11 junho 2009

Algumas notas

 


Como muitos já lembraram, a homenagem a Salgueiro Maia soube a má consciência. Os heróis portugueses têm o péssimo hábito de não acertar o passo com os poderes.


 


Mas há sempre a galeria bem composta de homenageados que, estou convencida, nem eles próprios percebem o motivo das condecorações e do reconhecimento medalhante da nação.


 


Parece que o Conselho de Estado se volta a reunir, depois de uma pausa sabática, em que esperava a saída airosa de Dias Loureiro.


 


E é claro que o objectivo de tanta queixa só poderia ser o proibicionista. De facto as sondagens não são politicamente inócuas. Mas se calhar o CDS deveria agradecer a baixa intenção de votos que lhe prediziam: todos os que queriam um CDS mais forte correram às urnas. A democracia é um regime muito impertinente.


 

10 junho 2009

Símbolos

 



 


Não haverá melhor dia para propor uma mudança dos símbolos nacionais do que o dia de Portugal. Embora os símbolos não estejam obrigados a modas passageiras nem tenham épocas, o nosso hino foi elaborado com uma intenção e para uma realidade que já não existe.


 


Tal como Alçada Baptista sugeriu em 1997, porque não mudar o hino?


 


Mesmo tendo sido quase trucidada quando coloquei esta hipótese, mesmo fazendo parte de uma minoria oprimida e marginalizada (cá em casa, pelo menos), vou lançar este tema fracturante, ao mesmo tempo estimulante, pois podemos emprestar a nossa arte ao patriotismo e às frases heróicas, desfiando alguns blogues a proporem um novo hino e, se quiserem, outra bandeira.


 


Quem quiser ser original, quem quiser aproveitar poemas doutros bardos, está à vontade. Quem não quiser prescindir d’ A Portuguesa e desta bandeira, pois que vocifere e exponha as suas razões (de uma forma pouco bélica, porque aqui não há canhões).


 


Eu posso começar:


 


A Fala


 


Sou de uma Europa de periferia

na minha língua há o estilo manuelino

cada verso é uma outra geografia

aqui vai-se a Camões e é um destino.


 


Velas veleiro vento. E o que se ouvia

era sempre na fala o mar e o signo.

Gramática de sal e maresia

na minha língua há um marulhar contínuo.


 


Há nela o som do sul o tom da viagem.


O azul. O fogo de Santelmo e a tromba

de água. E também sol. E também sombra.


 


Verás na minha língua a outra margem.

Os símbolos os ritmos os sinais.

E Europa que não mais Mestre não mais.

 


(poema de Manuel Alegre)


 

Notícias da gripe

 


A gripe A, causada pelo vírus H1N1, continua a espalhar-se. No entanto, a mortalidade associada aos casos reduziu-se (quanto maior o número de casos, mais fidedigna a estatística) - 27.737 casos, 141 mortais, o que corresponde a 0,5% de mortalidade.


 


Vale a pena estarmos atentos às notícias. O problema pode tornar-se mais sério na altura em que se iniciar o Inverno. Com vários tipos de vírus espalhados pelo mundo, como se misturarão? Sofrerão mutações? Qual o comportamento biológico e a resposta imunitária dos hospedeiros?


 


Vigilantes e informados, é assim que todos deveremos estar. Entretanto fazem-se pesquisas quanto a vacinas e a anti-virais.


 



 

Adamastores

 



(escultura de Júlio Vaz: Adamastor)


 


O que é Portugal hoje? Quem são os portugueses? De que comunidades falamos? Quem são os que se revêem na obra de Camões?


 


É estranho este emaranhado de gentes, que se virou para fora, permanecendo virada para dentro, que deu novos mundos ao mundo, quando desconhece e despreza o seu mundo, que se mistura, se solidariza, se dá, e simultaneamente se entrega e cultiva os sentimentos de isolamento e solidão.


 


Este é o dia em que nos deveríamos repensar colectivamente, como um povo migrante, que assume e absorve o que é novo, que não se basta, que sonha, mas que vive de costas voltadas com a sua própria incapacidade e inaptidão para mudar, para vencer os inúmeros velhos do Restelo que nos habitam.


