01 março 2009

Una noche de verano


(Francisco Herrero)


 


Una noche de verano

- estaba abierto el balcón

y la puerta de mi casa -

la muerte en mi casa entró.

Se fue acercando a su lecho

- ni siquiera me miró -,

con unos dedos muy finos,

algo muy tenue rompió.

Silenciosa y sin mirarme,

la muerte otra vez pasó

delante de mí. ¿Qué has echo?

La muerte no respondió.

Mi niña quedo tranquila,

Dolido mi corazón.

¡Ay, lo que la muerte ha roto

Era un hilo entre los dos!

 


(poema de Antonio Machado)


 

Encontros e despedidas

 


 



composição: Milton Nascimento & Fernando Brant


canta: Simone


 


Mande notícias do mundo de lá

Diz quem fica

Me dê um abraço venha me apertar

Tô chegando

Coisa que gosto é poder partir sem ter planos

Melhor ainda é poder voltar quando quero

Todos os dias é um vai-e-vem

A vida se repete na estação

Tem gente que chega pra ficar

Tem gente que vai pra nunca mais

Tem gente que vem e quer voltar

Tem gente que vai querer ficar

Tem gente que veio só olhar

Tem gente a sorrir e a chorar

E assim chegar e partir

São só dois lados da mesma viagem

O trem que chega

É o mesmo trem da partida

A hora do encontro é também despedida

A plataforma dessa estação

É a vida desse meu lugar

É a vida desse meu lugar

É a vida

 

Eleições europeias

 


 


O PS escolheu Vital Moreira para cabeça de lista das eleições para o Parlamento Europeu. Vital Moreira era um defensor do Tratado Constitucional Europeu, é um defensor do Tratado de Lisboa e foi também um defensor da quebra da promessa do referendo ao mesmo Tratado, justificando que não concordava com referendos a tratados internacionais e, inclusivamente, que este tratado em concreto era incompreensível.


 


Não me espanta a escolha de Sócrates mas, para mim, é uma escolha que vai reduzir a votação no PS nas eleições europeias. O que é uma pena e também faz aumentar o receio de desagregação da União Europeia (EU).


 


Porque, ao contrário do que me parece indispensável, que é o aprofundamento da união económica, o esforço para a democratização da EU com uma maior participação dos cidadãos e dos países nas decisões colectivas, reforçando os poderes do Parlamento Europeu, mantendo a equidade para todos os países, grandes ou pequenos, este tipo de atitudes, de directórios decisórios, de textos, alianças e tratados não compreensíveis para os cidadãos, como que legitimando uma vanguarda esclarecida de visionários europeus, pode conduzir a uma desconfiança e a uma resposta contrárias da parte dos comuns eleitores.


 


Tal como Maria João Rodrigues afirma, numa entrevista ao Público (pág.5), é necessário que se trave (…) o proteccionismo nacional, que seria uma catástrofe porque destruiria o mercado interno e a união monetária, só temos uma saída, que é uma resposta a nível europeu para proteger os interesses das empresas e dos cidadãos europeus (...). Em termos de actuação concreta, Maria João Rodrigues adianta (…) decidir que se vai expandir a despesa pública para estimular o crescimento da economia (…). De forma clara e colectiva (…); outra medida concreta, justificada pelas margens diferentes que os países têm para implementar os seus programas de estímulo económico, pois ao aumentarem o défice e a dívida o fazem com taxas de juro muito elevadas (…) lançar um instrumento que ainda não existe e que são os eurobonds (títulos de dívida europeus) (…).


 


Maria João Rodrigues chama ainda a atenção para o facto de ser do interesse da Alemanha optar pela solidariedade pois, se o não fizer (…) vai ficar rodeada por regiões em depressão que vão puxar a economia alemã ainda mais para baixo. (…) E mais (…) É preciso estabelecer uma regra mínima segundo a qual se um governo apoia empresas localizadas no seu país, vai ter de apoiar as suas filiais onde quer que elas se encontrem. (…).


 


Esta deveria ser uma época de respeito por tudo o que possa aumentar as tensões centrífugas na EU. A forma como o Tratado de Lisboa tem sido empurrado para ser engolido de qualquer maneira pelos estados-membros, não augura nada de bom.

