16 outubro 2008

Economia real

Ultimamente todos nós fizemos um mestrado em economia e finanças. Mesmo que não saibamos distinguir os problemas económicos dos financeiros, nem saibamos o que é a economia real.


 


Para a enormíssima maioria dos mortais, entre os quais me incluo, só resta o medo de perder o emprego, ou de trabalhar mas não ser pago, ou de trabalhar e não lhe chegar o dinheiro ao fim do mês, ou de querer ir levantar dinheiro e não haver liquidez no Banco, outra das expressões que aprendemos a usar.


 


Parece que vamos entrar todos em grandes apertos e teremos que fazer estágios salazarentos para aprender a poupar. Até agora o que estava a dar era pedir empréstimos para as casas, os carros, os plasmas, as férias, os sofás, as viagens, as roupas, os cabeleireiros.


 


Mas, na realidade, teremos que regressar aos natais de prendas caseiras, aos aproveitamentos das roupas dos filhos mais velhos para os mais novos, à confecção de pratos com restos das refeições anteriores, aos pequenos-almoços comidos em casa, à escolha entre mais um par de calças e uma ida ao cinema, mais uma coloração e massagem capilar e um livro interessante, mais um telemóvel 5G com música, vídeo, que fala, dança e faz cafés e o telefone fixo lá de casa. Cada um à sua maneira, cada um à medida do que tem, talvez até nem seja má ideia começarmos a dar mais valor ao ser do que ao parecer. Com tantas e tão variadas crises que se sucedem umas às outras, o realismo da nossa economia, de cada um de nós, é a certeza do pouco que há para gastar.


 


Mas a verdade é que gastamos todos de mais. Só tenho pena que, na prioridade das poupanças os cortes atinjam principalmente aquilo que nunca devia falhar: a imprescindível necessidade de saber, perguntar, informar-se, comunicar e conviver. Salazar dirigia a poupança da nação reduzindo ao máximo o luxo da aprendizagem. E a nossa sociedade moderníssima é muito pouco meritocrática.

Labirinto


(pintura de Yana Stajno: Lot's Wife)


 


Por mais partículas que deixe pelo caminho

perco-me no labirinto

em que persigo eternamente

a minha sombra.


 


Desfazem-se ciclicamente as estátuas de sal

em que me cristalizo

ao olhar para trás.

12 outubro 2008

Da continuidade da crise

Ontem ouvi na SIC, penso que na SIC Notícias, uma entrevista a Henrique Neto (não consigo encontrar qualquer referência na internet e não a encontro online no site da SIC).


 


Com uma sobriedade e uma calma extraordinárias disse muitas coisas muito óbvias mas totalmente esquecidas, foi muito duro para os governos, nomeadamente para este, e apelou ao regresso à ética na economia e na política.


 


Disse, para além de outras frases, uma que me ficou a ecoar nos ouvidos (cito de cor): o imenso poder aliado a uma enorme ignorância faz uma mistura explosiva. Isto foi dito em relação aos gestores que assumiram o poder nas administrações das empresas e dos bancos, que sabiam muito bem como ganhar muito dinheiro a curto prazo, mas que eram totalmente ignorantes sobre tudo o resto, nomeadamente na gestão dessas mesmas empresas e bancos. Mas pode aplicar-se a tantas outras situações!


 


Vaticinou ainda que a crise financeira ainda demoraria alguns meses mas que se resolveria, ao contrário da económica, principalmente em Portugal, onde se manterá por muito tempo, com custos a vários níveis, nomeadamente no regresso dos ordenados em atraso.


 


A importância de Obama

Multiplicam-se os vídeos sobre o fundamentalismo dos apoiantes de John McCain, assim como a defesa que o próprio McCain faz de Obama, na tentativa de separar a sua posição como político candidato à presidência dos Estados Unidos, da posição da ala mais conservadora, racista e xenófoba dos EUA.


 


Estou convencida (e espero!) que toda esta instabilidade financeira que alastra pelo mundo só abrandará se os americanos elegerem Barack Obama. O descrédito e a ruinosa administração de Bush, que contaminaram a confiança dos cidadãos europeus, desregulando ainda mais a sua própria economia, nomeadamente com o esforço despendido nas várias guerras que alimentam, só acabará se houver uma mudança e uma renovação política dos dirigentes americanos.


 


Para bem dos EUA e do resto do mundo, espero que seja Barack Obama a ganhar as eleições.


 


11 outubro 2008

Ana Gomes

É muito engraçado ouvir os sisudos falar de Ana Gomes, da incendiária e tonta, revolucionária e estridente Ana Gomes. Eu própria já o fiz.


 


Mas aí está o escândalo de Guantanamo, as tibiezas do governo, as meias palavras, o varrer para baixo do tapete.


 


Parabéns à esdrúxula Ana Gomes, que demonstra à evidência que, apesar de se ter institucionalizado que as comissões, direcções de órgãos políticos, de associações de pendor corporativista ou outro existem para arrastar, adiar e não resolver, há sempre algumas pessoas que não se conformam, mesmo correndo o risco de serem ridicularizadas pela sua verticalidade.


 


Coerência? Há muitos tipos de coerência e aquela que reconhece que erra e volta atrás mas que luta por ideias é nobre, mesmo que os sisudos declarem o contrário. Inclusivé eu mesma.


 


Da crise

A crise está para durar. De repente, parece que todos tomaram consciência de que o consumismo desenfreado e sem objectivo é pernicioso. De repente descobrem-se virtudes e deveres no Estado insuspeitados para determinados pensadores políticos. De repente tomou-se consciência de que a economia deve estar ao serviço da política e não o contrário.


 


É verdade que sem crédito fácil e a baixos juros, uma multidão de pessoas não teria tido acesso a determinados bens que hoje consideramos indispensáveis a uma vida condigna.


 


Teremos que reequacionar o que é indispensável a uma vida condigna. As nossas prioridades deverão voltar-se outra vez para a essência e reconhecer o efémero, o superficial, o excesso.


 


Politicamente pode aproveitar-se este momento de crise para debater as funções do Estado, para que serve, que serviços deve assegurar, com deve ser o cimento que ampara a dignidade dos cidadãos.


 


Também convinha reequacionar o que se entende por União Europeia. Quem faz parte da dita? Quem elegeu o G4, o G8, qualquer G? Porque não há ainda uma declaração conjunta dos órgãos institucionais europeus, porque não há garantias para todos os países, assumidas pelo BCE?

Grau zero reeditado


 


 


É difícil, se não mesmo impossível, fazer pior que os deputados do PS, nomeadamente o seu grupo parlamentar, mais especificamente Alberto Martins.


 


As voltas e reviravoltas de uma opinião que é e não é, que não mas que sim, a triste figura de quem não percebe o ridículo em que faz cair a dignidade da própria Assembleia, faz corar de vergonha.


 


Por estas e por outras é que há um grande afastamento entre os cidadãos e os seus representantes, cujo estatuto de enguia é repugnante.


 


Valha-nos ainda Manuel Alegre. Felizmente, a ele ninguém o cala.

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...