14 fevereiro 2009

Passeio

 



(pintura de Elohim Sanchez: Couple)


 


Passeamos pelo lado esquerdo

fintamos os passeios atravessamos asfaltos

olhos de água coração de sementes

passeamos pela solidão de nos querermos

em tanto e tão usado tempo

escorremos pelas mãos sem medo

de nos perdermos.

Adiós nonino

 



 


Concerto para bandoneon e orquestra

Astor Piazzola & Cologne Radio Orchestra

SNS e carreiras médicas

Ana Jorge sempre exerceu a sua actividade profissional no SNS e é sua defensora acérrima. Nas suas funções de Ministra tem uma oportunidade única de promover uma verdadeira reforma das carreiras médicas, indispensável para a manutenção e melhoria da qualidade do SNS, nas suas vertentes de serviço público e de sustentabilidade do mesmo.


 


Os médicos são profissionais altamente qualificados e com enormes responsabilidades que prestam um serviço à comunidade. Enquanto servidores do estado devem pugnar porque esse serviço seja o melhor e o mais qualificado, tendo o estado o direito e o dever de defender a saúde dos seus cidadãos.


 


Não é possível esperar mais por essa reforma. As carreiras médicas estão paralisadas e desreguladas, os contratos de trabalho nos vários hospitais EPE e privados precisam de regras, nomeadamente no que diz respeito à qualificação e respectiva remuneração; é necessário que, de uma vez por todas se separem os sectores privado do público, com dedicação exclusiva, plena, o que lhe quiserem chamar, aliciando os médicos ao trabalho a tempo inteiro num determinado sector, dando-lhes condições de trabalho e remuneratórias condignas e exigindo-lhes cumprimento de horários, objectivos, etapas, formação, etc.


 


É hora de investir no sector público, de rentabilizar os blocos operatórios e as consultas, de melhorar e incentivar a formação e a abordagem multidisciplinar dos doentes, de investir na investigação clínica, de promover os rastreios, de centrar o acesso aos cuidados de saúde nos cuidados primários, nos Médicos de Família que trabalham nos Centro de Saúde e nas USFs.


 


Esperemos que o Ministério não perca esta oportunidade e que os Médicos conduzam as negociações de uma forma firme e digna. O comunicado conjunto da Ordem dos Médicos e das Associações Sindicais pode ser uma boa ou uma má notícia. Esperemos que aproveitem a unidade não para uma defesa corporativista que só descredibilizará a classe mas para uma defesa da verdadeira qualificação, certificação e dedicação ao serviço público, não abdicando das condições de trabalho e remuneratórias a que têm direito.

 


 



 

O medo

 


Em relação à detenção de Geert Wilders em solo britânico, vale a pena ler Rui Bebiano e João Tunes.


 


Vão-se somando perigosos precedentes a coberto da defesa da liberdade e da democracia.


 

Telenovela

É extraordinário como se mantém a ficção de negociação entre o ME e a FENPROF. Neste momento a linha estratégica da FENPROF é recorrer aos tribunais para que os professores não cumpram a lei.


 


Vários títulos de jornais acusaram a avaliação de desempenho de inconstitucionalidades, descobrindo-se depois que essa era a opinião de Garcia Pereira que, por muito respeitada que seja, ainda está por provar. Avança-se agora com a teoria das manobras intimidatórias aos professores, porque o ME avisa da obrigatoriedade de entrega dos objectivos individuais para se proceder ao modelo simplificado de avaliação.


 


Quanto às negociações do estatuto da carreira docente, nada é aceite: nem a existência de mais escalões, nem a proposta de prémios para os melhores desempenhos.


 


Não se percebe como é possível manter esta telenovela que tem cada vez menos audiência.

A rapariga que roubava livros

 



 


O poder das palavras, o seu âmago de linimento, carícia, a sua capacidade de fazer a ponte entra a realidade e a ficção, o caminho para a sobrevivência, a capacidade de redenção e salvação.


 


É da força das palavras que trata o livro que me acompanhou nas últimas noites de insónia. Daqueles que queremos muito ler, que nos causa sofrimento e uma deliciosa tristeza, a sensação de que no meio da banalização da dor há clareiras insuspeitas de humanidade, que sempre lá estiveram mas que se revelam a quem está disposto a aceitá-las.


 


A rapariga que roubava livros é um estranho livro, em que a Morte nos vai mostrando os pesos específicos das almas que recolhe abundantemente, em plena II Grande Guerra, num bairro pobre dos arredores de Munique.


 


A linguagem poética, de uma simplicidade abrupta e pictórica, transporta-nos para o sofrimento de alemães comuns, para o dia-a-dia de quem tem um Fhürer a quem deve heil, da juventude hitleriana, das fogueiras de livros, das mortes inevitáveis, da pobreza, da fome, da amizade, da extraordinária bondade mascarada de palavras agastadas, de almas vivas e descarnadas que apenas habitam no coração dos livros, de janelas abertas para quem rouba a sua sobrevivência nas palavras.


 


Fala-nos das caves em que os homens se abrigavam das bombas, de uma rapariga de construía a sua vida a ler e a escrever, que esconjurava os seus demónios junto ao um homem de olhos de prata e com a alma sentada, com um acordeão e apetrechos de pintor.


 


Fala-nos do poder das promessas, dos judeus moribundos, de um judeu escondido entre lençóis e latas de tinta, abraçado pelos livros que recicla e escreve, pelos fragmentos de céu que imagina, pela companhia da alma de Liesel, pela partilha dos pesadelos.


 


É um estranho e um belo livro de Markus Zusak.
 

11 fevereiro 2009

A Moeda do Tempo

 



 


Distraí-me e já tu ali não estavas


vendeste ao tempo a glória do início


e na mão recebeste a moeda fria


com que o tempo pagou a tua entrada


 


Gastão Cruz - A Moeda do Tempo


Prémio Literário Casino da Póvoa - Correntes d’Escritas 2009


 

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...