03 outubro 2008

Garfadas online


 


Há quem consiga aliar o conhecimento científico e a vivência dolorosa e diária numa enfermaria com a arte de saber aprofundadamente de gastronomia, história e arquitectura de cozinhas, alimentação, enfim, tudo o que tenha a ver com garfadas, garfos e restantes talheres, restantes adereços, coreografias e protocolos, assim como de cozinhas, separação de espaços de comedores e de confecção alimentar, chaminés, lareiras, utensílios, etc.


 


 


Para além de uma evidente erudição é um gosto poder saborear este Garfadas Online.


 


Num blogue perto de si!


 


Grau negativo

Casas das Câmaras a preços controlados, para particulares, que têm a particularidade de ter relações privilegiadas com qualquer dos Presidentes ou vereadores, amigos ou conhecidos - porquê?


 


Que haja a hipótese de conceder espaços que sejam património das Câmaras para associações desportivas e culturais, organizações várias sem fins lucrativos, que tenham um qualquer papel na vida social e cultural da cidade ou do país, tudo bem, desde que os critérios de atribuição sejam claros e transparentes, desde que haja possibilidade de concursos a esses espaços.


 


Mas porque é que esse património de apartamentos e casas para alugar não é feito com preços idênticos aos do tal mercado? Ou porque é que essas casas não são leiloadas?


 


Não há justificações que satisfaçam a não ser a contemplação da total promiscuidade entre o que deveria ser o acautelar dos interesses públicos e os interesses privados, as cunhas, os conhecimentos, os compadrios, enfim, a forma como tudo em Portugal se faz e se troca, um telefonema, um café, umas palmadas nas costas, e que já é tão normal que ninguém se espanta da tranquilidade de certas consciências.

Grau zero








Nunca percebi muito bem a necessidade do movimento de alguma esquerda no sentido de legalizar a união de pessoas do mesmo sexo na forma de casamento, contrato que regulariza a união entre pessoas de diferentes sexos, tal como também nunca percebi muito bem a necessidade de se transformar as uniões de facto em casamentos sem assinatura.


 


Mas não tenho rigorosamente nada contra a existência de um contrato que regularize as cláusulas contratuais de uma união entre pessoas do mesmo sexo, chame-se ela como se chamar, assim como também não tenho nada contra as uniões de facto. Quem se quer casar tem os direitos e os deveres consagrados num contrato civil que se designa casamento. Quem não quer esses deveres e esses direitos não se casa.


 


Também não me parece que este assunto do casamento entre homossexuais seja assim tão importante e premente na nossa sociedade para tanto se falar dele e para tanta urgência no debate de uma lei no parlamento.


 


Mas o que acho mesmo totalmente inaceitável é o PS ter votado a obrigatoriedade da disciplina de voto na votação de uma lei que regularize o casamento entre homossexuais, em vez de ter dado liberdade de voto aos seus deputados.


 


Qual o objectivo político, a coerência, a dignidade de tal decisão?


 


Isto é atingir o grau zero da política, para além de ser totalmente estúpido e incompreensível.

29 setembro 2008

Geneticamente modificados

Algo de estranho se passa nalgumas terras por onde passámos.


 


Limoges parecia um local abandonado à sua sorte (que deve ser pouca). Ruas desertas, poucos transeuntes, lojas fechadas, obras de melhoramento de estradas paradas. À volta da Catedral ninguém; o largo estava ocupado por um parque de estacionamento. Havia umas placas a indicar um percurso de visita turística à cidade, mas os museus estavam fechados (às 17:30h).


 


Hoje decidimos passar por Cognac, mais ou menos a meio caminho de Bordéus. Pois estava tudo deserto e fechado, com numerosas placas indicativas de fábricas de conhaque, com uma rota do conhaque que nós fizemos, para dar com os narizes nas portas.


 


Pelo caminho, áreas enormes cobertas por vinhas, muito bem alinhadas, desenhando verdadeiras paradas militares, a régua e esquadro. Havia também numerosos campos de girassóis, mais uma vez com estranhas particularidades. Estavam secos, quase sem pétalas, escondendo uma cara enorme e desolada do sol. De certeza que nunca vi girassóis assim. Se calhar eram geneticamente modificados.


