17 julho 2009

A lógica do absurdo

 


Pacheco Pereira, o prefeito da Congregação para a causa da boa informação, da excelência, rigor e escrutínio das pessoas públicas, principalmente dos políticos, o defensor das televisões e jornais privados que têm devastado a vida de Sócrates, seus familiares, amigos, conhecidos e desconhecidos que se atrevem a concordar com ele, nem que seja por momentos, causou a estupefacção geral quando acusou os jornalistas de incomodarem Manuela Ferreira Leite com perguntas despropositadas, como o que queria dizer com rasgar todas as políticas de Sócrates, conhecendo de cor o pensamento de Manuela Ferreira Leite.


 


De facto como se pode aceitar que os jornalistas não entendam que Manuela Ferreira Leite não tem jeito para expor as suas ideias, não entendam que se atrapalha, longe do amparo e da tradução dos seus oráculos?


 


Como a vida pode ser injusta.

 

16 julho 2009

É Lisboa que ganha

 


António Costa vai congregando á sua volta aqueles que já perceberam que Santana Lopes de volta é que não pode ser.


 


Primeiro José Sá Fernandes, depois Helena Roseta. Quem quer fazer alguma coisa pela cidade sabe que António Costa é um homem em quem se confia.


 


Acho engraçada a ginástica que se tem feito para esborratar um pouco a pintura: a estranheza com que é encarado o compromisso de António Costa para com a câmara de Lisboa em paralelo com a indignação do não comprometimento de Elisa Ferreira e de Ana Gomes com as respectivas câmaras do Porto e de Sintra. Um está a preparar-se para assaltar o poder no PS, as outras estão a salvaguardar o emprego em Bruxelas.


 


Tudo serve para criticar. Em Lisboa o PS arrisca-se mesmo a ganhar. Ainda bem para Lisboa.


 

Maré alta

 



Sérgio Godinho


 


 


Aprende a nadar, companheiro

aprende a nadar, companheiro

Que a maré se vai levantar

que a maré se vai levantar

Que a liberdade está a passar por aqui

que a liberdade está a passar por aqui

que a liberdade está a passar por aqui

Maré alta

Maré alta

Maré alta


 

12 julho 2009

Duplas candidatas (2)

 


A decisão de acabar com as duplas candidaturas às eleições por parte do PS foi uma boa decisão. A esse respeito já tinha manifestado a minha opinião sobre as candidatas Ana Gomes e Elisa Ferreira.


 


Acho que era preferível que elas próprias quisessem fazer essa escolha. Mas há que não aproveitar a decisão do PS para denegrir as candidatas e tentar justificar o seu ataque, nomeadamente de dentro das estruturas do PS  do Porto, que de imediato vem exigir uma decisão de Elisa Ferreira.


 


A verdade é que, quando estas candidaturas foram propostas e aceites não havia quaisquer tipos de restrições. Inclusivamente a dupla candidatura, tanto de Elisa Ferreira como de Ana Gomes, funcionou como uma bandeira do PS, é bom que não nos esqueçamos disso. Por outro lado, tem sido uma prática de sempre e dos vários partidos políticos que só agora se considera importante, depois de Paulo Rangel, demagogicamente, ter usado o pretexto  como arma de arremesso político contra o PS e, pessoalmente, contra as  próprias candidatas.


 


Elisa Ferreira, assim como Ana Gomes, mesmo que não concorde com elas, têm toda a legitimidade de manter a sua posição e parece-me muito negativo que o aparelho partidário mostre ao país a forma como, sob a capa da transparência, faz ultimatos a quem pode não ter vontade de se rodear apenas de indefectíveis militantes.


 


A tendência de rotular as pessoas de oportunistas e vendidas aos seus próprios interesses acabará por afastar muitos independentes dos cargos públicos. E se tanto se clama contra a partidarização do estado, muito pouco se faz a favor da sua despartidarização.

 

Lisboa de Sophia

 



 


Fim da tarde, início da luz brilhante de verão sobre Lisboa. Por vezes cumprem esse ritual de trocarem palavras e silêncios, partilharem interrogações e espantos, olharem essa cidade de colinas e sentirem que o vento lhe lava as almas.


 


A Lisboa de Sophia entrega-se, uma Lisboa mestiça, com aguarelas dos novos habitantes, essa amálgama de gentes e culturas.


 


A Lisboa dos cheiros sedu-las e guia-lhes os passos até a um canto de sabores picantes.


 


A Lisboa dos amigos espera por mais um ritual, por estreitar ainda mais alguns laços indefiníveis.


 


(foto daqui)

 

11 julho 2009

Sozinho

 



Caetano Veloso


 


Às vezes, no silêncio da noite

Eu fico imaginando nós dois

Eu fico ali sonhando acordado, juntando

O antes, o agora e o depois

Por que você me deixa tão solto?

Por que você não cola em mim?

Tô me sentindo muito sozinho!


 


Não sou nem quero ser o seu dono

É que um carinho às vezes cai bem

Eu tenho meus segredos e planos secretos

Só abro pra você mais ninguém

Por que você me esquece e some?

E se eu me interessar por alguém?

E se ela, de repente, me ganha?


 


Quando a gente gosta

É claro que a gente cuida

Fala que me ama

Só que é da boca pra fora

Ou você me engana

Ou não está madura

Onde está você agora?


 


Quando a gente gosta

É claro que a gente cuida

Fala que me ama

Só que é da boca pra fora

Ou você me engana

Ou não está madura

Onde está você agora?

 

Escuto

 



poema de Sophia de Mello Breyner Andresen


pintura de Teresa Dias Coelho


 


Escuto mas não sei


Se o que oiço é silêncio


Ou deus


 


Escuto sem saber se estou ouvindo


O ressoar das planícies do vazio


Ou a consciência atenta


Que nos confins do universo


Me decifra e fita


 


Apenas sei que caminho como quem


É olhado amado e conhecido


E por isso em cada gesto ponho


Solenidade e risco


 

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...