23 maio 2009

Jornalismo? (2)

 


O caso das declarações de Lopes da Mota, que na semana passada teria admitido que tinha invocado o nome do Ministro da Justiça e do Primeiro-ministro, na conversa com os seus colegas magistrados, seguindo-se, na semana seguinte, de declarações de Lopes da Mota a desmentir categoricamente tais invocações e tal reconhecimento, baralha e aumenta a sensação de quem lê de que está a ser manipulado.


 


O Freeport já não interessa, mas continuam a sair notícias sobre os negócios da família de Sócrates. Tudo vale para desacreditar Sócrates e tentar enrolá-lo em assuntos ilegais, mesmo que já não tenham nada a ver com o original – o suposto suborno.


 

Jornalismo? (1)

 


Estive à espera de ver a totalidade da entrevista de Manuela Moura Guedes a Marinho e Pinto para perceber o porquê das acusações de Marinho e Pinto.


 


Independente do estilo, Marinho e Pinto mostrou de novo a sua fibra. Neste momento poucos se atrevem a denunciar o mau jornalismo, porque é muito desagradável ser difamado e julgado na praça pública, por pessoas que se assumem como arautos da verdade quando servem agendas políticas. É o caso de Manuela Moura Guedes e da cruzada contra Sócrates. Marinho e Pinto destapou muitas panelas e a pressão está a sair por todo o lado. Claro que Marinho e Pinto é um urbano-rústico e, portanto, para os bacanos, indigno de ser Bastonário da Ordem dos Advogados.


 


Este é o vídeo da entrevista total (via Troca o Passo). É verdadeiramente extraordinária.


 


(post actualizado)

20 maio 2009

Os fins e os meios

 


Não consigo vislumbrar nenhuma razão, nenhuma justificação, nenhuma forma de considerar algum atenuante para o que se ouve na tal famosa gravação que duas alunas fizeram de uma aula, numa escola do ensino básico, em Espinho, a não ser a insanidade mental da Professora.


 


Por outro lado incomoda-me muito que o método usado seja um meio ilícito. Não podemos ignorar que é proibido, para além de pouco ético, a utilização de gravações sem autorização de quem está a ser gravado. Os fins não podem justificar os meios e é um perigo que comecemos a funcionar assim.


 


Mas pelo que se percebe pela história contada pelos media já teria havido tentativas de denúncias de irregularidades que não foram atendidas.


 


E aí, eu gostava de saber onde está o verdadeiro trabalho jornalístico. Há quantos anos trabalha esta professora? Em que escalão está? Que tipo de avaliações foram feitas ao seu trabalho e qual o seu resultado? O que fizeram os seus colegas, comissões pedagógicas, conselhos directivos e comissões de pais? Onde está o garante do bom funcionamento da escola pública, defendida à exaustão pelos representantes dos professores? Como é possível haver uma professora destas a ensinar?


 


De facto, mesmo achando um perigo a violação das liberdades para a denúncia de determinadas situações, que outras diligências foram feitas e como foram encaminhadas? Será que foi esta a única hipótese que aquelas alunas tiveram de ser ouvidas?


 


Gostaria muito de ver algum jornal ou rádio tentar responder a estas perguntas, em vez de repetirem ad nauseum a gravação. Mas no fundo, é mesmo só isso que interessa.


 


Também há outra coisa que faz pensar. No caso em que uns alunos gravaram uma batalha campal com uma professora por causa de um telemóvel notou-se uma grande vontade por parte de alguns sectores políticos, em defender os alunos e em considerar a professora inapta. Desta vez parece estar a acontecer o contrário, focalizando-se o assunto na ilegalidade da gravação e no facto de alguns alunos a considerarem uma professora bestial . Curioso.


 


Melhor ainda é o aproveitamento deste episódio para ligar a legislação sobre educação sexual e a distribuição de preservativos. Já não bastava termos as confissões religiosas do costume a tentarem impor a sua ideia do que é a escola pública.


 

16 maio 2009

Ciência e mistificação

 



 


Sempre que se anuncia uma pandemia ou a possibilidade de disseminação de uma doença infecciosa com mortalidade preocupante, perante o desconhecido há inúmeras teorias da conspiração.


 


Não é que elas não sejam interessantes e que não sejam excelentes guiões para filmes, excelentes ideias para livros de ficção científica, policiais e de espionagem.O facto das empresas envolvidas na investigação e comercialização de antivirais ganharem com as pandemias de gripe, não as transforma obrigatoriamente em grupos de malfeitores a soldo do capital, modificando geneticamente vírus assassinos, intencionalmente ou por negligência.


 


Já me chegaram por e-mail várias notícias sobre uns trabalhos interessantíssimos sobre a associação entre a doença de Alzheimer, a esclerose múltipla e o uso de adoçantes artificiais, divulgados pela Dra. Mancy Marckle. Claro que fui ao PUBMED pesquisar estes artigos mas não encontrei nada, mas mesmo nada, sobre este assunto.


