Faze que a tua vida seja o que te nega./ A luta é tua: fá-la./ Agora, os sonhos em farrapos,
melhor é a luta que pensá-la.// Ergue com o vigor do teu pulso;/ solda-o em aço./ E da tua obra afirma:/ – Sou o que faço. [João José Cochofel]
Vi um pouco das prestações de Maria de Lurdes Rodrigues na Assembleia e dos representantes das bancadas do PCP, do BE, do PSD e do CDS. Aliás vi o que passaram nos telejornais de ontem. A avaliar por esses breves momentos a discussão deve ter sido pouco elevada.
O que, posteriormente, todos os órgãos de comunicação divulgaram foi o recuo da Ministra porque admitiu substituir este sistema de avaliação no próximo ano, caso se demonstrasse no terreno que era inexequível ou se surgisse outro modelo credível de avaliação, coisa que até à data não aconteceu.
Claro que ninguém se lembrou que no memorando assinado pelos sindicatos estava prevista uma comissão de acompanhamento do modelo, que faria as modificações e os ajustamentos que fossem necessários. Também ninguém se lembrou que só alguém muito estúpido é que não coloca a hipótese de mudar aquilo que está mal, quando se demonstra que está mal.
Por outro lado a TSF deu o mote do caso do dia: Santana Lopes acha que o governo está a esticar a corda com o Presidente para provocar eleições antecipadas. A falta de assunto é tal que Santana Lopes brilha sempre que abre a boca, nem que seja para dizer um disparate sem nome.
Nota: vale apena ler também o artigo de Fernanda Câncio, no DN de hoje, e este post do Valupi, no Aspirina B.
Será que a crise foi uma estratégia bem sucedida de Sócrates para melhorar a economia portuguesa e devolver algum poder de compra aos depauperados cidadãos?
Nos últimos tempos tenho discordado quase a 100% com as posições de Manuel Alegre. Mas hoje partilho da sua indignação quanto ao processo pouco claro e de muito duvidosa inspiração socialista que levou à intervenção do Estado no BPP.
Aliás ninguém ainda conseguiu explicar exactamente a razão da premência do apoio. Todas as justificações que vão sendo dadas, uma a seguir à outra quando a primeira se demonstra ridícula, são estapafúrdias, dando a impressão de desculpas de mau pagador.
As leis do Mercado, aquela entidade sábia e abstracta que vogava e governava as economias, hoje em dia com a reputação pela lama, também se deveriam aplicar, para além das fábricas de sapatos e de têxteis, aos bancos que fazem a gestão das poupanças de alguns quantos pequenos e médios empresários (tal como Francisco Balsemão).
Além de que o risco sistémico e a vergonha nacional por essa Europa fora, resultante da falência de tão importante banco, são desconhecidos da própria Europa, a braços com falências e aflições financeiras bem mais importantes.
Pois é, bem fazia falta algum preconceito esquerdista nesta matéria. Mais espantosa ainda é a troca de papéis de alguns actores políticos. Paulo Portas também estava indignado pelo salvamento do BPP.