29 maio 2009

Indignidades

 


Dignidade -  (...) Procedimento que atrai o respeito dos outros (dicionário priberam).


 


Que respeito pode atrair alguém que está à frente de um organismo público, cuja responsabilidade é escrutinar, regular e evitar que haja negócios pouco transparentes, fuga de capitais, buracos financeiros, brincadeira com o dinheiro dos contribuintes, e que se mantém nesse cargo mesmo depois de se mostrar à exaustão que nada disto foi conseguido? Que respeito se pode ter pelo organismo público, pelo cargo, pela própria pessoa?


 


Que respeito pode atrair alguém que está à frente de um organismo que tem por missão promover a cooperação entre estados para o combate ao crime se essa pessoa é suspeita de pressionar colegas num caso que poderá envolver directamente as suas funções? Que respeito se pode ter pelo organismo público, pelo cargo, pela própria pessoa?


 


Que respeito pode atrair um candidato a deputado europeu que escolhe vergonhosamente a calúnia aos militantes do PSD, figuras gradas, apelidando-os de ladrões enquanto decorre um inquérito político e um investigação judicial, em que se pede seriedade e decoro? Que respeito se pode ter pelo candidato ou pelo próprio partido que o representa?


 


Que respeito podem atrair as declarações de um representante do mesmo partido ao defender tamanha alarvidade, destratando alguém que tenta repor algum civismo? Que respeito se pode ter por esta pessoa?

 


Que respeito pode atrair um conjunto de deputados eleitos para legislarem e fiscalizarem o governo, se não são capazes de eleger como Provedor de Justiça, um indivíduo com a estatura de Jorge Miranda, apenas porque o PSD recusou que tivesse sido o PS a indicar o seu nome? Que respeito se pode ter pelo organismo público, pela função, pelos próprios deputados?


 

27 maio 2009

Da dignidade

 


Impossível não nomear o assunto do dia, que já o deveria ter sido há bastante mais dias: a demissão de Dias Loureiro do Conselho de Estado.


 


Nã está em causa a culpabilidade ou a inocência de Dias Loureiro, na embrulhada do BPN, nem está em causa o facto de um país inteiro ter estado a ouvir o manancial de acusações a várias pessoas que Oliveira e Costa fez, nem a credibilidade do próprio Oliveira e Costa.


 


É uma questão de dignidade individual e de dignidade da função exercida, tal como acontece com Vítor Constâncio, tal como acontece com Lopes da Mota.


 


Honra seja feita a esta comissão de inquérito parlamentar, que está a fazer o trabalho da justiça. Alguém que o faça.


 

25 maio 2009

Primeiro round

 


A campanha para as eleições europeias começou, ou seja continuou, sob o signo das legislativas.


 


Nada que tenha a ver com a Europa, política europeia, tratado de Lisboa, Parlamento Europeu, federação de Estados, Turquia, etc., tem sido totalmente eclipsado pelo ataque à política do governo PS, a crise, cartazes horrorosos, demagogia e populismo quanto baste.


 


Se quisesse votar de acordo com as minhas opções em relação à Europa, nunca poderia votar no PS e no PSD, pois ambos defendem as mesmas coisas (pelo que adivinhamos e vemos na prática).


 


Mas ninguém está minimamente interessado nas eleições europeias. O resultado das eleições de Junho será interpretado como o primeiro round e uma sondagem à boca das urnas para as legislativas.


 


Sendo assim, um mau resultado para o PS (que o merecia em matérias europeias) será um péssimo começo para as legislativas, dando uma oportunidade ao PSD de criar uma onda de vitória que lhe escapa. Portanto, só me resta desinteressar-me das europeias e responder à sondagem de Junho.

 

Procedimentos

 


Sempre me habituei a ler as crónicas de António Barreto com muito interesse e respeito, por longos anos de opiniões descomprometidas e, quanto a mim, certeiras e honestas, como setas em alvos, e muitas vezes incómodas.


 


De há algum tempo para cá tem assumido um estilo semelhante a Medina Carreira, ou seja está tudo mal, tudo horrível, nada tem conserto.


 


Particularmente a última crónica que publicou no Público deixou-me tão desconfortável, tão espantada pelo arrazoado de opiniões desconexas, desfasadas e ultrapassadas, numa tal cegueira e em contradição com o que já defendera, que nem sei o que pensar.