 


Em relação ao vírus H1N1 também me enviaram um vídeo do Dr. Leonard Horowitz que defende que este vírus é o resultado de uma fabricação laboratorial, uma mistura entre os vírus da gripe comum, da gripe suína e da gripe aviaria, para aumentar os lucros das empresas que vendem vacinas e antivirais.


 


O Dr. Leonard Horowitz também defendeu que o vírus Ébola e o HIV teriam sido fabricados pelo governo dos EUA na preparação da guerra biológica e de genocídios. Nada ficou provado e a credibilidade deste Dentista não abunda. Mais uma vez não há registo de artigos científicos (PUBMED).


 


Finalmente um investigador australiano, Adrian Gibbs, fez um relatório em que levanta a suspeita de este vírus ter sido criado acidentalmente, em experiências para desenvolver vacinas. É suficientemente credível para desencadear uma resposta da OMS, que já afirmou não haver indícios nem provas de que isso pudesse ter acontecido.


 


Bem sei que queremos explicações para tudo, sobretudo aquelas que afastam a hipótese de haver coisas que o Homem não controla. Mas convém ser cauteloso e aceitar que os vírus, as bactérias, o magma, as placas tectónicas, os tornados, os terramotos, não são controláveis por nós.

 

Com dedicatória

 



(autor desconhecido)


 


Não temos o hábito de nos voltarmos

nos anos paralelos que vivemos

não temos o hábito de fotografarmos

gestos do amor silêncios amargos

não temos o hábito de nos trocarmos

em objectos mais ou menos habituais.


 


Habitualmente sou eu e és tu

mas temos o hábito de sermos nós.


 

É você

 


Já há 22 anos.


 



(Tribalistas)


 


É você

Só você

Que na vida vai comigo agora

Nós dois na floresta e no salão

Nada mais

Deita no meu peito e me devora

Na vida só resta seguir

Um risco, um passo, um gesto rio afora


 


É você

Só você

Que invadiu o centro do espelho

Nós dois na biblioteca e no saguão

Ninguém mais

Deita no meu leito e se demora

Na vida só resta seguir

Um risco, um passo, um gesto rio afora

Na vida só resta seguir

Um ritmo, um pacto e o resto rio afora


 

15 maio 2009

As 15 séries (ou mesmo 12) favoritas

As minhas séries favoritas, logo 15, que são muitas? Vamos lá a ver:



  • Clayhanger – Adorei esta série dramática, do que me lembro dela, de um rigor interpretativo totalmente britânico, um pai aterrador e castrador, uma irmã solícita, silenciosa e maternal, um rapaz de uma timidez e sensibilidade doentias, uma mulher estranha e diferente, que casa com um assassino, que reencontra o rapaz apaixonado e faz da vida dele um romance (é uma das frases do filme, deliciosamente pirosa).

  • Holocaust – Tudo o que se relaciona com o Holocausto e a 2ª guerra mundial é, para mim, de grande interesse. Esta série tinha todos os ingredientes para me prender, começando pelo excelente grupo de actores.

  • The World at War – Uma série indispensável que vi e revi. Quando resolveram oferecer-me o DVD encomendado na Amazon, sem legendas… foi publicado pelo Expresso um mês depois! Admirável e arrepiante, desde a voz de Laurence Olivier às imagens, à música, um documentário impressionante da loucura se uma parte do século XX.

  • Les enquêtes du commissaire Maigret – Mais uma série de culto, com a atmosfera do Sena e de Paris, o cachimbo e o cinzento da alma humana.

  • Allo ‘ Allo! – Listen very carefully, I shall say this only once!

  • Gabriela – A telenovela que me revelou o Brasil e Jorge Amado. Gostei também muito da telenovela seguinte, mas nenhuma foi tão memorável como esta.

  • All in the Family – Comédia de costumes intemporal. Há por aí muitas Ediths e muitos meatheads, muitos Archie Bunkers à nossa volta

  • Colditz - Semana após semana a torcer pelos prisioneiros britânicos.

  • O Tal Canal – Herman José fez uma revolução nos programas de humor portugueses. É um clássico.

  • ER – A série sobre médicos e medicina mais bem conseguida que eu conheço, muitíssimo melhor que Houses e semelhantes.

  • Silent Witness – O silêncio da morte ecoa pelos vidos. Excelentíssima série sobre os mistérios que levam a matar e a viver.

  • The Muppet Show – Uma série difícil de caracterizar, imperdível.


Afinal só me lembrei de 12!


 


E agora lanço a bola à Donagata, à MDSOL e ao A. Teixeira.

 



 

Mudanças

  Las manos Eduardo Kingman Aos poucos vou mudando a casa, vou adaptando o espaço à minha pessoa. Reduzir coisas e coisas e coisas. Clarear,...