Depois de tantos comentários ao meu post anterior a defenderem Pedro da Silva Pereira na entrevista com Mário Crespo, suspeitei que me podia ter escapado alguma coisa.
Como gosto de me considerar uma criatura aberta às opiniões alheias e que não gosta de se sentir a cometer injustiças, além do preconceito que tenho contra o mesmo Mário Crespo (que fala duma forma enroladíssima, usando palavra esdrúxulas e desajustadas, que não pergunta, antes afirma, se conseguirmos compreender o que diz) e Pedro da Silva Pereira (que fala com um tom monocórdio e assume sempre um ar didáctico e de superioridade moral bastas vezes irritante), resolvi ouvir de novo a entrevista.
Realmente os comentadores têm razão. A entrevista não se destinava a esclarecer coisa nenhuma. O objectivo de Mário Crespo era (pelo menos disfarçou muito bem) entalar o Primeiro-Ministro e, na passada, abalroar Pedro da Silva Pereira.
Mário Crespo foi duro, como lhe compete, inquisidor, como lhe compete, defendendo uma posição, como não lhe compete, mostrando sem margem para a sua dúvida e a sua avalizada opinião que Sócrates recebeu luvas para autorizar o empreendimento Freeport.
De facto Pedro da Silva Pereira não lhe facilitou a vida pois desmontou uma por uma as várias teorias e certezas que têm sido veiculadas pela comunicação social. E Mário Crespo não conseguiu desmenti-lo em nada. A única vez em que o desarranjou foi quando perguntou se o ambiente daquele governo era propício à corrupção.
Embora agora compreenda o desalinho de Pedro da Silva Pereira, penso que fez mal em não ter mantido o mesmo registo (parafraseando Mário Crespo) nem a excelência dos argumentos (continuando a citar Mário Crespo). Mais uma vez o tom de ofensa soou a exagero e, por isso, contraproducente. Por muito insultuosa que fosse a pergunta ele deveria ter respondido, não se pondo de parte, como que a sentir nojo daquele assunto. A corrupção existe nas várias áreas de actividade política, económica e social e, independentemente das atoardas de Mário Crespo (agora cito Pedro da Silva Pereira), tantos tios, primos e primas parecem-me família a mais, para mal dos pecados de Sócrates. Ficaria melhor e mais genuíno que lhe respondesse que o ambiente talvez seja mais propício à corrupção no jornalismo, ou coisa semelhante.
Portanto aqui ficam as minhas desculpas públicas a Pedro da Silva Pereira, que foi claro e cilindrou Mário Crespo, com excepção daquela nota dissonante.
Mas continuo a não perceber como é que se aprovam empreendimentos deste tipo em governos de gestão. A explicação de Pedro da Silva Pereira não me satisfez. Não é ético nem sensato.
Espero ter respondido cabalmente aos comentários que muito agradeço (a excelência dos conteúdos…).
