18 outubro 2008

Memória


 


Cavaco Silva defende valores e políticas raramente coincidentes com as que eu própria defendo. Não me revejo na sua postura, nos seus discursos, não gostei dos seus mandatos enquanto Primeiro-Ministro e votei contra ele sempre que tive oportunidade.


 


No entanto, e a propósito de um comentário num dos posts mais abaixo, fiz uma pesquisa na internet sobre a inovação portuguesa dos anos 80 que deu pelo nome de salários em atraso, que motivaram intervenções incendiários do Bispo de Setúbal, D. Manuel Martins, alertando para a fome no distrito de Setúbal.


 


Ora essa inovação foi da autoria do governo do Bloco Central, chefiado por Mário Soares e Mota Pinto, na Vice-Presidência, como se pode ver neste documento de José Adelino Maltez – (…) Salários em atraso – Relatório oficial reconhece a existência de cerca de 100 000 trabalhadores com salários em atraso (Março). (…).


 


Além disso, após as eleições legislativas de 1985, ganhas por Cavaco Silva, foi elaborada uma Lei na Assembleia da República - Lei n.º 17/86, de 14 de Junho, Salários em atraso – posteriormente revogada pela Lei 99/2003 – Código de Trabalho – numa tentativa de proteger os trabalhadores de uma situação absolutamente inaceitável, que era trabalhar sem remuneração e sem soluções no quadro legal.


 


Portanto, os salários em atraso não foram responsabilidade de Cavaco Silva, do PSD, tendo sido durante a sua legislatura que se tentou resolver o problema, mas sim de Mário Soares, do PS (sem esquecer Mota Pinto, claro).


 


Pobreza

Há uns meses travou-se grande debate político-ideológico a propósito dos elevados níveis de pobreza em Portugal, assim como o agravamento das desigualdades sociais, baseado em relatórios do EUROSTAT, da UNICEF e de um estudo coordenado por Alfredo Bruto da Costa – Um olhar sobre a pobreza.


 


Da esquerda à direita foram sendo esgrimidos argumentos, demonstrando o mau desempenho que todos os governos tiveram, após o 25 de Abril, no combate às desigualdades sociais, não tendo sido capazes de desenvolver políticas que reduzissem o flagelo da pobreza.


 


No Público online de ontem vem uma notícia - Portugal é o país da UE onde a pobreza mais caiu - que eu gostaria que fosse também motivo de debate político-ideológico.



É preciso fazer muitíssimo mais, mas afinal sempre temos feito alguma coisa, mesmo com a continuada e arrastada crise em que vivemos. Ainda bem.


 


Sublinhados meus

16 outubro 2008

Economia ainda mais real

Petróleo cai para os 65 dólares com aumento das reservas dos EUA


 


E não baixa a gasolina. Mas a Autoridade da Concorrência ainda está a analisar se há ou não concertação de preços.

Economia real

Ultimamente todos nós fizemos um mestrado em economia e finanças. Mesmo que não saibamos distinguir os problemas económicos dos financeiros, nem saibamos o que é a economia real.


 


Para a enormíssima maioria dos mortais, entre os quais me incluo, só resta o medo de perder o emprego, ou de trabalhar mas não ser pago, ou de trabalhar e não lhe chegar o dinheiro ao fim do mês, ou de querer ir levantar dinheiro e não haver liquidez no Banco, outra das expressões que aprendemos a usar.


 


Parece que vamos entrar todos em grandes apertos e teremos que fazer estágios salazarentos para aprender a poupar. Até agora o que estava a dar era pedir empréstimos para as casas, os carros, os plasmas, as férias, os sofás, as viagens, as roupas, os cabeleireiros.


 


Mas, na realidade, teremos que regressar aos natais de prendas caseiras, aos aproveitamentos das roupas dos filhos mais velhos para os mais novos, à confecção de pratos com restos das refeições anteriores, aos pequenos-almoços comidos em casa, à escolha entre mais um par de calças e uma ida ao cinema, mais uma coloração e massagem capilar e um livro interessante, mais um telemóvel 5G com música, vídeo, que fala, dança e faz cafés e o telefone fixo lá de casa. Cada um à sua maneira, cada um à medida do que tem, talvez até nem seja má ideia começarmos a dar mais valor ao ser do que ao parecer. Com tantas e tão variadas crises que se sucedem umas às outras, o realismo da nossa economia, de cada um de nós, é a certeza do pouco que há para gastar.


 


Mas a verdade é que gastamos todos de mais. Só tenho pena que, na prioridade das poupanças os cortes atinjam principalmente aquilo que nunca devia falhar: a imprescindível necessidade de saber, perguntar, informar-se, comunicar e conviver. Salazar dirigia a poupança da nação reduzindo ao máximo o luxo da aprendizagem. E a nossa sociedade moderníssima é muito pouco meritocrática.

Labirinto


(pintura de Yana Stajno: Lot's Wife)


 


Por mais partículas que deixe pelo caminho

perco-me no labirinto

em que persigo eternamente

a minha sombra.


 


Desfazem-se ciclicamente as estátuas de sal

em que me cristalizo

ao olhar para trás.

12 outubro 2008

Da continuidade da crise

Ontem ouvi na SIC, penso que na SIC Notícias, uma entrevista a Henrique Neto (não consigo encontrar qualquer referência na internet e não a encontro online no site da SIC).


 


Com uma sobriedade e uma calma extraordinárias disse muitas coisas muito óbvias mas totalmente esquecidas, foi muito duro para os governos, nomeadamente para este, e apelou ao regresso à ética na economia e na política.


 


Disse, para além de outras frases, uma que me ficou a ecoar nos ouvidos (cito de cor): o imenso poder aliado a uma enorme ignorância faz uma mistura explosiva. Isto foi dito em relação aos gestores que assumiram o poder nas administrações das empresas e dos bancos, que sabiam muito bem como ganhar muito dinheiro a curto prazo, mas que eram totalmente ignorantes sobre tudo o resto, nomeadamente na gestão dessas mesmas empresas e bancos. Mas pode aplicar-se a tantas outras situações!


 


Vaticinou ainda que a crise financeira ainda demoraria alguns meses mas que se resolveria, ao contrário da económica, principalmente em Portugal, onde se manterá por muito tempo, com custos a vários níveis, nomeadamente no regresso dos ordenados em atraso.


 


A importância de Obama

Multiplicam-se os vídeos sobre o fundamentalismo dos apoiantes de John McCain, assim como a defesa que o próprio McCain faz de Obama, na tentativa de separar a sua posição como político candidato à presidência dos Estados Unidos, da posição da ala mais conservadora, racista e xenófoba dos EUA.


 


Estou convencida (e espero!) que toda esta instabilidade financeira que alastra pelo mundo só abrandará se os americanos elegerem Barack Obama. O descrédito e a ruinosa administração de Bush, que contaminaram a confiança dos cidadãos europeus, desregulando ainda mais a sua própria economia, nomeadamente com o esforço despendido nas várias guerras que alimentam, só acabará se houver uma mudança e uma renovação política dos dirigentes americanos.


 


Para bem dos EUA e do resto do mundo, espero que seja Barack Obama a ganhar as eleições.


 


Mudanças

  Las manos Eduardo Kingman Aos poucos vou mudando a casa, vou adaptando o espaço à minha pessoa. Reduzir coisas e coisas e coisas. Clarear,...