01 dezembro 2008

Gracias a la Vida

 



(Violeta Parra)


 


 


Gracias a la Vida que me ha dado tanto

me dio dos luceros que cuando los abro

perfecto distingo lo negro del blanco

y en el alto cielo su fondo estrellado

y en las multitudes el hombre que yo amo.


 


Gracias a la Vida, que me ha dado tanto

me ha dado el oido que en todo su ancho

graba noche y dia grillos y canarios

martillos, turbinas, ladridos, chubascos

y la voz tan tierna de mi bien amado.


 


Gracias a la Vida que me ha dado tanto

me ha dado el sonido y el abedecedario

con él las palabras que pienso y declaro

madre amigo hermano y luz alumbrando,

la ruta del alma del que estoy amando.


 


Gracias a la Vida que me ha dado tanto

me ha dado la marcha de mis pies cansados

con ellos anduve ciudades y charcos,

playas y desiertos montañas y llanos

y la casa tuya, tu calle y tu patio.


 


Gracias a la Vida que me ha dado tanto

me dio el corazón que agita su marco

cuando miro el fruto del cerebro humano,

cuando miro el bueno tan lejos del malo,

cuando miro el fondo de tus ojos claros.


 


Gracias a la Vida que me ha dado tanto

me ha dado la risa y me ha dado el llanto,

así yo distingo dicha de quebranto

los dos materiales que forman mi canto

y el canto de ustedes que es el mismo canto

y el canto de todos que es mi propio canto.


 


Gracias a la Vida que me ha dado tanto.

 


 


Da refundação das esquerdas

Quando se fala da refundação das esquerdas convém perceber de que esquerdas estamos a falar.



  1. Se das esquerdas protagonizadas por grupos de cidadãos que não se revêem nos partidos políticos já existentes, como por exemplo o MIC, formado na sequência do resultado de Manuel Alegre nas últimas eleições presidenciais.

  2. Se das esquerdas protagonizadas pelos partidos considerados à esquerda do PS, ou seja, PCP e BE.

  3. Se das esquerdas protagonizadas pela discussão dentro das várias facções do PS.

  4. Se de todos estes movimentos em conjunto.


Analisando uma a uma estas hipóteses:



  1. Os grupos de cidadãos são uma mais valia na discussão política, porque aproximam as pessoas que não têm nem querem ter filiação partidária, da actividade política e da intervenção pública, o que abre a sociedade a novas formas de discussão e de intervenção. O problema é que estes movimentos tendem a agregar-se em volta de pessoas e não por comungarem um conjunto de princípios e valores, de uma determinada ideologia. Por isso estes grupos são importantes para a defesa de determinadas causas mas dificilmente poderão disputar eleições com vista ao exercício de poder. Acresce o perigo da “fulanização” e de um populismo perigoso.

  2. O BE e o PCP têm demonstrado, infelizmente, a sua natureza totalmente anti-poder e arcaica, com o entrincheiramento dos comunistas num beco próximo dos fundamentalistas religiosos, em que a defesa de regimes ditatoriais como o de Cuba ainda está na agenda do dia. O PCP continua com a mesma retórica desde há 30 anos, se não mais, colocando-se cada vez mais à parte do leque da discussão da esquerda moderna e amante da liberdade. O BE tem protagonizado o que de melhor existe no populismo demagógico, tendo-se especializado em ser o simétrico de Paulo Portas.

  3. Os vários movimentos de esquerda dentro do próprio PS têm tido pouca visibilidade, primeiro porque é muito difícil levantar a voz contra as teses oficiais de Sócrates, e a colagem ao poder é uma das constantes da vida dos partidos apoiantes dos governos, principalmente em épocas de maiorias absolutas. Só assim se entende a abulia de Alberto Martins, o relógio de repetição de Augusto Santos Silva, o ventriloquismo de Vitalino Canas, para citar só alguns, e a tentativa de calar vozes incómodas como a de Ana Gomes, por exemplo. Por outro lado se os próprios militantes do PS, como Manuel Alegre, abdicam de discutir e de fazer ouvir a sua voz dentro do próprio partido, demitem-se de um indispensável e saudável contra-poder. Esperemos os resultados de movimentos que se formaram como a Corrente de Opinião Socialista e a Res Publica.

