17 agosto 2008

Vilarejo


(Marisa Monte: Vilarejo)


 


Há um vilarejo ali

Onde areja um vento bom

Na varanda, quem descansa

Vê o horizonte deitar no chão


 


Pra acalmar o coração


Lá o mundo tem razão

Terra de heróis, lares de mãe

Paraiso se mudou para lá


 


Por cima das casas, cal


Frutas em qualquer quintal

Peitos fartos, filhos fortes

Sonho semeando o mundo real


 


Toda gente cabe lá

Palestina, Shangri-lá

Vem andar e voa

Vem andar e voa

Vem andar e voa


 


Lá o tempo espera

Lá é primavera

Portas e janelas ficam sempre abertas

Pra sorte entrar


 


Em todas as mesas, pão

Flores enfeitando

Os caminhos, os vestidos, os destinos

E essa canção


 


Tem um verdadeiro amor

Para quando você for

É doce morrer no mar


(Dorival Caymmi: é doce morrer no mar)


 


É doce morrer no mar,

Nas ondas verdes do mar




A noite que ele não veio foi,

Foi de tristeza pra mim

Saveiro voltou sozinho

Triste noite foi pra mim




É doce morrer no mar,

Nas ondas verdes do mar




Saveiro partiu de noite, foi

Madrugada não voltou

O marinheiro bonito

Sereia do mar levou.




É doce morrer no mar,

Nas ondas verdes do mar




Nas ondas verdes do mar, meu bem

Ele se foi afogar

Fez sua cama de noivo

No colo de Iemanjá


 


É doce morrer no mar,

Nas ondas verdes do mar

Como




(pintura de Amy Cutler: Army of me)


 


Como dizer da nuvem

deste desamparo sem cor

como alterar rituais

que nos seguram

dias cinzentos noites mornas

espelho vazio

que não vemos pois multiplica

olhos fundos vapores fantasmas.


 


Como dizer do hábito

que nos obriga a sermos iguais

a tudo o que jurámos

ser diferente.

Famílias




(pintura de Amy Cutler: Viragos)


 


Conheço famílias monoparentais e famílias poliparentais, com uma mãe, com duas mães, com mãe e avó, com tia e avô, sem mulheres, famílias de menores, famílias de velhos, famílias com um pai, muitos pais, com amigos e primos, com amigas dos primos, com cães, gatos, peixes.


 


Conheço famílias com dinheiro e sem ele, com televisões, com telemóveis, com comprimidos, com bebidas, com armas, com estaladas e murros, com gritaria e arrancar de cabelos, com solidão e vazio, com mortos nos armários, com silêncios e rupturas.


 


Conheço famílias com beijos e palmadas nas costas, com suspiros de resignação, com voltas e reviravoltas das cabeças, com espaços por ocupar, com mãos entrelaçadas nos passeios, corpos arrulhando devagar, com roupa desarrumada e paredes forradas de livros.


 


Não há garantia de estruturação ou de felicidade. Não se sabe se alguém se mata ou mata o parceiro, ame mais por ser homossexual, heterossexual ou assexuado, saiba gerir as emoções, desista de tudo ou invista em nada, que dê pontapés no destino ou arranque as pedras da calçada.


 


A única garantia é que há sempre hipótese de ser feliz, todos os dias teremos que fazer essa aposta, com pais ou sem eles, com mães ou sem elas, às vezes e sempre e sobretudo por nós, quando e se conseguimos encher um cantinho do coração de alguém.

16 agosto 2008

Segredos de Estado

A manutenção do secretismo no que diz respeito ao relatório do IGAI sobre a actuação das forças de segurança (PSP e GNR) apenas aumenta a insegurança das populações. Se há erros de actuação, ilegalidades, défices de formação, etc, eles terão que ser reconhecidos e corrigidos.


 


As armas devem ser usadas quando estritamente enquadradas na lei. Todos temos que confiar que a PSP e a GNR só as usam quando devem, quando não podem deixar de o fazer, o que implica da parte dos seus agentes uma disciplina e formação imensas e rigorosas.


 


Mas também me parece estranho que este relatório, pelo que dizem os jornais, sendo  referente a 2006, só agora ter sido retirado das (secretas) gavetas do estado.

15 agosto 2008

Catástrofe adiada

Parece que os resultados económicos divulgados pelo INE não são tão maus como alguns previam (queriam?). Ainda bem.


 


O PSD desespera pelas notícias que lhe dariam todas as razões. Enquanto tal não acontece, entretém-se com as festas do Chão da Lagoa e do Pontal.


 


O problema de Manuela Ferreira Leite não é faltar a essas celebrações bacocas do populismo mais basista. O problema é que o silêncio se desmultiplica em ruidosas opiniões de todos os que estão decididos a destroná-la.


 


É uma estratégia muito original, não há dúvida.

Medalhas

Os acontecimentos desportivos internacionais, campeonatos de futebol e jogos olímpicos, são as ocasiões que o país deprimido procura para mostrar a sua excelência. Nem que durante todos os outros dias ninguém se lembre dos velejadores, lançadores de peso, judocas ou outras modalidades desportivas.


 


Durante a última semana e para a próxima seremos acordados ao som das medalhas que de certeza vão ganhar e das medalhas que infelizmente não ganharam.


 


Os nossos atletas merecem mais respeito dos seus compatriotas. O seu esforço e empenho, mesmo sem medalhas, estão de parabéns. Todos seríamos mais felizes se o percebêssemos.

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...