04 maio 2009

Afinal também havia outros

 


Parece que, afinal, também militantes do BE estiveram envolvidos na democrática e saudável convivência dos trabalhadores da CGTP e do PCP na manifestação do primeiro de Maio.


 


Infelizmente não me surpreende. Mas o facto de ter havido mais pessoas a serem antidemocráticas não muda em nada a intolerância dos manifestantes da CGTP e do PCP.


 

03 maio 2009

Oração da Mãe Menininha

 



 


Ai! Minha mãe

Minha mãe Menininha

Ai! Minha mãe

Menininha do Gantois


A estrela mais linda, hein

Tá no gantois

E o sol mais brilhante, hein

Tá no gantois

A beleza do mundo, hein

Tá no gantois

E a mão da doçura, hein

Tá no gantois

O consolo da gente, ai

Tá no gantois

E a Oxum mais bonita hein

Tá no gantois


Olorum quem mandou essa filha de Oxum

Tomar conta da gente e de tudo cuidar

Olorum quem mandou eô ora iê iê ô


 


(Dorival Caymmi, Gal Costa e Dori Caymmi)


 

Até amanhã

 



(pintura de Alpha Shanahan: An Afternoon with Mom)


 


Como todos os domingos

o dia começou contigo, mãe.

Partilhando o café e o jornal

à medida que passamos as folhas


preparamos a semana

e comparamos a vida.

Apoio as mãos nos teus ombros


e assim te apoias


no compasso de espera


com que te aguardo.


Até amanhã.

02 maio 2009

Oxalá te veja

 



 


Já não era sem tempo. Ao fim de 7 anos os O'queStrada gravam o disco Tasca Beat.


 


Fica Oxalá te veja como aperitivo.

01 maio 2009

É esta a democracia da CGTP e do PCP

 


É esta a noção de democracia dos trabalhadores que se revêem nos métodos e nas palavras da CGTP. É esta vergonhosa manifestação de selvajaria e intolerância que defende o PCP.


 


Vital Moreira é um cidadão com todo o direito de se manifestar e de exercer a sua actividade política como bem entender. Quem o agrediu e pontapeou demonstra que o seu regime político ideal é idêntico ao que foi derrotado a 25 de Abril.


 


Vital Moreira tem a minha compreensão e solidariedade.


 


(a partir da Câmara Corporativa).


 


Nota de actualização (1): Acabei de ler que Carlos Trindade apresentou desculpas formais da CGTP a Vital Moreira. Ainda bem.


 


Nota de actualização (2): As desculpas de Carvalho da Silva


 


Nota de actualização (3): Onde estará Francisco Louçã?


 

Primeiro de Maio

 



(pintura de Joyce Ann Burton-Sousa: waiting for work)


 


Neste primeiro de Maio, mais do que nos outros 34 que celebrámos em liberdade, olhamos com apreensão para o mundo cujas regras se vão alterando.


 


O trabalho passou a ser um luxo, uma miragem para um sem número de jovens que não vislumbram o dia em que assumirão uma vida autónoma da dos pais. Uma miragem para quem vê a empresa a que dedicou os seus anos produtivos fechar, deixando-o sem formação, sem idade e sem forças para recomeçar.Numa sociedade cada vez mais envelhecida, que mitifica e glorifica a juventude, nem uns nem outros têm direito a existir por inteiro.


 


Aquilo que nunca questionámos, a existência de estruturas sindicais que defendessem os trabalhadores, não são mais do que estruturas anquilosadas e fora de época, que defendem o emprego de quem já está instalado, abominam a meritocracia e premeiam a mediocridade, sem quaisquer soluções realistas, inovadoras e verdadeiramente representativas dos problemas e aspirações de quem necessita. Cada vez mais, descrentes da solidariedade que tanto apregoámos, nos envolvemos em individualismo e competitividade do salve-se quem puder.


 


Por outro lado, a cultura do facilitismo, da infantilização e da desresponsabilização generalizada, o apelo à vida de lazer e ao consumismo, à imagem despojada de substância e ao efémero, faz com que se esteja a olhar para o trabalho com uma tarefa sem conteúdo de serviço público à comunidade, sem sentido de pertença e de participação no todo comum, sem o cunho da realização pessoal.


 


Neste dia do trabalhador talvez devêssemos reflectir colectivamente o que significa para a sociedade e para o indivíduo ter um trabalho, como agregar os anseios e as ambições de quem ainda não ingressou no mercado de trabalho, como implementar uma cultura de mérito, competência, valorização pessoal e construção cívica, exigindo dos sindicatos e dos representantes do patronato esse mesmo comprometimento, sendo indispensável definitiva entre estas estruturas e os partidos políticos.


