17 janeiro 2009

O caso BPN

Ontem ouvi um pouco do Expresso da Meia-Noite a propósito da comissão parlamentar de inquérito ao BPN.


 


Parece-me muito óbvio ter havido falha de supervisão do Banco de Portugal, como aliás o caso do BCP já evidenciava, falha que deveria ter sido assumida por Vítor Constâncio.


 


Mas depois de ouvir Miguel Cadilhe e alguns deputados, até parece que foi essa a razão do estado em que se encontra o BPN, foi essa a razão dos ilícitos que lá foram feitos, que é o Governador do Banco de Portugal o culpado de tudo.


 


Convém não esquecer que alguém (uma ou mais pessoas) geriu mal o BPN, levando-o à situação desesperada que determinou a decisão de nacionalizar. Os criminosos não são Vítor Constâncio nem Teixeira dos Santos, como a propaganda ligada ao PSD e a tentativa de branqueamento de figuras como Dias Loureiro (associadas ao período do Cavaquismo) querem fazer crer.


 

Revisão orçamental

É claro que o orçamento teria que ser revisto, rectificado, complementado, o que se lhe quiser chamar. Não consigo compreender a falha política da equipa governativa ao permitir que isto acontecesse. Era mais que evidente que o orçamento era irrealista, como é mais que evidente que estas previsões se poderão modificar, como muito bem assumiu, por fim, Teixeira dos Santos.


 


O que não é aceitável, da parte do PSD e de Manuela Ferreira Leite é reduzir os anos de governação socialista a esta crise. Se há coisa de que se não pode acusar este governo é de não ter tentado mudar as coisas, em vários sectores de urgência. Muitas vezes mal, mas outras tantas bem, pelo menos fez.


 


Na verdade, todo o mundo entrou em crise e Sócrates só esteve à frente do governo de Portugal. E pelo que tenho lido, as medidas que o governo anunciou e anuncia (não faz mesmo outra coisa, é uma tal hemorragia de medidas que até assusta) são idênticas às que os outros governos por essa Europa fora anunciam.


 


Quanto ao TGV, apesar de achar que de 2003 a 2009 passaram muitos anos e as premissas se modificaram, não consigo perceber porque é que a Europa, com a crise, continua a apostar nele. Aliás, o principal problema do país é que anda a falar de coisas durante décadas mas depois não as concretiza, gasta rios de dinheiro em estudos que dizem uma coisa e o seu contrário e não decide. Quando decide muda o governo e o que era bom passa a ser mau, congelando aquilo que era essencial e nacional no dia anterior. Manuela Ferreira Leite foi protagonista da decisão. Este tipo de investimentos não são pensados apenas para 6 anos. A sua prestação é lamentável.


 


Esta é que é a verdadeira crise. Assim como a crise de gente que rodeia quem está no poder e que faz com que este tipo de coisas aconteça. Não consigo deixar de falar mais uma vez no cantar das Janeiras ao Primeiro-Ministro. Vergonhoso.


 

Caixa de Pandora

Acho muitíssimo possível e ainda mais provável que a Cristina tenha razão. Que o resultado desta batalha jurídica e destas decisões, nem sempre compreensíveis possa revelar-se devastador para a criança em causa.


 


Mas, tal como já referi neste post, e lendo o que foi saindo na imprensa, nomeadamente através do Correio da Manhã, a decisão de entrega do poder paternal ao pai biológico tem já vários anos e apenas não foi cumprida porque o casal a quem a criança foi entregue não acatou a decisão judicial, tendo-se recusado sempre a cumpri-la.


 


Podemos todos discutir a pertinência, a moral ou a falta dela do pai biológico, a moral ou a falta dela da mãe biológica, a moral ou a falta dela dos pais candidatos à adopção, discussão essa que está bastante inquinada pela avalanche de notícias enviesadas e pela conquista da opinião pública tentada pelos dois lados.


 


Mas se o facto de alguém ficar com uma criança apenas porque vive com ela há vários anos , com o natural apartecimento de laços afectivos com esse alguém, que deverão ser respeitados e observados com enorme cuidado, podemos estar a legitimar que a senhora que roubou um bebé da maternidade, criando-a com todo o amor e carinho, inclusivamente com melhor poder económico que os pais, seja autorizada legalmente a viver com a criança, para que não haja quebra de laços afectivos e para que se mantenha a sua estabilidade psicológica.


 


Será que isto não abre uma caixa de Pandora?


 

14 janeiro 2009

Muros

 



(pintura de Molly Slattery: coat of arms)


 


A corda de braços enrola o medo

reduz o espaço que resta.


 


Sempre vejo uma corda de braços

riscando o resto do medo

ocupa o espaço reduzido

dentro do muro.