 


Os manuais de procedimentos têm vantagens e desvantagens, que podem ser transformadas em ridículo sempre que se queira. Mas são feitos para que haja uniformidade nos procedimentos, para que as normas sejam idênticas e cumpridas da mesma forma por toda a gente. É um dos objectivos de quem está perante uma prova, ter as informações o mais detalhadas possível, todos perante as mesmas circunstâncias. Em qualquer laboratório são essas normas e esses manuais que garantem que todos procedam seguindo os mesmos rigorosos critérios, permitindo resultados fiáveis e reprodutíveis.


 


Quanto à forma como António Barreto se refere aos professores e à sua cruz diária, à dificuldade do ano e ao autoritarismo da Ministra, foi a melhor maneira de deitar para o lixo qualquer hipótese de reforma que contrarie o poder instalado na escola pública, fantástica que estava e tem estado nestes últimos 30 anos, em rigor, exigência, disciplina, etc.


 


A crónica de António Barreto demonstra, mais uma vez, que alguém que se queira importar e lutar para mudar qualquer coisa., tem a total incompreensão de todos, mesmo de quem sempre defendeu precisamente o caminho de maior exigência e melhor trabalho nas escolas.


 


Foram feitos erros, sem dúvida, mas assistimos, nesta legislatura, a uma honesta tentativa de exigir mais e melhor da escola, talvez a única desde o 25 de Abril.

 

24 maio 2009

Papéis

 



(pintura de Aili Schmeltz: radar)


 


Não sei se começamos com papéis

ou acabamos nos papéis

pela força das palavras

dos riscos dos nomes que abraçamos.

Não sei se foram folhas de papel

ou o papel que representamos

o que fomos ou que somos

uns dos outros perdidamente

demoradamente suspensos de uma voz

de um aperto de ânsia

quando nos vemos.


 


Não sei se a estrada o ar

a terrível desumanidade do tempo

nos dá tempo para encontrar

os papéis que colamos às mãos

e que usamos para nos renovar.

 

23 maio 2009

(In)Segurança policial

 


Assistimos a um julgamento por violência policial, embora tenhamos, mais uma vez, ficado defraudados com o tipo de penas aplicadas – suspensa, sempre suspensa. Todas as violências são horríveis, mas esta é particularmente arrepiante, porque as forças policiais deveriam proteger os cidadãos, não ameaçá-los.


 


Leonor Cipriano foi espancada na cadeia, em interrogatórios, sabendo nós que não foi seguramente a primeira nem será a última. Claro que as Leonores Ciprianos não têm advogados nem autoridades internacionais para zelarem pelos seus interesses, como aconteceu com os pais da desaparecida Madeleine McCann, que foram julgados e trucidados na praça pública, como agora é hábito fazer-se.


 


Como sempre é quem menos meios tem que fica mais vulnerável. Espero que este seja o primeiro de muitos julgamentos que condenem a violência e a impunidade praticadas nas esquadras.


 

Alice

 



 


Tom Waits & Kathleen Brennan


 


 


It's dreamy weather we're on

You waved your crooked wand

Along an icy pond with a frozen moon

A murder of silhouette crows I saw

And the tears on my face

And the skates on the pond

They spell Alice


 


I disappear in your name

But you must wait for me

Somewhere across the sea

There's a wreck of a ship

Your hair is like meadow grass on the tide

And the raindrops on my window

And the ice in my drink

Baby all I can think of is Alice


 


Arithmetic arithmetock

Turn the hands back on the clock

How does the ocean rock the boat?

How did the razor find my throat?

The only strings that hold me here

Are tangled up around the pier


 


And so a secret kiss

Brings madness with the bliss

And I will think of this

When I'm dead in my grave

Set me adrift and I'm lost over there

And I must be insane

To go skating on your name

And by tracing it twice

I fell through the ice

Of Alice


 


And so a secret kiss

Brings madness with the bliss

And I will think of this

When I'm dead in my grave

Set me adrift and I'm lost over there

And I must be insane

To go skating on your name

And by tracing it twice

I fell through the ice

Of Alice

There's only Alice

 

Mudanças

  Las manos Eduardo Kingman Aos poucos vou mudando a casa, vou adaptando o espaço à minha pessoa. Reduzir coisas e coisas e coisas. Clarear,...