido concretizada na totalidade, entre outras razões calculo que até pela dificuldade em saber com rigor o número exacto daqueles que estão a mais ou a menos, comparando com os números do último recenseamento populacional, e que freguesias estão sobre ou subdimensionadas. Esse conhecimento é crucial também para a reestruturação do número de autarcas e do número de autarcas por partido, sendo essencial para uma verdadeira reforma política do país.
No entanto é com o odiado e vilipendiado cartão do cidadão que essa reforma se irá fazer sem retrocessos nem abrandamentos, apenas porque decorre naturalmente do recenseamento automático dos cidadãos nas freguesias de residência e do recenseamento eleitoral automático para todos os maiores de 18 anos.
Com a generalização do cartão do cidadão, será automática a limpeza dos cadernos eleitorais e a reorganização dos mesmos, com o número de deputados por cada autarquia a até à própria Assembleia da República a serem obrigatoriamente recalculados.
É um bom exemplo da evolução tecnológica ao serviço dos cidadãos e do país.
Nota: Também aqui.
A propósito dos incêndios, tema recorrente em todos os verões, e da desertificação do território, segui o conselho de Henrique Pereira dos Santos e fui pesquisar as estatísticas existentes com maior intervalo temporal, para perceber se era possível falar de uma tendência na melhoria de combate aos incêndios.
Em relação ao combate aos incêndios os dados existentes na Autoridade Florestal Nacional, sobre número de incêndios e área ardida, datam de 1980.
Como se pode verificar pelos gráficos que fiz, há um aumento contínuo do número de ocorrências, mas a área ardida sofreu um aumento e agora uma diminuição muito significativa (desde 2006). É pouco para falar de tendências.
Mas se dividirmos a área ardida pelo número de ocorrências, ou seja uma forma de testar a eficácia de combate aos incêndios, há uma verdadeira tendência para a melhoria, neste caso, partilhada por mais do que um governo, mas acentuada com este último.
Em relação à desertificação do interior, em marcha desde, pelo menos, a década de 60 do século passado, o seu combate deve ser uma prioridade. Não me parece, no entanto, que insistir na agricultura de artesanato, com pluriemprego para quem escolher essa vida, a implementação do agro-turismo e do ecoturismo, sejam as únicas e melhores respostas a essa questão por uma razão simples: há muito pouca gente disposta a abraçar esse tipo de vida, não só em Portugal como nos outros países industrializados.
Penso que teremos que ser mais imaginativos e criar condições para que seja fácil, económico e uma melhoria na qualidade de vida optar pelo campo.
De facto não percebo a escolha de Carolina Patrocínio como mandatária para a juventude.
Mas percebo ainda menos as declarações de Manuela Ferreira em relação ao aumento do desemprego. Percebo ainda menos o oportunismo político dessas declarações, esquecendo a grave crise internacional que vivemos desde há cerca de 1 ano, os níveis de desemprego por essa Europa fora (Espanha está em 18,3%). Não entendo como é que uma candidata a Primeira-Ministra, uma pessoa que já foi Ministra das Finanças, desvaloriza a luz ao fundo do túnel que é o facto do país ter saído da recessão técnica, por muito cauteloso que se deva estar.
Apesar de não perceber os critérios das escolhas da mandatária para a juventude, custa-me ainda mais perceber a falta de rigor e o oportunismo de quem escolhe a Verdade como lema, mas que tão pouco o persegue.
E convenhamos, a credibilidade de uma candidata a chefiar o governo do país é muitíssimo mais importante do que todas as grainhas de que Carolina Patrocínio não gosta.
Já agora, se ainda não o entenderam, este é um blogue plural onde cada um escreve o que pensa, mesmo criticando as opções de campanha do PS. Teria sido interessante (e prova de desinteresse) e talvez importante para o PSD, o apelo ao cerrar de fileiras lançado por Pacheco Pereira, na campanha de 2005.
Nota: Também aqui.
Não percebo a função de uma mandatária para a juventude como Carolina Patrocínio, não percebo em que é que representa o PS e o que é que poderá representar para os jovens ela ser a mandatária do PS.
Será que o PS pensa que os jovens se revêem na Carolina Patrocínio? Que a têm como referência de vida? Quais são as ideias políticas de Carolina Patrocínio? Que tem ela a dizer aos jovens sobre as escolhas que estão em jogo nas eleições legislativas? Quais os pensamentos de Carolina Patrocínio sobre o acto eleitoral, sobre a educação, sobre os media? Que tem Carolina Patrocínio a partilhar, em termos políticos, com os jovens deste país?
Sinceramente, penso que a grande maioria dos jovens portugueses terá anseios, expectativas e dificuldades bem diferentes dos de Carolina Patrocínio. Se a escolha foi efectuada, como parece, pelo simples facto de ser jovem, bonita e risonha, o PS perde credibilidade perante os jovens e os velhos, os bonitos e os feios, os risonhos e os sisudos.
Nota: também aqui.
Para quem ainda tivesse dúvidas, o BE e o PCP, pelas vozes de Fernando Rosas e de Jerónimo de Sousa, na sequência da entrevista de Ferro Rodrigues, confirmaram a indisponibilidade de ambos para fazerem qualquer coligação com o PS, pré ou pós eleitoral.
Para quem ainda pensa que o voto à esquerda do PS pode levar a um governo de coligação com os partidos de esquerda, pode render-se à realidade: votar no BE ou no PCP é aumentar a possibilidade de haver um governo de coligação de direita.
Para quem ainda pudesse sonhar com uma coligação entre as esquerdas plurais, fica a saber que a pluralidade está dentro do PS, pois os partidos à sua esquerda são monolíticos, não compreenderam que o tempo não volta para trás, mantendo o conforto da oposição por oposição, que não serve o país nem os seus cidadãos.
Nas próximas legislativas quem quiser um governo de esquerda votará PS, quem quiser um governo de direita terá quatro partidos à escolha: PSD, CDS, BE ou PCP.
Nota: Também aqui.
Las manos Eduardo Kingman Aos poucos vou mudando a casa, vou adaptando o espaço à minha pessoa. Reduzir coisas e coisas e coisas. Clarear,...