 


Este é o dia de grandes discursos e eloquentes palavras, de alheamentos estivais e lamentos perpétuos.


 


Portugal tem os seus dias de triunfo e de desastre, neste dia de evocação do que de melhor temos e de expiação do que de pior somos. Somos um povo livre que procura, como sempre, enfrentar os seus Adamastores.


 


Adenda: ler o excelente discurso de António Barreto.

 

Rescaldo

 


Tenho lido e ouvido inúmeras reacções, considerações e confabulações sobre os resultados eleitorais. Há quem rejubile e sonhe com o regresso do PSD/CDS ao poder, há quem rejubile e sonhe com as ruas cheias de manifestantes exigindo aquilo que lhes foi negado até agora, há quem preveja o mais negro futuro e a mais instável instabilidade.


 


De facto, muita coisa mudou com as eleições, mas sempre muda. Podemos estar mais ou menos aleta, mas sempre que os eleitores se exprimem os representantes devem observar e pensar.


 


A abstenção foi grande mas, tal como já li, quem se absteve foi porque não quis votar. Sendo assim o seu não voto não conta.


 


Os votos em branco e nulos foram imensos. Parece-me significativo. Tal como a dona do café das minhas manhãs de fim-de-semana, que me disse que não fazia ideia em quem votar, terá havido muitíssimas pessoas que não se revêem nas propostas ou nas políticas seguidas pelos partidos concorrentes. Ou que não gostam de nenhum deles, por razões diversas e muitas vezes antagónicas.


 


O PSD ganhou estas eleições. Perfilam-se já no horizonte, todos os que se arredaram de Manuela Ferreira Leite à espera da derrota. E vão-se mostrando os regressados da direita, como Bagão Félix e Santana Lopes. Paulo Rangel vai mostrando de que é feito, basta ver as afirmações dele em relação à lei do financiamento dos partidos, vetada por Cavaco Silva.


 


O CDS vislumbra uma perspectiva de regressar ao poder. Portas soma, segue e continua.


 


O BE ganhou 3 deputados, uma enormidade de votos e uma hipótese de viabilizar um governo de esquerda nas próximas legislativas. Mas para tanto terá que reciclar o populismo e a demagogia que nos encheu os écrans na noite das eleições. Também o BE precisa de uma substituição de rostos – deixar cair Luís Fazenda e Francisco Louçã, por exemplo. O primeiro reafirmou de novo que o BE não se dispunha a coligar-se com o PS, enquanto houve sinais de abertura a essa possibilidade por parte de Fernando Rosas.


 


O PS perdeu pesadamente. Sócrates disse o que tinha que dizer. Ou o governo tem um cunho reformista e está convencido das suas razões, o que me leva a admitir que terá que mudar na forma e não no conteúdo, ou passará a guinar para o lado donde lhe parece que virão mais votos e isso só lhe tirará credibilidade e será contraproducente. E que tal se Sócrates olhasse em volta e substituísse alguns dos seus fantásticos apoiantes por outros menos fantásticos mas mais sérios? E nada de começar a falar nas esquerdas plurais e nos companheiros e companheiras. Isso soa a oco e é oco.




O acordo assinado entre os sindicatos médicos e o ministério da saúde, em que se deixou cair a necessidade de trabalho a tempo inteiro e dedicação exclusiva aos hospitais públicos, mantendo o status quo, será um exemplo das meias tintas de que fala o Saúde SA? As mais do que previsíveis manifestações de professores farão recuar o governo? Será este o caminho do PS até às eleições?


 


Duma coisa estou certa. Vai haver grande animação. É, pelo menos, uma oportunidade de se discutir política e alternativas. Espero que o governo e o PS tenham cabeça fria e visão das necessidades do país. As falinhas mansas não me parecem boas conselheiras.

 

07 junho 2009

No resto da Europa

 


Parece que os líderes de direita se aguentaram - Sarkozy e Merkel. Rajoy, Manuela Ferreira Leite e os conservadores ingleses ganharam. A Europa vira à direita em tempos de profunda crise financeira e social.


 


Dá que pensar.


 

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...