  4. A conjugação de todos estes movimentos é impossível, pelos desmentidos e ataques sucessivos que se fazem uns aos outros. O frentismo de esquerda seria tudo, mesmo que existisse, menos uma renovação das esquerdas.


Sendo assim estou muito céptica em relação a este fenómeno. No entanto a contribuição de grupos de opinião dentro e fora do PS, com pessoas que aceitem as regras da democracia e que estejam dispostas a participar no exercício responsável do poder seria desejável, se não mesmo indispensável para a renovação do debate ideológico em Portugal.


 


É claro que a crise à direita ainda é pior, pois o afastamento da esfera do poder tem sido funesta. Mas também aí seria indispensável a discussão e a renovação das direitas.


 


Embora compreenda que a política e as concessões sejam o cerne da governabilidade, é preciso não esquecer que tem que haver uma ideia, ou várias ideias que estejam na base da concretização das acções governativas e/ou das alternativas da oposição democrática.


 


E temos assistido a um paupérrimo debate de ideias, de alternativas, de políticas e de projectos de concretização das mesmas. À esquerda e à direita. Este seria o momento ideal para um enorme e aceso debate de ideias, visto que a crise financeira, a redefinição dos papéis dos estados na economia e na política social, a modificação do paradigma do trabalho com um aumento enorme do desemprego e a consequente e previsível instabilidade nas nossas sociedades ocidentais, com as imigrações e o regresso dos fundamentalismos religiosos, tudo pede exasperadamente para se repensarem atitudes e se descobrirem novas soluções.

30 novembro 2008

Os vôos que nunca existiram

Desde há vários anos que Ana Gomes se vem batendo para que haja uma investigação sobre os vôos da CIA, ilegais, que terão transportado prisioneiros até Guantánamo.


 


Foi atacada por várias pessoas, entre as quais miliantes do PS e membros do governo, que sempre negaram o conhecimento da existência de tais voos.


 


Ana Gomes pode ter uma forma muito histriónica de se expressar, mas tem a grande virtude de não deixar que os seus princípios sejam menos importantes que pretensos interesses de estado.


 


Hoje o jornal El País traz a reprodução de um documento que demonstra que, desde 2002, o governo de Aznar não só foi informado como lhe foi pedida colaboração. O jornal afirma ainda que outros países da mesma área também terão sido informados.


 


Durão Barroso não sabia de nada? O governo socialista também não tomou conhecimento disto? Gostava de saber quais vão ser as razões que agora vão ser invocadas par se justificar o injustificável.


 


Ana Gomes deve manter-se na União Europeia. Com ela podemos confiar que não recua e que honra o seu mandato.


 



 


Nota: Ver também a notícia do Público online e o post Afinal, sabiam!


 


Actualização: Ana Gomes e governo na TSF, hoje.

29 novembro 2008

Sem fundo


(pintura de John Eric Sparacio: black hole)


 


 


1.

Não sei porque me falta vontade

de empurrar pedras partir

enfrentar buracos negros

lagos sem fundo

que vou enchendo

em seco

e seco.




2.

Eram redondos os dias

lúcidos de luz e de chuva

por dentro das horas escoadas

eram redondos os dedos

que se bastavam.

Educação e cidadania

A questão da educação não é um assunto apenas e só dos professores, é um assunto de todos os cidadãos que pagam impostos, é uma questão de cidadania.


 


Muitos de nós já fomos alunos na escola pública e agora somos pais de crianças e jovens que frequentam a escola pública. Muitos de nós participámos em associações de pais, em reuniões de turma, conversamos com os directores de turma, tivemos reuniões com professores e alunos, lemos testes e comprámos manuais escolares, e vamos ouvindo o que os nossos próprios filhos dizem, assistindo ao que amigos e conhecidos que exercem a profissão, contam.


 


A escola não é um espaço à parte da sociedade, deverá sempre estar inserido na sociedade. Por outro lado, a credibilização da função docente deverá sempre ser uma prioridade de uma política de educação.


 


O primeiro passo para que haja credibilização da profissão de professor, é que ela seja uma profissão autónoma, é que a ela só possam aceder pessoas com formação específica, com conhecimentos científicos e pedagógicos para a exercerem. É ainda dever do estado escolher de entre aqueles que querem exercer a profissão de professor na escola pública, os mais capazes.


