10 maio 2009

A doença da demagogia

 


Ouvi a entrevista que Manuela Ferreira Leite deu ao i. Percebo a sua defesa de governos minoritários e entendo que desdramatize a mais que provável existência de um próximo governo minoritário, não do PSD, como ela diz, mas do PS. Apesar de eu considerar que seria melhor manter a maioria absoluta ao PS, não perfilho o apocalipse anunciado se o PS não a conseguir, que é quase certo, nem concordo com a visão de crise política se não houver coligações.


 


Mas Manuela Ferreira Leite arrependeu-se depressa da sensatez e recuperou rapidamente a demagogia mais populista com as afirmações que fez ontem, em Leça de Palmeira.


 


O que é intolerável é a insinuação de falta de democracia que parece ser o lema do PSD para estas próximas eleições. É a pior forma de branquear o que é viver em ditadura.


 


De facto a população vive num país em que a justiça não funciona e coloca em perigo o estado democrático. Mas Manuela Ferreira Leite não pode esquecer-se nem passar um pano sob as suas responsabilidades e as do seu partido nestes 35 anos de ausência de reformas no sistema de justiça. Mais uma vez a demagogia populista tomou conta da campanha do PSD.

 

09 maio 2009

Hey, that's no way to say goodbye

 



Judy Collins e Leonard Cohen


 


I loved you in the morning, our kisses deep and warm,

your hair upon the pillow like a sleepy golden storm,

yes, many loved before us, I know that we are not new,

in city and in forest they smiled like me and you,

but now it's come to distances and both of us must try,

your eyes are soft with sorrow,

Hey, that's no way to say goodbye.


 


I'm not looking for another as I wander in my time,

walk me to the corner, our steps will always rhyme

you know my love goes with you as your love stays with me,

it's just the way it changes, like the shoreline and the sea,

but let's not talk of love or chains and things we can't untie,

your eyes are soft with sorrow,

Hey, that's no way to say goodbye.


 


I loved you in the morning, our kisses deep and warm,

your hair upon the pillow like a sleepy golden storm,

yes many loved before us, I know that we are not new,

in city and in forest they smiled like me and you,

but let's not talk of love or chains and things we can't untie,

your eyes are soft with sorrow,

Hey, that's no way to say goodbye.


 

07 maio 2009

Europrofile

Através do blogue Margens de erro fui ter ao site EU Profiler.


 


E assim estou eu:


 



 



 



 

As voltas que se vão dando

 


Não percebo em que é que a redução da quota de imigrantes extra-comunitários melhora a crise. Parece-me uma fuga em frente, ou mais para a direita, para calar pessoas como Francisco Van Zeller que, com mais um batalhão de jornalistas, continuam a matraquear com a tese da necessidade do bloco central.


 


Jornalismo ou campanha política?


 


No entretanto o caso da eleição do Provedor de Justiça perdeu o viço. É incompreensível e altamente preocupante a razão que Manuela Ferreira Leite e Paulo Rangel (o brilhante substituto do oráculo Pacheco Pereira que nos esclarecia sobre o sentido das palavras de Manuela Ferreira Leite) evocaram para não apoiar Jorge Miranda. Para quem não se lembra foi o facto de ter sido proposto pelo PS.


 


Estou curiosa para ver o resultado as audições aos candidatos a Provedor. Como se alguém acreditasse que o que os candidatos disseram serviu para orientar o voto de algum deputado. Estas situações, tal como a aprovação de uma lei que permite maiores doações em dinheiro vivo no financiamento de partidos políticos, em vez de impedir que isso aconteça, descredibilizam o parlamento e os deputados. Depois de tanta conversa sobre os enriquecimento ilícito e sobre a luta contra a corrupção é, no mínimo, patético. Honra seja feita a António José Seguro, que votou contra.

 

06 maio 2009

A esquerda democrática

 


As próximas eleições legislativas são de extrema importância devido às condições de grave crise global em que vivemos. Assim a estabilidade política é essencial para as previsíveis e difíceis negociações, revoltas e terramotos sociais, com as consequentes tentativas de instrumentalização, radicalização política e perigo de derivas totalitárias.


 


A maioria absoluta de um partido, nomeadamente do PS, não me parece possível nesta altura. Por isso se fala cada vez mais em alianças, coligações e blocos centrais. Já discorri sobre a minha discordância de um possível bloco central, pois considero que as soluções governativas devem ser avaliadas por si e os eleitores devem julgar os seus responsáveis, sem que a paternidade da governação se dilua.


 


Analisando as alianças à esquerda, e no plano dos princípios de valores e das ideologias democráticas, de respeito pela liberdade de expressão e pelo multipartidarismo, não é possível ao PS fazer alianças com os partidos à sua esquerda.