 


27 setembro 2008

Oradour-sur-Glane


 


Oradour-sur-Glane era, até 10 de Junho de 1944, uma aldeia a cerca de 25 Km de Limoges.


 


Nesse dia, e em retaliação pela captura de um militar alemão pela Resistência francesa, os militares alemães massacraram 642 pessoas, a quase totalidade dos habitantes da aldeia, depois de terem separado os homens, que mataram em praças e ruas, das mulheres e crianças, que mataram na igreja, onde as tinham encurralado.


 


Para além disso, deitaram fogo à igreja e aos corpos, numa tentativa vã de esconderem o massacre.


 


Essa aldeia, vazia de gente de um dia para o outro, foi deixada a desmronar-se, erguendo-se as suas ruínas à beira da estrada como um terrível e extraordinário memorial  do que significa a destruição da guerra.


 


Não há fotografias, filmes ou pesquisas na internet que substituam a presença num local como este. As casas esventradas, algumas janelas enferrujadas, por vezes utensílios de cozinha, carros amolgados, um silêncio cheio de vozes, gritos e sussurros dos fantasmas do passado.


 


Deveria ser obrigatória a visita a locais como este, espalhados pelo mundo inteiro, resultado das mais diversas guerras, umas mais antigas outras mais modernas, para que ninguém se esqueça do que é possível acontecer, daquilo que de inimaginável se torna realidade.


 


Oradour-sur-Glane - lembremo-nos.


 


26 setembro 2008

Fromage blanc


 


Os franceses comem e bebem horrores, mas nem por isso há muita gente gorda. Segredos misteriosos que bem podiam passar às pobres criaturas que não podem comer, sob pena de rebolarem em vez de andarem.


 


Além de comerem e beberem muito e de cozinharem bem, têm uma verdadeira arte em descrever os pratos, de forma a deixar o comensal com as papilas a saltarem de antecipação. Até são capazes de vender uma sobremesa sublime, un fromage blanc, que não é mais que um iogurte natural, sem açúcar, natural branco e cremoso.


 


Por outro lado não perdem nunca a oportunidade de falar sobre comida e ingredientes. Hoje ouvi uma palestra sobre trufas, vários tipos e cores, raridades e forma de venda, cozeduras, preços e redução de peso (da trufa), porcos e cães de caça para desenterrar a trufa e javalis selvagens que comem a dita, enquanto comprávamos óleo de noz (pelos vistos excelente para as saladas e para a saúde, segundo Monsieur Teyssier, dono da charcutaria), paté de canard truffé e uma conserva de pêra em aguardente (de pêra).


 


A gruta de Lascaux

A gruta de Lascaux (Lascaux II), ao pé de Montignac onde, aliás, se compram os bilhetes, é absolutamente extraordinária. E uma réplica da original, aberta ao público em 1983, 20 anos após o fecho da verdadeira gruta, pela degradação acelerada das pinturas rupestres, encontradas por 1 cão e 4 rapazes , à boa maneira de uma aventura de Enid Blyton.


 


Temos direito a guia, em Inglês ou Francês. Mas como as visitas fecham à hora de almoço (tal como a pequena loja-museu que fica junto à entrada), das 12 às 14 horas, podemos sempre escolher a língua que melhor nos conforta o estômago.


 


É impressionante perceber que há cerca de 17.000 anos tenha havido membros da espécie homo sapiens sapiens capazes de pintar na pedra com aquele detalhe, aquele sentido das proporções, aquele conhecimento de cores e técnicas de pintura, de fabricação de andaimes para chegar ao tecto e à parte superior da gruta, de iluminação para poderem espantar a escuridão.


 


Apenas animais e uma única tentativa de pintura humana.


 


Deslumbrante.


 



(Gruta de Lascaux - unicórnio)

Mudanças

  Las manos Eduardo Kingman Aos poucos vou mudando a casa, vou adaptando o espaço à minha pessoa. Reduzir coisas e coisas e coisas. Clarear,...