 


28 fevereiro 2009

Democracia em directo

 


Ouvir Jaime Gama elogiar José Sócrates desta forma, faz-me lembrar os elogios que fez a Alberto João Jardim, anos depois de o ter comparado a Bokassa.


 


Depois, os momentos de embaraço militante dos que resolveram abrilhantar o congresso com teses sobre sexo entre animais irracionais, ou cantar em honra de Edite Estrela.

 


Assim se discutem os problemas da Nação, do desemprego às políticas sociais, dos serviços públicos ao sindicalismo.


 

Boomerang

 


A forma que certas pessoas têm de desvalorizar os partidos e os congressos partidários na luta política não é mais do que desvalorizar a democracia representativa.


 


Tal como Salazar, casado com a Pátria e pondo o seu destino acima de qualquer coisa, tal como Cavaco Silva que fala dos interesses nacionais tratando os partidos como excrescências inúteis e perigosas, Manuela Ferreira Leite brandiu a arma da ausência de Sócrates numa reunião informal da EU, onde se fará representar por um Ministro de Estado, acusando-o de preferir ir a uma festa partidária.


 


Claro que o facto de haver 3 eleições em Portugal este ano, de o PS ser o maior partido português e de os congressos partidários servirem para eleger o líder e as moções políticas que serão, mais tarde, propostas ao eleitorado, não tem importância nenhuma.


 


Se há debate político ou não no dito congresso é da responsabilidade dos militantes do próprio partido e principalmente de quem se tem mostrado crítico às orientações de José Sócrates. A esses se devem pedir a apresentação de alternativas, que critiquem, no local de eleição, tudo o que consideram errado na política seguida até agora. Por exemplo, onde está Manuel Alegre e as suas críticas às políticas de direita deste governo e deste PS?


 


A unanimidade dos seguidores do líder, o não se questionarem orientações e soluções diferentes é muito empobrecedor para o país, ainda por cima numa época em que todos os contributos são indispensáveis, aí sim por um imperativo nacional. Mas para uns, o aplauso constante e acrítico poderá assegurar-lhes um lugar nas listas, um pelouro nas autarquias, seja ele real ou fictício. Para outros é muito mais fácil falar e ter atitudes de insubmissão partidária do que assumir as diferenças e confrontá-las com as teses da situação.


 


Também são interessantes as vozes que, triunfantemente, manifestam o seu regozijo pelo tratamento político que Sócrates deu ao caso Freeport, na abertura do congresso, dizendo que foi ele e só ele que transformou esse caso num assunto político. É uma enorme falácia e uma enorme hipocrisia. Este caso de justiça foi transformado em caso político por todos os políticos e por todos os comentadores. Ou já se esqueceram que todos acentuaram e dramatizaram o epíteto de assunto de estado que lhe deu o Presidente da República?


 


Sócrates está a transformá-lo em arma de arremesso, pela vitimização constante. Eu não gosto, acho mesmo detestável, até porque a demagogia que lhe está subjacente é óbvia. Mas Sócrates está apenas a aproveitar o que a oposição começou.


 


Nota: o Tomás Vasques faz uma leitura semelhante.

 

26 fevereiro 2009

Populismo demagógico à esquerda

 


Francisco Louçã acaba de dizer na SIC notícias que não viabilizará um governo do PS e que não vê a política como um trajecto pessoal, mas como uma resposta de projectos.


 


Está a falar de homens e mulheres, da esquerda e do BE na próxima legislatura, que não negoceiam o que discordam e que vão assumir a política da esquerda grande.


 


Não consegue explicar quem vai concretizar os projectos – alguém? Será que o cargo de Primeiro-Ministro vai passar a ser um órgão colegial?


 


De facto é o vazio total do populismo asceta e iluminado. Não se percebe o que é que o BE deseja, quer, visiona ou prevê para o governo do país. Votar no BE é legitimar a irresponsabilidade da demagogia pura, por muito apelante que ela possa parecer.


 

25 fevereiro 2009

Aterragem política

 


A propósito dos voos da CIA, talvez fosse interessante saber se Luís Amado continua a admitir pedir a demissão caso se prove que Portugal estava ao corrente da existência de voos ilegais da CIA, utilizando o nosso espaço aéreo, a caminho de Guantánamo.


 

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...