Ultimamente todos nós fizemos um mestrado em economia e finanças. Mesmo que não saibamos distinguir os problemas económicos dos financeiros, nem saibamos o que é a economia real.
Para a enormíssima maioria dos mortais, entre os quais me incluo, só resta o medo de perder o emprego, ou de trabalhar mas não ser pago, ou de trabalhar e não lhe chegar o dinheiro ao fim do mês, ou de querer ir levantar dinheiro e não haver liquidez no Banco, outra das expressões que aprendemos a usar.
Parece que vamos entrar todos em grandes apertos e teremos que fazer estágios salazarentos para aprender a poupar. Até agora o que estava a dar era pedir empréstimos para as casas, os carros, os plasmas, as férias, os sofás, as viagens, as roupas, os cabeleireiros.
Mas, na realidade, teremos que regressar aos natais de prendas caseiras, aos aproveitamentos das roupas dos filhos mais velhos para os mais novos, à confecção de pratos com restos das refeições anteriores, aos pequenos-almoços comidos em casa, à escolha entre mais um par de calças e uma ida ao cinema, mais uma coloração e massagem capilar e um livro interessante, mais um telemóvel 5G com música, vídeo, que fala, dança e faz cafés e o telefone fixo lá de casa. Cada um à sua maneira, cada um à medida do que tem, talvez até nem seja má ideia começarmos a dar mais valor ao ser do que ao parecer. Com tantas e tão variadas crises que se sucedem umas às outras, o realismo da nossa economia, de cada um de nós, é a certeza do pouco que há para gastar.
Mas a verdade é que gastamos todos de mais. Só tenho pena que, na prioridade das poupanças os cortes atinjam principalmente aquilo que nunca devia falhar: a imprescindível necessidade de saber, perguntar, informar-se, comunicar e conviver. Salazar dirigia a poupança da nação reduzindo ao máximo o luxo da aprendizagem. E a nossa sociedade moderníssima é muito pouco meritocrática.