19 março 2009

As próximas medidas anticrise (2)

Afinal fui precipitada. Ao contrário do que os jornais anunciavam nas capas, e pelos vistos também as televisões, a redução de 50% nos pagamentos das prestações imobiliárias vão ser apenas reduções temporárias, a negociar um pagamento posterior.


 


É sempre assim quando acredito nos títulos dos jornais. Felizmente há blogues que nos espevitam o adormecimento.


 


É o jornalismo a que temos direito. Ainda não é desta que vem o viagra e o trimgel.

18 março 2009

As próximas medidas anticrise (1)

 



 


No próximo debate parlamentar, o governo anunciará a distribuição de viagra a pedido, grátis, para além de um creme que reduz 15 quilos em 3 dias e um elixir que faz crescer cabelo à velocidade da luz.. São as mais recentes medidas anticrise.


 


Exploração da ignorância

 


Que a Igreja perfilhe os valores da fidelidade conjugal, da abstinência sexual, da procriação e a anticoncepção natural (??), pregue e evangelize as populações, é um direito que lhe assiste. Só a segue quem quer.


 


Mas que afirme que Não se resolve o problema da sida com a distribuição de preservativos. Pelo contrário, o seu uso agrava o problema. é desinformação, cujas consequências poderão ser desastrosas.


 


A prevenção é sempre melhor estratégia do que apenas a terapêutica, para qualquer doença. Para uma doença infecto-contagiosa, evitar a exposição e, quando isso não é possível, proteger quem pode estar em risco (todos podemos, é importante não esquecer isso) são as melhores alternativas.. É essa a filosofia das vacinas, da poliomielite ao HPV, da Hepatite B à tuberculose.


 


O preservativo é um método de barreira comprovadamente eficaz na redução da infecção por HIV.


 


Não se pede ao Papa nem à Igreja que neguem os seus valores ou que desistam dos seus conselhos. Mas não se pode tolerar o engano objectivo e premeditado das populações. A fé não pode ser desculpa para a exploração da ignorância alheia.


 

15 março 2009

Combate político pré-eleitoral

 


A manifestação da CGTP foi, obviamente, uma manifestação apoiada e arregimentada pelo PCP e pelo BE, reunindo todos os descontentes com a situação nacional e internacional, todos os que sofrem com o desemprego, todos a quem este governo afrontou, pelas boas e pelas más razões. Foi esta como foram todas as outras manifestações organizadas pela CGTP.


 


Não se percebe portanto o horror de Carvalho da Silva e dos dirigentes dos partidos da oposição quando se afirma claramente os objectivos políticos desta manifestação. Tal como não se compreende a vitimização e a ofensa de José Sócrates por lhe chamarem mentiroso. A linguagem política, nas manifestações, nos debates políticos e no parlamento já há muito deixou de ser civilizada. Os cartazes e as palavras de ordem das manifestações organizadas pela CGTP são mais ou menos idênticas, desde que existem, apenas os nomes dos protagonistas mudam.


 


Foi uma grande manifestação, tal como foram as organizadas pela FENPROF. É uma forma de combate político e que tem que ser ouvido e entendido como tal.


 


Quanto aos sindicatos e ao sindicalismo continuam a ser extensões de partidos políticos em vez de se renovarem e de se reformarem para responder à crise do trabalho e dos trabalhadores, verdadeira e assustadora, que aumenta os marginalizados da sociedade, a pobreza, a revolta e a instabilidade social.


 


Para que tal fosse possível os que se dizem defensores dos direitos dos trabalhadores deveriam compreender que tem que haver uma alteração profunda na cultura do trabalho em Portugal.


                             


                                                                            


Adenda: ver também o post do DER TERRORIST.


 

14 março 2009

Um centímetro e meio de espessura

 





 


Ontem vi um pouco de um programa, na RTP2, em que pessoas de vários países, idades e culturas discorriam sobre o que era, para elas, a felicidade. Há uns dias, provavelmente há uma semana, deparei-me com o mesmo programa mas em que o tema era o medo.


 


Gostaria de, pegando nas palavras de Henrique Fialho quando respondeu ao desafio que lhe fiz, olhar para os livros de poesia que não chegam às 161 páginas, pequenos, estreitos, misteriosos, simples, em que o deslumbramento começa no título, continua na textura do papel, no perfume das emoções que se desprendem quando nos apropriamos das palavras, e colher deles um poema sobre estes temas ou outros.


 


E assim poderá, se quiserem (Henrique Fialho, Luís Filipe Cristóvão, Dona Gata, Eugénia de Vasconcellos, André Couto e Cláudia Santos Silva), começar outra corrente, em que serão retiradas das pilhas periclitantes que se derramam atrás das portas, encostadas às paredes, aquelas pequenas gotas de alma que ficam connosco, mesmo quando nos esquecemos delas.


 


Para começar, talvez porque as cicatrizes nos ensinam a ultrapassar a dor e a impotência, escolho como primeiro tema o tempo:


 


Esta manhã dói-me mais do que é costume

A pele

As escarificações

As cicatrizes

Doeu-me a noite de laços e espuma

Dói-me o teu corpo deitado

O silêncio

Os gritos em feixe

Dentro de mim.


 


 


Paula Tavares


Manual para Amantes Desesperados


Editorial Caminho, 2007


 

Jacqueline du Pré (3)

 



Edward Elgar: Concerto para violoncelo - 3º movimento


Violoncelista: Jacqueline du Pré


Maestro: Daniel Barenboim


 

Alçapão

 



(pintura de Loukie Hoos: space&construction)


 


No dia em que perceber onde riscámos

caminhos diferentes

longe dos laços irredutíveis que criámos

no dia em que souber apagar a aridez dos dias

desertando dos ninhos partilhados

das utopias que sonhámos


 


nesse dia poderei calar esta luz incómoda

que me persegue nos teus olhos

nesse dia poderei fechar definitivamente

o alçapão em que escondi

a minha memória.

 

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...