28 junho 2008

Congresso feminista

Enquanto as mulheres se preocuparem a discutir a sua diferença natural no exercício do poder, a sua forma diferente de estar na política e nas empresas, enquanto se organizam congressos em que uma das suas preocupações é demonstrarem que se livraram do macho para procriação e que, portanto, podem ser mães lésbicas, em vez de exercerem o poder, de exigirem a partilha das tarefas domésticas de quererem interessar-se pela causa pública porque assim entendem, de terem vontade de serem seres humanos completos, honestos, felizes, independentemente de serem fêmeas, enquanto se arrogarem a superioridade de tratarem os homens como machos, nunca haverá igualdade de oportunidade entre os géneros.


 


 


A paridade é algo por que se luta e que se pratica diariamente, nas famílias, nos empregos, no lazer, nos partidos, no poder. Não me interessa se é feito por homem ou mulher, importa-me que seja bem feito. Diferente, não tenho dúvidas, como diferentes são todos os seres humanos.


 


(ver jornal "o Público", artigos de reportagem de São José Almeida e Sofia Branco - págs. 12 e 13 - e artigo de opinião "Coisas de Gajas" - pág. 46 - links indisponíveis)


 


25 junho 2008

Nada é bastante


(pintura de SS: broken glass)


 


1.

Nada é bastante

nem os rios

nem o vento

nem o ruído do mundo.


Nada é bastante

para redimir

o aniquilamento persistente

velas de gelo

sem pavio.


 


2.

Ao fim da tarde

o ar enlouquece branda e repetidamente

os dedos quietos suspendem

o profundo torpor da espera.


 


3.

Tanto mundo de gestos irreais

palavras por cumprir

na fuga do olhar. 

23 junho 2008

My Minnesota Home


 


 


Meryl and Lily:


Way down upon that old Mississippi River

Not so far away

That's where my folks have lived forever

And that's where they're goin' to stay 


 


Meryl:

I've been searching 'cross the whole creation

Half my life or more

But I've found my own sweet satisfaction

Right here on that muddy river shore


 


Meryl and Lily:


All the world is so sad and dreary

Everywhere I roam

Oh mama how I miss the prairie

And my Minnesota home


 


Lily:

I can see my mama's sweet sweet face

Every Sunday morning

All the good ol' hymns, praise God, that we've sung

We knelt in prayer right beside our precious aunts and uncles

Who loved us when we were young


 


Meryl:

In the valley of at darkness they are the shepherds

Who lead me to pastures green

And I'll sit with my mama by the still, still waters

And goodness and mercy follow me


 


Lily:

I floated down the Columbia and the Hudson

Walked on the banks of the Ohio

On the banks of the Wabash and the mighty Colorado

And the old red river way up north


 


Meryl:

All the world is a world of rivers

Flowing to the sea, Oh...

But here on that old Mississippi

Here is the home for you and me


 


Meryl and Lily:


All the world is so sad and dreary

Everywhere I roam

Oh mama how I miss the prairie...

And my Minnesota home...

21 junho 2008

Por fim


(pintura de Elizabeth Willmon: Reason Enough)


 


Sobre a terra

calcamos as mãos

raízes

sorvemos a força

ser assim

castanho verde

semente água

rebentamos de vida

por fim.

De novo o Bloco Central


 


E de repente começamos a ouvir falar do Bloco Central, do novo Bloco Central, da inevitabilidade do Bloco Central, do sebastiânico e do salvador Bloco Central.


 


Mas se estivermos com atenção percebemos que quem em lançado essa ideia, esse boato, essa inevitabilidade, são militantes ou simpatizantes do PSD, como o digníssimo Prof. Marcelo.


 


Ou seja, o PSD está tão sedento de poder e percebe de tal forma que não consegue ganhar as eleições, que está já a fazer uma campanha de usura, demonstrando que o PS não consegue maioria e que, portanto, deve votar-se no PSD para lhe dar força para uma salvadora e indispensável, para o PSD, coligação pós eleitoral.


 


É claro que à esquerda do PS o fantasma do Bloco Central também serve, pelas razões simétricas.


 


Estamos a mais de 1 ano das eleições legislativas. Convém que o PS perceba que só lhe interessa dividir claramente as águas com o Bloco de Esquerda, com o PCP e com o PSD, demonstrar a falência/ausência de ideias à direita e à esquerda, demarcar-se da política de direita em Portugal e na Europa, afirmar-se como um partido de um governo reformador e que quer manter o estado social, renovando-o e alterando-o.




Nada pode ficar parado e à espera dos amanhãs que nunca mais cantam. Há 30 anos o mundo era diferente. O PS deve demonstrar sem medo que quer a mudança que outros não foram capazes ou não a querem fazer fazer, mantendo as bandeiras da igualdade de oportunidades, de serviço público de qualidade em que se insere a segurança, a educação e a saúde, os valores da tolerância e da integração dos imigrantes, o respeito pelos outros.


 


É bom que o PS acorde. O país não aguenta outra vez a hipótese de voltar para trás.

Sucesso da estatística

Não alinho com as vozes do costume que acham que este Ministério da Educação, mais precisamente esta Ministra, trabalha para as estatísticas e para a redução do insucesso escolar de forma desonesta, alterando todos os anos as premissas do que é o mínimo e o razoável da aprendizagem.,


 


Mas é muito difícil ignorar as opiniões de quem não tem quaisquer interesses políticos em desacreditar as provas nacionais que se vão fazendo.


 


E isto não me parece nada sério. É mesmo a pior maneira de melhorar as estatísticas, porque assenta no pressuposto de que os cidadãos são indigentes mentais.

20 junho 2008

Inconsequente


(pintura de Rachel Baum: Scarlet Moon 2)


 


Entre a lua que descansa e assombra

o sol que abrasa e cega

não há médias luzes

nem banhos de espuma

que nos afrontem.

 

Esperamos a paz impossível

de batalhas inconsequentes

da penitência que une armas

e almas

tão desiguais.

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...