 


Sempre sinto o muro.


 


 

11 janeiro 2009

I've Got My Love To Keep Me Warm

 


 



 


The snow is snowing, the wind is blowing

But I can weather the storm!

What do I care how much it may storm?

I've got my love to keep me warm.

I can't remember a worse December

Just watch those icicles form!

What do I care if icicles form?

I've got my love to keep me warm.


Off with my overcoat, off with my glove

I need no overcoat, I'm burning with love!

My heart's on fire, the flame grows higher

So I will weather the storm!

What do I care how much it may storm?

I've got my love to keep me warm.


 


(Instrumental)


 


Off with my overcoat, off with my glove

I need no overcoat, I'm burning with love!

My heart's on fire, the flame grows higher

I will weather the storm!

What do I care how much it may storm?

I've got my love, I've got my love,

I've got my love to keep me warm.


 


(compositor Irving Berlin; canta Mildred Bailey)


 

Reinos disfarçados e liberdades censuradas

 



 


Há outra coisa que já há muito tempo queria dizer: não percebo porque é que no site da Presidência da República há um separador com o nome de Maria Cavaco Silva.


 


A que propósito? Qual o papel ou a relevância de se saber das actividades de Maria Cavaco Silva na Página Oficial da Presidência da República?


 


Que eu saiba a Presidência da República é um cargo unipessoal. Elegemos uma pessoa, não um casal ou uma família. É absolutamente deplorável esta importação bacoca, deslumbrada e descabida de hábitos americanos que se estão, insidiosamente, a alastrar à Europa.


 


Outro caso disparatado, na ditadura daquilo a que se convencionou chamar  politicamente correcto, é a reprovação social e os protestos das feministas (?) pelo facto da Ministra da Justiça francesa Rachida Dati ter regressado ao trabalho poucos dias após o nascimento da filha. As mulheres e os homens têm direito a gozar as licenças de maternidade e paternidade, não são obrigados a fazê-lo.


 


Mas que liberdade, hein?


 



 

E Obama nunca mais toma posse

 


Tinha planeado escrever sobre muitos assuntos, todos já descascados e dissecados, esgrimidos e explorados por muitas pessoas.


 


Do caso Esmeralda que, segundo as notícias que foram saindo no Correio da Manhã, desde Outubro de 2004 a Janeiro de 2009, transformaram o Baltazar num triste pai que se batia galhardamente pela filha, resultante de uma relação ocasional com uma brasileira, mas que tinha assumido logo que tinha sido provado que era mesmo filha dele; que transformara um casal que recebeu uma criança à margem de todos os trâmites legais das mãos da mãe, e que se negou a acatar as ordens dos tribunais, recusando a entrega da criança ao pai e fugindo da justiça num casal de heróis que lutavam por uma criança que tinha sido abandonada pelo pai. Do caso de uma criança que foi e é o joguete dos adultos, todos com as mais nobres intenções, mas que não cumpriram a lei, que se serviram e foram tragados pelo circo mediático que se montou desde 2007, com as emoções e a manipulação da opinião pública, pelas mais nobres intenções mas que não devem, não podem, interferir com o poder judicial.


 


Da entrevista de Sócrates que lhe correu bem, apesar da atrapalhação em explicar as ajudas e as garantias ao BPP. Da inacreditável conduta de Ricardo Costa que confunde independência e rigor informativo com má educação e arrogância descabida.


 


Do debate que se tem travado sobre a clarificação do PS e de Sócrates quanto às suas intenções governativas e na dependência de ter ou não a maioria absoluta nas próximas eleições. Pois quanto a mim seria muito útil que Sócrates se demarcasse totalmente de possíveis alianças à direita, leia-se PS e CDS/PP, caso não consiga mais de 50% dos lugares na Assembleia da República.


 


Da perda de credibilidade de Manuel Alegre e da ala esquerda do PS que preferiram as contabilidades de votos a seguir, segundo os próprios, a sua consciência e as suas batalhas de esquerda, somada à perda de credibilidade da posição do BE após o artigo de Luís Fazenda.


 


Enfim, de muitos outros assuntos como o desafio de Manuela Ferreira Leite a Sócrates, a mais do que deplorável actuação de Israel ao invadir a Faixa de Gaza, robustecendo politicamente as franjas mais extremistas do Hamas, com quem deveria ter tentado negociar, do problema do fornecimento de gás monopolizado pela Rússia. E claro, da inevitável gripe e da omnipresente crise.


 


Enfim, estamos todos à espera que Obama tome posse.


 



(caricatura de John Cox)


 


 


Adenda: vale a pena ler este post do Pedro Correia.


 

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Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...