11 maio 2009

Só agora

 



(pintura de Valery Koshlyakov)


 


Só agora reparo no cansaço

atroz e desumano de perder

todos os dias vontade de abrir

as janelas do carro

de ligar as vozes que esperam

dentro da minha cabeça.


 


Só agora reparo na disforme

e descarnada memória

que todos os dias me acorda

o brilho novo das ideias

da certeza de me erguer.


 


Só agora reparo que ainda

faltam muitas perdas

muitas janelas fechadas

muitos sussurros ausentes.

E a estrada que não acaba.

 

As vozes do rio Pamano

 



 


É de solidão que nos fala o livro de Jaume Cabré. Da solidão do heroísmo e da cobardia, da solidão do amor e do ódio, da solidão do segredo e da tortura, da solidão do medo, da solidão das mães e dos pais, da solidão dos filhos, da solidão da vingança e da fé, da solidão dos fortes e dos fracos.


 


É de histórias encobertas de gente que se esconde, da verdade sepultada e do teatro dos vencedores. É de gente que desesperadamente tenta sobreviver, que desesperadamente pergunta, que em segredo desdenha e luta, que do poder faz uma prisão.


 


Uma professora encontra nas ruínas de uma escola primária a história das ruínas da vida de uma aldeia catalã, imediatamente após a guerra civil, contada por um professor primário que se torna um lutador pela liberdade de quem foge da Guerra Mundial, que se revolta contra o regime franquista depois de ser abandonado pela mulher, dilacerada pela sua cobardia na altura do assassinato de uma criança.


 


A história da busca pela verdade, pelo desmascarar da farsa que transformou esse herói secreto da resistência em falangista, beato e candidato a santo, a tentativa de desatar os silêncios de quem calou a vida inteira ódios e amores, a história de um poder assassino por vingança, a história de um amor desesperado, entrelaça-se com a vida desta professora, que procura no passado o remédio para a sua própria vida. Como o fazemos todos.

 

10 maio 2009

Bem que se quis

 



(Marisa Monte)


 


 


Bem que se quis

Depois de tudo

Ainda ser feliz

Mas já não há

Caminhos prá voltar

E o quê, que a vida fez

Da nossa vida?

O quê, que a gente

Não faz por amor?...


 


Mas tanto faz!

Já me esqueci

De te esquecer

Porque!

O teu desejo

É meu melhor prazer

E o meu destino

É querer sempre mais

A minha estrada corre

Pro seu mar...


 


Agora vem, prá perto vem

Vem depressa, vem sem fim

Dentro de mim

Que eu quero sentir

O teu corpo pesando

Sobre o meu

Vem meu amor, vem prá mim

Me abraça devagar

Me beija e me faz esquecer...


 


Bem que se quis

Depois de tudo

Ainda ser feliz

Mas já não há

Caminhos prá voltar

E o quê, que a vida fez

Da nossa vida?

O quê, que a gente

Não faz por amor?...


 


Mas tanto faz!

Já me esqueci

De te esquecer

Porque!

O teu desejo

É meu melhor prazer

E o meu destino

É querer sempre mais

A minha estrada corre

Pro seu mar...


 


Agora vem, prá perto vem

Vem depressa, vem sem fim

Dentro de mim

Que eu quero sentir

O teu corpo pesando

Sobre o meu

Vem meu amor, vem prá mim

Me abraça devagar

Me beija e me faz esquecer...


 


Bem Que Se Quis!...


 

Em Maio

 



(pintura de Sandra Merwin: raven wind)


 


 


Havia nos dias de Maio a promessa

de uma juventude eterna

as cores intensas dos mitos

a crença inabalável no amor.

Havia nos dias de Maio

o início que nunca seria fim.


 


Hoje os dias de Maio


são como dias de Setembro

amarfanhados e crepitantes

no assobio do vento.


 

Exsultate Jubilate

 



Mozart - Exsultate Jubilate

Kiri te Kanawa


 

Investigação de metástases

 



 


Metástase (do grego mudança de lugar) é uma palavra que, em linguagem médica, significa que há um foco secundário de uma determinada patologia, habitualmente referindo-se a neoplasias malignas, não contíguo ao primeiro foco, ou original.


 


No caso das neoplasias malignas, ou cancros, é necessário que as células do tumor adquiram propriedades de mobilidade e capacidade de sobrevivência, no que diz respeito à sua longevidade mas também à possibilidade de promoverem meios para a sua própria nutrição.


 


Por outro lado, e segundo trabalhos de investigação que se têm realizado já há alguns anos, também há alterações nos micro ambiente dos órgãos que acolhem essas células viajantes, possibilitando a formação de ninhos tumorais que ganham hipóteses de crescer, de sobreviver e de, eles próprio, enviarem outras células com maiores capacidades de invadirem a corrente sanguínea e de se instalarem noutros locais.


 


A capacidade de metastizar pode transformar um tumor curável numa doença incurável e rapidamente fatal. Assim há cada vez mais investimento na investigação das propriedades celulares que potenciam a capacidade de se transferirem, de mudarem de casa, assim como nas características das casas para onde elas se querem transferir, para que seja possível prevenir esses acontecimentos, ou tratar os focos metastáticos impedindo-os de crescerem e de se reproduzirem.


 


É este o caminho que o programa de investigação lançado pela Fundação Champalimaud, em parceria com três instituições norte-americanas. É um motivo de orgulho e esperança para todos, médicos, investigadores e, principalmente, doentes.


 

A doença da irresponsabilidade

 


Entretanto os candidatos do PS, que se esqueceram totalmente dos problemas europeus, do Tratado de Lisboa, da organização europeia, da adesão dos novos estados, da discussão dos federalismos, dos nacionalismos, dos proteccionismos, das imigrações, das políticas sociais europeias, enfim, da Europa, somam disparates atrás de disparates, como a que levou Elisa Ferreira a confundir o Estado com o PS, o que é gravíssimo, além de, num assomo de bairrismo portista, assumir que o seu nome na lista do PS para a Europa é apenas para fazer número.


 


Não havia necessidade!


 

Mudanças

  Las manos Eduardo Kingman Aos poucos vou mudando a casa, vou adaptando o espaço à minha pessoa. Reduzir coisas e coisas e coisas. Clarear,...