 


Os partidos que se agrupam no BE e o PCP defendem regimes totalitários, estando arredados de tudo o que fundamentou e fundou o 25 de Abril, pois ainda hoje não esclareceram a sua discordância da deriva ditatorial de 1975. Na verdade nunca ouvi dizer a qualquer membro do PCP, passados 35 anos da revolução 20 anos da queda do muro de Berlim, que o projecto comunista era um projecto de poder absoluto e ditatorial, onde existia polícia política, censura e partido único, tal como no regime de Salazar e Caetano. Nunca ouvi qualquer defensor das amplas liberdades democráticas conquistadas no 25 de Abril fazerem mea culpa pela tentativa de tomada do poder por um partido minoritário por métodos pouco transparentes, com o objectivo de implementar a ditadura do proletariado.


 


A existência de inúmeros combatentes do antigo regime pertencentes ao PCP, que sofreram tortura e perseguição política, não nos deve enevoar os olhos e fazer-nos esquecer que o que defendiam não era exactamente um regime democrático mas um regime simétrico ao que existia.


 


Tal como o Partido Nazi venceu as eleições democráticas na Alemanha em 1932, tendo Hitler aproveitado para instaurar o regime nazi, também o Partido Comunista da (antiga) Checoslováquia ganhou eleições democráticas em 1946, tendo-se perpetuado numa ditadura aproveitando o acesso ao poder.


 


Já passou muito tempo desde esses acontecimentos. Por isso seria de esperar que os partidos que se reclamam descendentes dessa ideologia se demarcassem das ideologias totalitárias. Mas a verdade é que o não fizeram.


 


Ou seja, tal como Mário Soares sempre assumiu, o único partido da esquerda democrática existente em Portugal é o PS. Para nos lembrar disso basta ver a forma como indivíduos afectos ao PCP reagem a críticas e opiniões diversas das suas. O que se passou com a batalha entre a FENPROF e o Ministério da Educação, com a intimidação de quem ousasse concordar com a política educativa, ao contrário das intimidações que os próprios propagandeavam, numa estratégia de inundação mediática, tal como a tentativa de lavagem cerebral e de apagamento da história, ao compararem Sócrates a Salazar e ao dizerem que a democracia está em perigo, demonstra que os métodos e as ideologias antidemocráticas do PCP e do BE são semelhantes e não se modificaram.


 


Na base dos princípios ideológicos só resta ao PS concorrer sozinho às eleições. Quem se revê na democracia e na liberdade, quem acredita nos valores de esquerda numa sociedade aberta e democrática, não tem outra alternativa senão votar PS. Tal como Alexandre O’Neill dizia Ele não merece, mas vota no PS


 


Nota: este texto foi publicado no blogue OLHAR DIREITO, acorrespondendo ao amável convite de Francisco Castelo Branco, que agradeço.




 

04 maio 2009

Canção de embalar

 



(Zeca Afonso)


 


 


Dorme meu menino a estrela d’alva

Já a procurei e não a vi

Se ela não vier de madrugada

Outra que eu souber será p’ra ti


 


ô ô ô ô ô ô ô ô ô ô ô ô (bis)


 


Outra que eu souber na noite escura

Sobre o teu sorriso de encantar

Ouvirás cantando nas alturas

Trovas e cantigas de embalar


 


ô ô ô ô ô ô ô ô ô ô ô ô (bis)


 


Trovas e cantigas muito belas

Afina a garganta meu cantor

Quando a luz se apaga nas janelas

Perde a estrela d’alva o seu fulgor


 


ô ô ô ô ô ô ô ô ô ô ô ô (bis)


 


Perde a estrela d’alva pequenina

Se outra não vier para a render

Dorme qu’inda à noite é uma menina

Deixa-a vir também adormecer




ô ô ô ô ô ô ô ô ô ô ô ô (bis)

 

A sal

 


 



(poema de Luis Maffei: Telefunken)


 


É qualquer coisa como um gosto


a sal e água sem chuva, um


lugar preciso em que se move


dentro


o papel de vida que se joga quando


as coisas teimam em fazer


algum sentido.


É qualquer coisa como o embaraço de


solstícios, inverno avesso a muitas cores e


próprio a ares que gostam de dizer


alguma coisa muito


muda


muito


ao contrário de dizer sem


dizer nada.


É qualquer coisa assim como algum


branco, como um gesto que se vai da


boca à escrita sem que nada seja


necessariamente


dito, nada necessariamente em pauta. É como


qualquer coisa de difícil faina, como se eu


pudesse


aqui


neste lugar sem chuva ou sal ou invernos,


neste lugar de fora e alguns muitos


sítios, arrancar da folha já sem fonte e sem origem


uma alfazema um relicário


ou


qualquer coisa como um gosto a ti.


 

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...