04 maio 2008

Desempregos colectivos de mulheres

Mas nem por no se ter qualquer solução a curto prazo, a sociedade , nós todos, devemos deixar de olhar para cada um destes desempregos colectivos de mulheres sem a preocupação de vermos e sentirmos a devastação que ele tem por trás , o atraso social que isto significa para Portugal. Estas mulheres não vão educar os seus filhos da mesma maneira , vão reproduzir melhor o Portugal antigo do que preparar o novo. Elas sentem que falharam, tinham algumas ilusões que perderam. Mas nós falhamos mais se não temos a consciência de fazer alguma coisa. Porque se pode, na acção cívica, no voluntariado, no mundo empresarial, na política, fazer muita coisa por estas mulheres. O que é preciso é vê-las e à sua condição e não as cobrir com o manto diáfano da inevitabilidade. A começar pelo Governo, que mais uma vez se vai voltar para o betão e não para as pessoas.


 


Vale a pena ler a totalidade deste excelente texto de José Pacheco Pereira, no Abrupto.

Acerto


(pintura de Susilowati: simple painting of mother and chlid)


 


Acerto o passo pelo teu, mãe.
Mesmo que perdida nas dobras do passado
aqui te espero na borda do presente.

Acerto o carinho pelo espaço que ocupas, mãe.
Mesmo que nas sobras dos sorrisos passageiros
aqui te espero no silêncio do amparo.

Mães

Todos os dias te rendo homenagem, minha mãe, e ela engrandece diariamente desde o dia em que alguém me chamou, pela primeira vez, mãe.


 



(pintura de Graça Morais)

Afastamentos

Vários motivos que, nos últimos dias, afastaram os jovens, as crianças, os adultos, os idosos, enfim, todas as faixas etárias, dos políticos e da política:




  1. Discussão dos horários dos hipermercados, com as consequentes declarações dos seus detractores – defesa da família e defesa… não se sabe bem de quê.



  2. A preocupação do Presidente da República com a criminalidade violenta.



  3. A afirmação de que o PSD é de centro-esquerda.



  4. A telenovela do caso Maddie.



  5. O salário (o mínimo) declarado ao fisco por 6 mil gerentes e directores de empresas.



E muitas outras que agora me falham…

Intervenção pela música

A música clássica como libertadora e como programa de reconversão social da pobreza, da delinquência, da solidão, do ciclo vicioso dos excluídos e dos marginalizados, num país como a Venezuela.

Completamente surpreendida, através da excelência de conteúdos do 60 minutos, tomei conhecimento de um programa governamental, El Sistema, que existe desde 1975, fundado por um economista e amador de música (José António Abreu), que consiste em proporcionar às crianças habitantes dos bairros mais pobres do país o ensino da música clássica, desde a mais tenra idade. Neste momento há várias orquestras que actuam no mundo inteiro, e que são o refúgio e a garantia de um modo de vida alternativo para quem tinha por destino o crime, a exclusão e a pobreza.

Como é possível que uma coisa tão simples possa fazer a diferença? Quando é que os nossos governantes se convencem que o ensino da música, a sério, desde o infantário, o ensino da escrita da música, do solfejo, de um instrumento, do treino, da disciplina, do trabalho a que obriga a música, faz transcender a alma para o que há de belo e de criativo em todos nós, que o alimento para a beleza e para a harmonia é o cimento de uma sociedade mais justa e mais fraterna?

Convinha que a nossa Ministra da Educação, que os nossos mecenas, que os nossos políticos, que a nossa sociedade civil meditassem neste exemplo e que a música fosse incluída nos curricula escolares como elemento primordial da educação pública em Portugal.


 



(Orquestra Sinfónica Simón Bolívar)

01 maio 2008

Feriado

Hoje, 1º de Maio, dia do trabalhador, quase todas as lojas estavam abertas no meu bairro. Supermercados e cafés albergavam alguns trabalhadores que, como eu, comemoravam o seu descanso.


 



(1º de Maio de 1974)

Cheque dentista

(...) Grávidas e idosos pobres recebem até 120 euros:
Durante este ano, serão apenas as cerca de 65 mil mulheres grávidas seguidas nos centros de saúde e os idosos beneficiários do complemento solidário (mais de 90 mil) a ter direito a cheques-dentistas. As grávidas receberão três cheques no valor de 40 euros cada e podem concluir os tratamentos até 60 dias após o parto. Já os idosos, que terão de pedir ao Instituto de Segurança Social um comprovativo da situação de beneficiário do complemento solidário, podem ter dois cheques por ano, num total de 80 euros. Os montantes dão apenas para procedimentos básicos, como tratamentos de cáries e de gengivites e extracções simples. (...)
- Público, 01/05/2008, pág. 10



 


Vou a um consultório de dentista no meu bairro. Por cada consulta pago entre 60 a 70 euros. Como as grávidas têm direito a um máximo de 3 cheques de 40 euros, podem tratar, na melhor das hipóteses, 2 dentes. Se tiverem mais do que 2 para tratar, enquanto estão grávidas porque depois deixam de ter cheques em qualquer quantidade, como fazem? Escolhem quais os dentes que querem tratar? Tratam um bocadinho de cada um? Há dentistas para grávidas pobres e dentistas para grávidas ricas?

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...