Hoje acordámos com uma notícia da TSF em que se dizia que os ministros do trabalho da EU aprovaram a ultrapassagem das 48 horas de trabalho por semana, aceitando como normal as 60 horas, podendo ir até às 65 horas nalgumas profissões, como os médicos.
Como é possível que esta União Europeia, que negoceia e aprova tratados nas costas dos cidadãos, tenha a audácia de regressar às leis da selvajaria no mercado de trabalho, olhando para os cidadãos que jurou proteger como uma horda de escravos modernos que, para além do mais, com a globalização, o aumento da tecnologia com a consequente diminuição da necessidade de pessoas para a execução de múltiplas tarefas, e a inexorável subida do desemprego, retiram qualquer capacidade de negociação por parte dos trabalhadores ou dos seus representantes.
Onde está a matriz social democrática europeia? Onde está a defesa da dignidade da pessoa humana e do trabalho como realização pessoal e de contribuição para a sociedade?
A ideologia do lucro a todo o custo e sem olhar a meios está instalada, por muito que hipocritamente se diga o contrário.
A globalização foi defendida como um meio para melhorar o nível de vida de todos, inclusivamente para que a Índia e a China aproximassem os seus padrões de vida dos ocidentais. Está precisamente a acontecer o contrário. A Europa está a deixar-se aproximar dos valores da exploração do trabalho e das pessoas.