07 setembro 2008

Barco Negro


poema de David Mourão Ferreira; música Caco Velho


canta Amália Rodrigues


 


De manhã, que medo, que me achasses feia!

Acordei, tremendo, deitada n'areia

Mas logo os teus olhos disseram que não,

E o sol penetrou no meu coração.


 


Vi depois, numa rocha, uma cruz,

E o teu barco negro dançava na luz

Vi teu braço acenando, entre as velas já soltas

Dizem as velhas da praia, que não voltas:


 


São loucas! São loucas!


 


Eu sei, meu amor,

Que nem chegaste a partir,

Pois tudo, em meu redor,

Me diz qu'estás sempre comigo.


 


No vento que lança areia nos vidros;

Na água que canta, no fogo mortiço;

No calor do leito, nos bancos vazios;

Dentro do meu peito, estás sempre comigo.

E o Oráculo falou

Depois de um fortíssimo ataque ao governo, as soluções propostas são:


 



E...?

À espera do Oráculo

Segundo Pacheco Pereira, o PSD fiscalizará o governo em tempo real, mas isto não implica que tome decisões sobre as medidas.


 


Ou seja, quando chegarmos à eleições legislativas teremos um governo bem escrutinado, não sabemos é qual é alternativa que se lhe oferece.


 


Parece-me uma estratégia muito interessante e que demonstra, de facto, que o PSD não tem alternativa a esta governação. O que é assustador.

Eleições em Angola

Ninguém parece entender-se sobre as eleições em Angola. Da manipulação informativa pelo governo durante a campanha eleitoral, às afirmações contraditórias das várias equipas de observadores internacionais, até às opiniões divergentes dentro das mesmas equipas, nada se pronuncia de bom, mesmo que não me espante a esmagadora vitória do MPLA que, a meu ver, nunca esteve em causa.


 


Talvez fosse boa ideia os observadores terem algum cuidado com o que afirmam, para não ficarem eles próprios descredibilizados.


 


A proibição da entrada de vários órgãos de informação, pelo menos portugueses, deixa um travo muito amargo na avaliação da validade democrática deste acto eleitoral, mesmo que alguns digam que os votos expressam a vontade dos eleitores.


 


Nota: a este propósito vale a pena ler A cerimónia, de A. Teixeira.

06 setembro 2008

Abandono


(desenho de Walter Logeman)


 


Por muito que te diga

quanto te amo

antes que possa dizer-te

quanto te amarei

antes que possa saber

quanto ainda falta amar-te


 


desligas-te do mundo

deixas-me com palavras

estranho perfume de abandono

antes que possa dizer-te

que nunca te amarei bastante

deixas-me perdida

na tua eternidade.

A sentença favorável a Paulo Pedroso

O caso Casa Pia, como o Apito Dourado e outros, é daqueles que nos faz temer  qualquer  um de nós, que algum dia tenha alguma coisa a ver com a justiça portuguesa e os seus agentes.


 


Paulo Pedroso foi detido preventivamente no decurso das averiguações sobre os abusos sexuais, continuados e repetidos, contra as crianças da Casa Pia.


 


Depois de muitas denúncias, de muitas teorias da conspiração e de muitos anos, é certo que houve abusos, portanto abusadores, é certo que houve vítimas, é certo que houve declarações bombásticas de antigos e recentes responsáveis governamentais e não só que tutelavam a Casa Pia e, numa indiscutível e muito suspeita coincidência, houve grande falatório sobre dirigentes políticos da área do PS.


 


Não consigo aperceber-me do que será na vida de qualquer pessoa a acusação de pedofilia.


 


Estive a ler a sentença sobre a condenação do Estado Português a pagar uma indemnização a Paulo Pedroso pela prisão preventiva a que esteve sujeito e fiquei a perceber que



  • (…) todos os indícios recolhidos eram claramente insuficientes para imputar ao arguido a prática de qualquer crime concreto e que não ocorriam os perigos de perturbação do inquérito e da ordem e tranquilidade públicas, não podemos extrair outra conclusão que não seja a de que nesse mesmo Acórdão (08/10/2003) se formulou o juízo de que a decisão determinativa da prisão preventiva imposta ao arguido, ora A., foi motivada por acto temerário enquadrável na figura do erro grosseiro. (…).*

  • (…) Significa isto que o Acórdão (08/10/2003) em causa não se bastou em proceder ao exame dos elementos em que o despacho de 15/07/2003 se estribou para decidir pelo reforço dos indícios da prática pelo arguido dos crimes que lhe eram imputados, como também analisou – como em nosso entender não poderia deixar de ser – todos os elementos disponíveis anteriores à primitiva decisão de decretamento da prisão preventiva, para da sua análise global concluir não haver indícios suficientes para imputar ao arguido a prática de qualquer crime concreto.(…).*


 


Ou seja, não só a prisão preventiva foi um erro grosseiro como não havia indícios para imputar qualquer tipo de crime concreto. Ainda bem que assim se decidiu, ainda bem para Paulo Pedroso.


 


Mas não deixa de me arrepiar a sensação de que, em Portugal, é preciso ser-se poderoso e influente para que o Estado resolva devolver um pouco da dignidade que resolveu retirar, sem que para isso tenha tido razão. Quantas e quantas pessoas não passaram e não passarão pelo mesmo calvário?


 


Por outro lado, como é possível que continue a haver a certeza de crimes sem culpados?


 


A névoa que envolve este caso continua, sem verdadeiros culpados condenados e sem verdadeira ilibação dos falsamente acusados. A suspeita e o simulacro de justiça num Estado que se diz de direito.


 


* bolds e sublinhados meus

02 setembro 2008

Sujidade política

É absolutamente inacreditável o que se tem lido sobre a candidata a Vice-Presidente Sarah Palin escolhida por John McCain. Pode concordar-se ou não com a sua ideologia conservadora, nomeadamente a sua posição contra o aborto e a sua posição em relação à venda de armas nos EUA, mas o facto de ter estado em concursos de beleza, ser bonita e ter muitos filhos não lhe retira matéria cinzenta nem a transforma numa indigente mental.


 


E se a filha dela é adolescente e está grávida o problema é da filha e não dela. O que deveria ter feito a mãe? Expulsá-la de casa, pagar-lhe um aborto, escondê-la num país obscuro ou ter-lhe proporcionado um cinto de castidade?


 


A liberdade é precisamente cada um pode escolher a vida que quer, defender o que acha justo e ser responsabilizado pelas suas acções, não pelos problemas dos familiares.


 


Faz muito bem Barack Obama desmarcar-se deste tipo de sujidade.

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...