 

29 abril 2009

Do anticomunismo

 


Tenho seguido com estupefacção uma espécie de discussão entre dois blogues iniciada a propósito de uma avaliação de desempenho dos deputados europeus proposta por um eurodeputado italiano, publicada num site que, dois dias depois, fechou.


 


O post que desencadeou as hostilidades fez uma análise dos dados disponibilizados no dito site e concluiu que:



Após o esclarecimento do autor do post em relação ao facto de se ter levado em conta o tempo de mandato, e que o que se pretendia era uma avaliação da pessoa e não de um grupo de pessoas, Sérgio Ribeiro avança com a estratégia da vitimização, acusando A. Teixeira de ser incorrecto e de insinuar, de ser enfatuado e preconceituoso, mais adiante escrevendo O resto é ou analfabetismo, ou iliteracia, ou ignorância, ou estupidez, ou má-fé, ou um pouco de tudo.




Sérgio Ribeiro escreveu então um indignado texto remetendo-se ao post de A. Teixeira como disse coisas evidentemente erradas, e tirou conclusões "avaliadoras" eivadas de profunda má-fé e primário anti-comunismo, como acabo de concluir em definitivo., tentando explicar que a sua prestação tinha sido excelente, considerando o mandato como a soma dos mandatos dos deputados. Na caixa de comentários, para além da resposta de A. Teixeira desmontando a argumentação de Sérgio Ribeiro




Tome agora em atenção os resultados quantitativos do seu trabalho – retirados do site recomendado por si… – quando comparados com o eurodeputado Duarte Freitas (PSD) comparando-os com o seu: Perguntas: Sérgio Ribeiro – 13 Duarte Freitas – 23; Propostas de Resolução: Sérgio Ribeiro – 3 Duarte Freitas – 2; Relatórios: Sérgio Ribeiro – 1 Duarte Freitas – 7; Pareceres: Sérgio Ribeiro – 0 Duarte Freitas – 2; Intervenções: Sérgio Ribeiro – 26 Duarte Freitas – 139: A Conclusão aparente: Duarte Freitas tem uma prestação quantitativamente muito superior à de Sérgio Ribeiro, logo deverá estar muito melhor classificado… Mas a Conclusão está errada. Na realidade, na classificação do Parlorama que tanto se tem afadigado a contestar, Duarte Freitas encontra-se em 781º lugar, 63 lugares depois de si, o que prova que, ao contrário das suas justificações, o factor tempo foi levado em conta para aquela classificação que tanto o embaraça, a si e ao seu partido.(...),

 


encontram-se reacções de camaradas seus que, desde lombriga a enviar o A. Teixeira para o México, valeu de tudo.




Este episódio caricato é bem um exemplo da discussão típica de um determinado grupo de pessoas, treinadas a responder primeiro com ataques agressivos, denegrindo o carácter, a atitude e a boa-fé de quem discorda, assumindo uma pose de superioridade moral, depois atirando com dados que pretendem desviar o oponente do cerne da questão, demonstrando o seu superior conhecimento e capacidade intelectual. Neste grupo estão os comunistas e aqueles que já o foram, durante muito ou pouco tempo, simpatizantes ou filiados. Assim discutem Sérgio Ribeiro, Vital Moreira, Pacheco Pereira e Francisco Louçã, para citar alguns.


 


A vanguarda esclarecida guarda as pérolas da verdade e da iluminação mental, com um desprezo absoluto por todos os que põem em causa a sua dedicação à causa, seja ela qual for. Não há responsabilidade individual pois esta dilui-se na colectiva. Assim falava Mário Nogueira a propósito da avaliação dos professores.


 


Um eurodeputado deve prestar contas pelo seu desempenho, deve ser avaliado e essa avaliação deverá ser escrutinada pelos eleitores. Aceito perfeitamente que haja outros parâmetros que não foram considerados e que são tão ou mais importantes que aqueles. Mas, mais uma vez, o melhor sistema é aquele que não existe.


 


Sérgio Ribeiro e os controleiros de serviço, com a barragem de comentários a desqualificar o atrevido A. Teixeira, só mostraram o quanto é necessário encontrar urgentemente um sistema de avaliação dos eurodeputados.


 


E não, não sou anticomunista, nem primária nem secundária. Mas se calhar devia ser, pois também sou antifascista. Se calhar sou mesmo preconceituosa ao aceitar que há posturas antidemocráticas melhores, as de esquerda, e posturas antidemocráticas piores, as de direita.



 Nota: sublinhados meus.


 

Mudanças

  Las manos Eduardo Kingman Aos poucos vou mudando a casa, vou adaptando o espaço à minha pessoa. Reduzir coisas e coisas e coisas. Clarear,...