 


Não conheço qualquer carreira profissional, com excepção da de professor, em que não haja vários graus a que as pessoas concorrem por concurso, prestando provas curriculares ou outras, e em que sejam seriados por classificações dadas pelos seus pares. Não conheço qualquer carreira profissional, com a excepção da dos professores, em que os profissionais mais experientes e mais diferenciados não exerçam funções de maior responsabilidade e de orientação dos menos diferenciados e dos mais novos. Não conheço nenhuma carreira profissional em que a formação contínua, a aprendizagem e o progresso científico não sejam valorizados aquando dos concursos para acederem aos diversos graus de carreira. Não conheço nenhuma carreira profissional, com excepção da dos professores, em que todos os profissionais atingiam o último grau da carreira.


 


O estatuto da carreira docente estabelece uma diferenciação entre professor e professor titular. Li na caixa de comentário de um blogue que essa distinção era artificial porque os professores faziam todos o mesmo, que era ensinar.


 


Não é essa a experiência que tenho pelas escolas por onde passei nos diferentes estádios que fui assumindo. Nas escolas há aqueles que, para além de fazerem a função para que foram contratados, têm vontade de fazer outras coisas, têm iniciativa, gostam de promover actividades, têm atitudes proactivas dentro da organização, ajudam e integram os mais novos, substituem os mais velhos quando necessário, etc. Normalmente também são os que melhor ensinam, assim reconhecidos por alunos e pais.


 


O que se tenta agora, com a implementação de uma avaliação de desempenho, é precisamente distinguir os que se esforçam dos que fazem menos que os mínimos. Também li na mesma caixa de comentários que a avaliação do desempenho e as quotas não melhorarão a qualidade da escola, apenas reduzirão as despesas com a educação. Deve ser a única profissão a que isso se aplica. E gostava de ver os professores tentarem explicar aos seus alunos essa teoria.


 


Ainda bem que José Sócrates assumiu o problema do Ministério da Educação como um problema de todo o governo. Porque a qualidade da escola pública deve ser uma prioridade absoluta de um governo que se diz socialista. A devolução da dignidade a uma profissão que a não tem, pela exigência de um estatuto de uma carreira que esteja alicerçada no mérito é um passo de gigante nesse sentido. A avaliação de desempenho é apenas uma medida de justiça, indispensável de implementar em toda a Função Pública.


 


Já agora, também me parece que ter opiniões sobre saúde, justiça, defesa, literatura, filosofia, aborto, legislação laboral, liberdade e democracia, eleições portuguesas e norte americanas, União Europeia, Tratado de Lisboa, etc, é obrigação de qualquer ser que use o cérebro para pensar.

Violência gratuita

Tenho tentado perceber mais este atentado terrorista.


 


Tenho tentado perceber porque é que 25 homens jovens ocupam lugares turísticos e desatam a matar pessoas. Se o alvo eram os ricos estrangeiros transformou-se em indianos, não sei se ricos se pobres.


 


Gente que ri e que chora, que ama e odeia, que come, que dorme, que vive, sobrevive e mata.


 


Tenho tentado ouvir notícias, comentários, explicações. De onde vieram, quem eram, se pertenciam a celas de uma organização globalizada, se eram amadores, fundamentalistas, um braço da Al Qaeda.


 


Não consigo perceber e penso que nunca o conseguirei.


 


Desafio musical

Este desafio é um dos mais engraçados que já me colocaram na blogosfera. Ricardo S lembrou-se de mim e eu vou tentar corresponder:


 


 


 



  • Disponibilizar uma foto minha – a Marisa Monte é muito mais mais bonita!

  • Escolher um cantor ou banda – Marisa Monte

  • Responder às questões com músicas desse(a) cantor ou banda;

  • Passar o desafio a quatro bloggers.


 


 



(dança da solidão, com Paulinho da Viola)


 



  1. És homem ou mulher? - Aquela

  2. Descreve-te - Preciso me encontrar

  3. O que pensam as pessoas de ti? - Não é fácil

  4. Como descreves o teu último relacionamento? - Ainda lembro

  5. Descreve o estado actual da tua relação - É você

  6. Onde querias estar agora? - Vilarejo

  7. O que pensas a respeito do amor? - Infinito particular

  8. Como é a tua vida? - Pra ser sincero

  9. O que pedirias se pudesses ter só um desejo? - Cantinho escondido

  10. Escreve uma frase sábia - Mais um na multidão


E agora que se desenvencilhem!



 

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...