12 outubro 2008

Da continuidade da crise

Ontem ouvi na SIC, penso que na SIC Notícias, uma entrevista a Henrique Neto (não consigo encontrar qualquer referência na internet e não a encontro online no site da SIC).


 


Com uma sobriedade e uma calma extraordinárias disse muitas coisas muito óbvias mas totalmente esquecidas, foi muito duro para os governos, nomeadamente para este, e apelou ao regresso à ética na economia e na política.


 


Disse, para além de outras frases, uma que me ficou a ecoar nos ouvidos (cito de cor): o imenso poder aliado a uma enorme ignorância faz uma mistura explosiva. Isto foi dito em relação aos gestores que assumiram o poder nas administrações das empresas e dos bancos, que sabiam muito bem como ganhar muito dinheiro a curto prazo, mas que eram totalmente ignorantes sobre tudo o resto, nomeadamente na gestão dessas mesmas empresas e bancos. Mas pode aplicar-se a tantas outras situações!


 


Vaticinou ainda que a crise financeira ainda demoraria alguns meses mas que se resolveria, ao contrário da económica, principalmente em Portugal, onde se manterá por muito tempo, com custos a vários níveis, nomeadamente no regresso dos ordenados em atraso.


 


A importância de Obama

Multiplicam-se os vídeos sobre o fundamentalismo dos apoiantes de John McCain, assim como a defesa que o próprio McCain faz de Obama, na tentativa de separar a sua posição como político candidato à presidência dos Estados Unidos, da posição da ala mais conservadora, racista e xenófoba dos EUA.


 


Estou convencida (e espero!) que toda esta instabilidade financeira que alastra pelo mundo só abrandará se os americanos elegerem Barack Obama. O descrédito e a ruinosa administração de Bush, que contaminaram a confiança dos cidadãos europeus, desregulando ainda mais a sua própria economia, nomeadamente com o esforço despendido nas várias guerras que alimentam, só acabará se houver uma mudança e uma renovação política dos dirigentes americanos.


 


Para bem dos EUA e do resto do mundo, espero que seja Barack Obama a ganhar as eleições.


 


11 outubro 2008

Ana Gomes

É muito engraçado ouvir os sisudos falar de Ana Gomes, da incendiária e tonta, revolucionária e estridente Ana Gomes. Eu própria já o fiz.


 


Mas aí está o escândalo de Guantanamo, as tibiezas do governo, as meias palavras, o varrer para baixo do tapete.


 


Parabéns à esdrúxula Ana Gomes, que demonstra à evidência que, apesar de se ter institucionalizado que as comissões, direcções de órgãos políticos, de associações de pendor corporativista ou outro existem para arrastar, adiar e não resolver, há sempre algumas pessoas que não se conformam, mesmo correndo o risco de serem ridicularizadas pela sua verticalidade.


 


Coerência? Há muitos tipos de coerência e aquela que reconhece que erra e volta atrás mas que luta por ideias é nobre, mesmo que os sisudos declarem o contrário. Inclusivé eu mesma.


 


Da crise

A crise está para durar. De repente, parece que todos tomaram consciência de que o consumismo desenfreado e sem objectivo é pernicioso. De repente descobrem-se virtudes e deveres no Estado insuspeitados para determinados pensadores políticos. De repente tomou-se consciência de que a economia deve estar ao serviço da política e não o contrário.


 


É verdade que sem crédito fácil e a baixos juros, uma multidão de pessoas não teria tido acesso a determinados bens que hoje consideramos indispensáveis a uma vida condigna.


 


Teremos que reequacionar o que é indispensável a uma vida condigna. As nossas prioridades deverão voltar-se outra vez para a essência e reconhecer o efémero, o superficial, o excesso.


 


Politicamente pode aproveitar-se este momento de crise para debater as funções do Estado, para que serve, que serviços deve assegurar, com deve ser o cimento que ampara a dignidade dos cidadãos.


 


Também convinha reequacionar o que se entende por União Europeia. Quem faz parte da dita? Quem elegeu o G4, o G8, qualquer G? Porque não há ainda uma declaração conjunta dos órgãos institucionais europeus, porque não há garantias para todos os países, assumidas pelo BCE?

Grau zero reeditado


 


 


É difícil, se não mesmo impossível, fazer pior que os deputados do PS, nomeadamente o seu grupo parlamentar, mais especificamente Alberto Martins.


 


As voltas e reviravoltas de uma opinião que é e não é, que não mas que sim, a triste figura de quem não percebe o ridículo em que faz cair a dignidade da própria Assembleia, faz corar de vergonha.


 


Por estas e por outras é que há um grande afastamento entre os cidadãos e os seus representantes, cujo estatuto de enguia é repugnante.


 


Valha-nos ainda Manuel Alegre. Felizmente, a ele ninguém o cala.

08 outubro 2008

O hábito

A falta de nível de Zita Seabra  RTPN, agora, desvalorizando as medidas do governo, dizendo que devemos copiar os governos europeus mas depois sem dizer quais, é de uma inacreditável aridez.


 


Na verdade parece que ninguém sabe exactamente o que fazer. A nós, apreensivos cidadãos do mundo, temos medo que nos falte o dinheiro para a nossa vidinha quotidiana, não percebemos nada da bolsa, de activos ou de crashs, e apenas nos perguntamos se deveríamos reeditar os colchões com mealheiros.


 


Uma coisa eu aprendi com o filme "It's a Wonderful Life" de Frank Capra. Não devemos ir a correr levantar o dinheiro do banco, em pânico, como se não houvesse outra solução. De resto continuemos, dia a dia, tentando não descompensar porque até com este medo a gente se há-de habituar.

Acordar


(pintura de Snadi Miot: awakening)


 


Hoje lembrei-me nitidamente

do que faltou desses dias

em que sonhávamos o mundo

até que o mundo

nos acordou.

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...