30 março 2009

As pressões

 


De há uns tempos para cá, mas com maior abundância desde a exibição do famoso vídeo pela TVI, jornais, comentadores e o representante do sindicato dos magistrados do MP dizem que há pressões sobre os investigadores, que há forças poderosas a calarem a exercerem influências, que há interesses a querem arquivar o processo Freeport.


 


Nunca se concretiza de quem são essas pressões e quem são as forças ou os interesses poderosos, deixando no ar que é o governo, José Sócrates, figuras da administração central ou do partido do poder.


 


Há, no entanto, algumas pressões que existem e elas têm nomes. Basta ver este texto de Mário Crespo para perceber que ele já decidiu que José Sócrates é culpado, já determinou que deveria ter sido constituído arguido, ficando todos nós pasmados com a clarividência, os conhecimentos que tem da investigação a correr, o à-vontade que demonstra nos meandros da justiça. A pressão mediática para que se conclua que Sócrates é culpado é insuportável, todos os dias se falando do processo, fazendo com que o caso arda em fogo lento, fazendo crer que são os jornais e as televisões que estão a zelar pela verdade.


 


Portanto, se o processo for arquivado já está decidido porque foi: os corruptos do governo e do PS, orquestrados por Sócrates, em conluio com o Procurador Geral da República e a directora do DCIAP,  Cândida Almeida, com medo que os assassinem ou os deportem para a Madeira, cedem com ignomínia a este novo ditador, que nem sequer tem a genialidade de Salazar, esse sim, um grande líder.


 


Sobram-nos ainda os heróicos lutadores, Manuela Moura Guedes, Mário Crespo e José Manuel Fernandes, para defenderem a liberdade e a justiça, neste país cheio de medo.


 


Na minha santa ingenuidade (cega e abjecta lealdade ao ditador) penso que a quem menos interessa que se arquive o processo é mesmo a José Sócrates, pois enquanto não se provar a sua culpa ou a sua inocência, nunca se livrará desta sombra.

 

29 março 2009

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Mas com este bando – eu repito, com este bando, levantem-me um processo – com este bando que tomou conta do governo de Portugal não se pensou no interesse do Estado, na unidade e coesão nacional. Pegou-se no Estado e fez-se dele um instrumento do PS para afogar o povo madeirense.


 


[José Sócrates] não pode andar nas bocas do mundo, como andou todo este mandato. Se isto fosse em Inglaterra, por exemplo, o partido maioritário continuava no poder, mas tinha já substituído o primeiro-ministro. (...) Eu não falo do Freeport porque é um caso de justiça.


 



 

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Se as eleições fossem cá em cima, nem era preciso fazê-las. Eu ganhava com 80% dos votos. Esta gente votava 10 vezes em mim. É uma dimensão engraçada, porque em Lisboa não se tem esta leitura.


 

Ventania

 



Quarteto de cordas Emerson


Shostakovich


Quarteto de cordas nº3, III


 

As excrescências partidárias

 



 


Não sei se é a própria Manuela Ferreira Leite, se os seus assessores de campanha e estratégia política, mas da boca da líder do PSD têm-se ouvido as frases mais reaccionárias, de cunho ditatorial e de desrespeito pela democracia representativa multipartidária que tenho memória.


 


A acusação de Manuela Ferreira Leite ao Primeiro-Ministro de confundir as prioridades do país ao colocar como organizador das campanhas eleitorais o Ministro Vieira da Silva, é dos piores exemplos de populismo demagógico antidemocrático, por muito que Manuela Ferreira Leite a tente travestir de amor e dedicação ao país.


 


A existência de partidos políticos, debates, lutas políticas e eleições são a base do nosso sistema democrático. Alguém acredita que haverá menor desemprego pelo facto do Ministro do Trabalho não organizar as campanhas eleitorais do PS?


 


Ao contrário de Manuela Ferreira Leite eu penso que as eleições, nomeadamente as legislativas, são sempre importantes e, nestes momentos conturbados, cruciais para a definição política e governativa do país nos próximos quatro anos.


 


A postura de desprezo pelo debate democrático, pelos partidos políticos como excrescências mal cheirosas da democracia (em que se assemelha à de Cavaco Silva), é um péssimo contributo para a dignificação de um estado democrático.


 

Irresponsabilidade papal

 


Este editorial do The Lancet, ao qual tive acesso através do blogue A Natureza do Mal, demonstra bem a enormidade e a irresponsabilidade do Papa Bento XVI:






(...) The Catholic Church's ethical opposition to birth control and support of marital fidelity and abstinence in HIV prevention is well known. But, by saying that condoms exacerbate the problem of HIV/AIDS, the Pope has publicly distorted scientific evidence to promote Catholic doctrine on this issue. (...)



(...) UNAIDS, the UN Population Fund, and WHO released an updated position statement on HIV prevention and condoms, which said that “the male latex condom is the single, most efficient, available technology to reduce the sexual transmission of HIV”. (...)



(...) When any influential person, be it a religious or political leader, makes a false scientific statement that could be devastating to the health of millions of people, they should retract or correct the public record. Anything less from Pope Benedict would be an immense disservice to the public and health advocates, including many thousands of Catholics, who work tirelessly to try and prevent the spread of HIV/AIDS worldwide.




 


Tal como já escrevi num post anterior, não há fé que justifique uma mentira nem ignorância que se desculpe ao Papa sobre esta matéria.

 

Sistema de Justiça

 


Deve ser da ventania que faz voar a roupa das cordas, que faz abanar as janelas e bater as portas com violência. Sinto o dia desconfortável, cinzento e enervante, em que a impotência e a revolta se misturam.


 


Estamos todos entretidos com os casos mediáticos, com os media, divertimo-nos a comentar a liberdade de expressão, o mau jornalismo, a vigarice dos políticos, as eventuais pressões sobre magistrados, os investimentos públicos cujos pareceres técnicos vão mudando ao sabor de quem está, respectivamente, no governo ou na oposição, as compras de árbitros, as manipulações das estatísticas, etc.


 


Mas a verdade que me assusta é a percepção cada vez mais real da total ausência de um estado de direito. Os tribunais, os advogados, a polícia, os investigadores, parecem ser uma amálgama de gente sem definição nem valores, pertencentes a instituições decorativas e manietadas por todos, desde jornalistas, comentadores e governantes, a apaniguados partidários, enquanto o anónimo cidadão pede a todos os deuses existentes e inexistentes que o livre de, um dia, precisar deste sistema de justiça.

 

Mudanças

  Las manos Eduardo Kingman Aos poucos vou mudando a casa, vou adaptando o espaço à minha pessoa. Reduzir coisas e coisas e coisas. Clarear,...