14 março 2009

Jacqueline du Pré (3)

 



Edward Elgar: Concerto para violoncelo - 3º movimento


Violoncelista: Jacqueline du Pré


Maestro: Daniel Barenboim


 

Alçapão

 



(pintura de Loukie Hoos: space&construction)


 


No dia em que perceber onde riscámos

caminhos diferentes

longe dos laços irredutíveis que criámos

no dia em que souber apagar a aridez dos dias

desertando dos ninhos partilhados

das utopias que sonhámos


 


nesse dia poderei calar esta luz incómoda

que me persegue nos teus olhos

nesse dia poderei fechar definitivamente

o alçapão em que escondi

a minha memória.

 

Em sentido contrário

 


Claro que, pela boca de José Sócrates e dos seus incondicionais apoiantes, que aparecem por todos os telejornais, em presença física ou virtual, de Augusto Santos Silva a Vitalino Canas, passado por José Lello, Alberto Martins ou António Vitorino, Portugal começou a existir há 4 anos, pois o Gladiador tomou conta de nós.


 


Estamos bem servidos.


 


 

O pai de todos os males

 


Em termos de demagogia, Manuela Ferreira Leite não quer deixar os seus créditos por mãos alheias. O que ouvi ontem nos noticiários foi relevante.


 


Tudo o que de mal se passou neste últimos 4 anos foi culpa de José Sócrates. A crise, esta, as passadas e sobretudo as futuras, são da sua exclusiva responsabilidade. As do país, da Europa e do Mundo.


 


Estamos bem servidos.


 

A preparação do currículo

 



poema de Wislawa Szymborska


pintura de Gianni Chalambalakis


 


Que é preciso?


É preciso fazer um requerimento


e ao requerimento anexar o currículo.


 


Independentemente da duração da vida,


o currículo deve ser curto.


 


É obrigatória a concisão e boa selecção de factos,


transformar as paisagens em endereços,


e vagas recordações em datas fixas.


 


De todos os amores o conjugal é quanto basta,


e quanto aos filhos só os que nasceram.


 


Mais importante que quem conheces é de quem és conhecido.


Viagens só se ao estrangeiro.


A que aderiste mas sem dizeres porquê.


Distinções sem o motivo.


 


Escreve como se nunca tivesses falado contigo próprio


e te evitasses ao passares por ti.


 


Omite o silêncio dos cães, dos gatos e das aves,


cacaréus de lembrança, sonhos e amigos.


 


Valoriza mais o preço que o valor


e o título que o texto.


Antes o número que calça que aonde vai


esse atrás de quem tu andas.


 


A fotografia de orelhas descobertas.


 


Importa o seu formato e não o que elas ouvem.


Que ouvem elas?


O estrépito das máquinas triturando papel.


 

Do carácter

Não é falta de carácter. Isso tem Manuel Alegre que lhe sobeje. Tal como a incrível noção de que arrasta com ele, para sempre e fielmente, o tal milhão de votantes nos idos das presidenciais.


 


Pois também nos vai sobejando o tédio para tanta tendência a sair, para tanto ultimato político inconsequente.


 


Pois que venham as roturas, pois que enfrente a fera e a caçada como bom atirador, de peito aberto e alma limpa, e que finalmente o diga, com a voz de trovador que amamos, que se vai embora, que assume as suas responsabilidades encabeçando um movimento alternativo de esquerda, que se alie a Francisco Louçã, a Carvalho da Silva e a Jerónimo de Sousa para a convergência das esquerdas, para vergar este PS de direita, que oprime os trabalhadores, que mente e esconde a verdade, que está a percorrer o caminho do totalitarismo.


 


Se é isso que pensa, que seja coerente e assuma a vanguarda dos votos descontentes e que mostre qual é a alternativa de esquerda. Ou será que, tal como o BE, só pensa em ser oposição?

 

Omnipresente culpa

O que mais nos arrepia e assusta é que isto poderia ter acontecido a qualquer um de nós. Pai, mãe, irmão, irmã, a qualquer pessoa que ame desveladamente outra, por pequena e frágil e dependente que seja, pode estar horas sem que a nossa prioridade, atenção, reflexos e instintos estejam condicionados por ela.


 


O mais doloroso é imaginar a criança morta e o esfrangalhamento daquele pai, daquela mãe, daquela família estraçalhada pela culpa, pela omnipresente culpa, de que não se livrará jamais.

 

Mudanças

  Las manos Eduardo Kingman Aos poucos vou mudando a casa, vou adaptando o espaço à minha pessoa. Reduzir coisas e coisas e coisas. Clarear,...