Edward Elgar: Concerto para violoncelo - 3º movimento
Violoncelista: Jacqueline du Pré
Maestro: Daniel Barenboim
Faze que a tua vida seja o que te nega./ A luta é tua: fá-la./ Agora, os sonhos em farrapos, melhor é a luta que pensá-la.// Ergue com o vigor do teu pulso;/ solda-o em aço./ E da tua obra afirma:/ – Sou o que faço. [João José Cochofel]
Edward Elgar: Concerto para violoncelo - 3º movimento
Violoncelista: Jacqueline du Pré
Maestro: Daniel Barenboim
(pintura de Loukie Hoos: space&construction)
No dia em que perceber onde riscámos
caminhos diferentes
longe dos laços irredutíveis que criámos
no dia em que souber apagar a aridez dos dias
desertando dos ninhos partilhados
das utopias que sonhámos
nesse dia poderei calar esta luz incómoda
que me persegue nos teus olhos
nesse dia poderei fechar definitivamente
o alçapão em que escondi
a minha memória.
Claro que, pela boca de José Sócrates e dos seus incondicionais apoiantes, que aparecem por todos os telejornais, em presença física ou virtual, de Augusto Santos Silva a Vitalino Canas, passado por José Lello, Alberto Martins ou António Vitorino, Portugal começou a existir há 4 anos, pois o Gladiador tomou conta de nós.
Estamos bem servidos.
Em termos de demagogia, Manuela Ferreira Leite não quer deixar os seus créditos por mãos alheias. O que ouvi ontem nos noticiários foi relevante.
Tudo o que de mal se passou neste últimos 4 anos foi culpa de José Sócrates. A crise, esta, as passadas e sobretudo as futuras, são da sua exclusiva responsabilidade. As do país, da Europa e do Mundo.
Estamos bem servidos.
poema de Wislawa Szymborska
pintura de Gianni Chalambalakis
Que é preciso?
É preciso fazer um requerimento
e ao requerimento anexar o currículo.
Independentemente da duração da vida,
o currículo deve ser curto.
É obrigatória a concisão e boa selecção de factos,
transformar as paisagens em endereços,
e vagas recordações em datas fixas.
De todos os amores o conjugal é quanto basta,
e quanto aos filhos só os que nasceram.
Mais importante que quem conheces é de quem és conhecido.
Viagens só se ao estrangeiro.
A que aderiste mas sem dizeres porquê.
Distinções sem o motivo.
Escreve como se nunca tivesses falado contigo próprio
e te evitasses ao passares por ti.
Omite o silêncio dos cães, dos gatos e das aves,
cacaréus de lembrança, sonhos e amigos.
Valoriza mais o preço que o valor
e o título que o texto.
Antes o número que calça que aonde vai
esse atrás de quem tu andas.
A fotografia de orelhas descobertas.
Importa o seu formato e não o que elas ouvem.
Que ouvem elas?
O estrépito das máquinas triturando papel.
Não é falta de carácter. Isso tem Manuel Alegre que lhe sobeje. Tal como a incrível noção de que arrasta com ele, para sempre e fielmente, o tal milhão de votantes nos idos das presidenciais.
Pois também nos vai sobejando o tédio para tanta tendência a sair, para tanto ultimato político inconsequente.
Pois que venham as roturas, pois que enfrente a fera e a caçada como bom atirador, de peito aberto e alma limpa, e que finalmente o diga, com a voz de trovador que amamos, que se vai embora, que assume as suas responsabilidades encabeçando um movimento alternativo de esquerda, que se alie a Francisco Louçã, a Carvalho da Silva e a Jerónimo de Sousa para a convergência das esquerdas, para vergar este PS de direita, que oprime os trabalhadores, que mente e esconde a verdade, que está a percorrer o caminho do totalitarismo.
Se é isso que pensa, que seja coerente e assuma a vanguarda dos votos descontentes e que mostre qual é a alternativa de esquerda. Ou será que, tal como o BE, só pensa em ser oposição?
O que mais nos arrepia e assusta é que isto poderia ter acontecido a qualquer um de nós. Pai, mãe, irmão, irmã, a qualquer pessoa que ame desveladamente outra, por pequena e frágil e dependente que seja, pode estar horas sem que a nossa prioridade, atenção, reflexos e instintos estejam condicionados por ela.
O mais doloroso é imaginar a criança morta e o esfrangalhamento daquele pai, daquela mãe, daquela família estraçalhada pela culpa, pela omnipresente culpa, de que não se livrará jamais.
Las manos Eduardo Kingman Aos poucos vou mudando a casa, vou adaptando o espaço à minha pessoa. Reduzir coisas e coisas e coisas. Clarear,...