
É de solidão que nos fala o livro de Jaume Cabré. Da solidão do heroísmo e da cobardia, da solidão do amor e do ódio, da solidão do segredo e da tortura, da solidão do medo, da solidão das mães e dos pais, da solidão dos filhos, da solidão da vingança e da fé, da solidão dos fortes e dos fracos.
É de histórias encobertas de gente que se esconde, da verdade sepultada e do teatro dos vencedores. É de gente que desesperadamente tenta sobreviver, que desesperadamente pergunta, que em segredo desdenha e luta, que do poder faz uma prisão.
Uma professora encontra nas ruínas de uma escola primária a história das ruínas da vida de uma aldeia catalã, imediatamente após a guerra civil, contada por um professor primário que se torna um lutador pela liberdade de quem foge da Guerra Mundial, que se revolta contra o regime franquista depois de ser abandonado pela mulher, dilacerada pela sua cobardia na altura do assassinato de uma criança.
A história da busca pela verdade, pelo desmascarar da farsa que transformou esse herói secreto da resistência em falangista, beato e candidato a santo, a tentativa de desatar os silêncios de quem calou a vida inteira ódios e amores, a história de um poder assassino por vingança, a história de um amor desesperado, entrelaça-se com a vida desta professora, que procura no passado o remédio para a sua própria vida. Como o fazemos todos.