A petição on-line pela igualdade de acesso ao casamento civil por pessoas do mesmo sexo teve, de início, a minha oposição. Não porque não concorde que os homossexuais não devam casar. Acho que as pessoas devem escolher com quem querem estar, independentemente do sexo, e devem escolher o tipo de contrato que querem estabelecer com essa pessoa, formalizá-lo ou não, fazerem festa de chapéu e grinalda, de véu e colarinho, de champanhe ou cerveja a dois, o que lhes apetecer.
Mas não me parecia, tal como ainda não me parece, que seja um problema que preocupe pela nossa sociedade e acho que há assuntos muito mais urgentes a resolver, tais como a desigualdade efectiva entre géneros no que diz respeito à remuneração no trabalho, no maior perigo de desemprego para as mulheres, na crescente xenofobia e discursos anti-imigração, na crise dos valores da liberdade de expressão, com a confusão cada vez maior entre o estado e as religiões, enfim, muitas outras preocupações que se devem agendar para uma campanha eleitoral.
Mais ainda agora que começamos a campanha para as legislativas, que atravessamos uma enorme crise financeira e social, em que devem ser transparentes as diferenças entre a esquerda e a direita, discutir as funções do estado, o papel da escola pública na sociedade portuguesa, o SNS e a sua sustentabilidade, a segurança social, a política externa, nomeadamente a europeia, como ultrapassar o impasse da morte dos Tratados Constitucional e de Lisboa, para quando e como a reforma administrativa do território, a reforma da lei eleitoral, a reforma do sistema de justiça, o problema da independência e da qualidade da informação, etc., etc., etc.
Mas na base de tudo está a liberdade. A liberdade de expressão, a liberdade de amar quem se quer, a liberdade de escolher como viver.
Por isso, e por uma questão de princípio, mesmo que pense que as opções da sexualidade e da forma como se vivem é da esfera privada de cada um, assinei a petição on-line e juntei-me ao Movimento pela Igualdade.
