(Antonio Vivaldi - As Quatro Estações - Inverno - "Allegro")
Faze que a tua vida seja o que te nega./ A luta é tua: fá-la./ Agora, os sonhos em farrapos, melhor é a luta que pensá-la.// Ergue com o vigor do teu pulso;/ solda-o em aço./ E da tua obra afirma:/ – Sou o que faço. [João José Cochofel]
(pintura de Elizabeth Perry)
Tudo o que deixas para trás
no liso confuso fundo da memória
tudo o que deixas para trás
velho inútil gasto tudo arrasa
o que te falta nesta bruma
névoa irregular tecido do amanhã.
Depois de me chegarem tantos prémios, resolvi criar eu própria um prémio bloguístico mas que não distinga géneros, raças, idades, colectivos ou solitários. Só interessa que goste mesmo de os ler.
Resolvi chamar-lhe Deste, gosto mesmo!
Lá vão alguns dos que gosto mesmo. Não são todos, mas podemos começar por estes quinze.
Quem quiser pode usar este prémio para distinguir outros quinze.
Isto é até muito divertido!
Adenda: já agora gostava de lançar um desafio a estes mesmos blogues: qual foi a notícia mais interessante, saída no dia em que começou o respectivo blogue (em qualquer meio de comunicação, bem entendido - jornais, televisões, revistas, blogues, etc.)?
Não é todos os dias que se recebe um prémio de ouro, principalmente de alguém do mais puro quilate. Agradeço e fico imensamente vaidosa.
É claro que esta é uma das correntes da felicidade que nunca quebro. Sendo assim, tenho que indicar seis blogues excelentes e ainda mais merecedores do título, embora tenha a vida algo dificultada pelos blogues mistos:
Segue a roda!
Mal, ou - ao menos - mais ou menos, este lugar continua-se
Ela caiu há dez dias, em casa, escorregou-se nela e bateu com a cabeça no chão e desmaiou, susto grande. Acordou no hospital e, da queda propriamente dita, nada resultou de nefasto: cabeça limpa.
Tinha era o que tinha, conhecia-a há vinte meses e, já por esse tempo, tinha o que tinha, chegou-me à minha vida numa rampa inclinada da vida dela, ladeira descida com travões a fundo mas sem ABS.
Equiparam-na de pijama bonito, na enfermaria. Ela mais amarela e mais inchada, por dentro dela e do pijama, do que há quinze dias.
"Vais-te...".
Foi-se.
Hoje morreu. Ia dizer "morreu-me", mas já não. Aprendo tarde, mas ainda aprendo.
Ela morreu, sim.
E morreu-lhes a eles, ao homem e aos três filhos, que lhe abraçaram o corpo e lhe beijaram a face como se as lágrimas do fim fossem loção que oleasse despedidas.
A mim, não. A mim não me morreu.
Limita-te, besugo, para já, a acompanhar as rampas inclinadas dos outros. Aprende: tu só acompanhas.
Até sentires que começas a descer a tua - olha, pode ser de repente, besugo, pode ser como foi com o Rui, o teu colega que foi hoje a enterrar, podes até nem dar muita fé da rampa, da ladeira, besugo lorpa.
E, quando isso te chegar a ti, que tenhas alguém que te chore em cima uma loção qualquer de adeus.
Um unguento quase líquido que comova, ao menos, quem estiver ali de bata branca - fardamento nobre da pobreza -, se calhar ser o caso, a acompanhar, calado, quem estiver, se vieres a ter essa sorte por destino, a ungir-te.
(besugo)
Ontem ouvi um pouco do Expresso da Meia-Noite a propósito da comissão parlamentar de inquérito ao BPN.
Parece-me muito óbvio ter havido falha de supervisão do Banco de Portugal, como aliás o caso do BCP já evidenciava, falha que deveria ter sido assumida por Vítor Constâncio.
Mas depois de ouvir Miguel Cadilhe e alguns deputados, até parece que foi essa a razão do estado em que se encontra o BPN, foi essa a razão dos ilícitos que lá foram feitos, que é o Governador do Banco de Portugal o culpado de tudo.
Convém não esquecer que alguém (uma ou mais pessoas) geriu mal o BPN, levando-o à situação desesperada que determinou a decisão de nacionalizar. Os criminosos não são Vítor Constâncio nem Teixeira dos Santos, como a propaganda ligada ao PSD e a tentativa de branqueamento de figuras como Dias Loureiro (associadas ao período do Cavaquismo) querem fazer crer.
É claro que o orçamento teria que ser revisto, rectificado, complementado, o que se lhe quiser chamar. Não consigo compreender a falha política da equipa governativa ao permitir que isto acontecesse. Era mais que evidente que o orçamento era irrealista, como é mais que evidente que estas previsões se poderão modificar, como muito bem assumiu, por fim, Teixeira dos Santos.
O que não é aceitável, da parte do PSD e de Manuela Ferreira Leite é reduzir os anos de governação socialista a esta crise. Se há coisa de que se não pode acusar este governo é de não ter tentado mudar as coisas, em vários sectores de urgência. Muitas vezes mal, mas outras tantas bem, pelo menos fez.
Na verdade, todo o mundo entrou em crise e Sócrates só esteve à frente do governo de Portugal. E pelo que tenho lido, as medidas que o governo anunciou e anuncia (não faz mesmo outra coisa, é uma tal hemorragia de medidas que até assusta) são idênticas às que os outros governos por essa Europa fora anunciam.
Quanto ao TGV, apesar de achar que de 2003 a 2009 passaram muitos anos e as premissas se modificaram, não consigo perceber porque é que a Europa, com a crise, continua a apostar nele. Aliás, o principal problema do país é que anda a falar de coisas durante décadas mas depois não as concretiza, gasta rios de dinheiro em estudos que dizem uma coisa e o seu contrário e não decide. Quando decide muda o governo e o que era bom passa a ser mau, congelando aquilo que era essencial e nacional no dia anterior. Manuela Ferreira Leite foi protagonista da decisão. Este tipo de investimentos não são pensados apenas para 6 anos. A sua prestação é lamentável.
Esta é que é a verdadeira crise. Assim como a crise de gente que rodeia quem está no poder e que faz com que este tipo de coisas aconteça. Não consigo deixar de falar mais uma vez no cantar das Janeiras ao Primeiro-Ministro. Vergonhoso.
Las manos Eduardo Kingman Aos poucos vou mudando a casa, vou adaptando o espaço à minha pessoa. Reduzir coisas e coisas e coisas. Clarear,...