Todos os dias te rendo homenagem, minha mãe, e ela engrandece diariamente desde o dia em que alguém me chamou, pela primeira vez, mãe.
(pintura de Graça Morais)
Faze que a tua vida seja o que te nega./ A luta é tua: fá-la./ Agora, os sonhos em farrapos, melhor é a luta que pensá-la.// Ergue com o vigor do teu pulso;/ solda-o em aço./ E da tua obra afirma:/ – Sou o que faço. [João José Cochofel]
Todos os dias te rendo homenagem, minha mãe, e ela engrandece diariamente desde o dia em que alguém me chamou, pela primeira vez, mãe.
(pintura de Graça Morais)
Vários motivos que, nos últimos dias, afastaram os jovens, as crianças, os adultos, os idosos, enfim, todas as faixas etárias, dos políticos e da política:
E muitas outras que agora me falham…
A música clássica como libertadora e como programa de reconversão social da pobreza, da delinquência, da solidão, do ciclo vicioso dos excluídos e dos marginalizados, num país como a Venezuela.
Completamente surpreendida, através da excelência de conteúdos do 60 minutos, tomei conhecimento de um programa governamental, El Sistema, que existe desde 1975, fundado por um economista e amador de música (José António Abreu), que consiste em proporcionar às crianças habitantes dos bairros mais pobres do país o ensino da música clássica, desde a mais tenra idade. Neste momento há várias orquestras que actuam no mundo inteiro, e que são o refúgio e a garantia de um modo de vida alternativo para quem tinha por destino o crime, a exclusão e a pobreza.
Como é possível que uma coisa tão simples possa fazer a diferença? Quando é que os nossos governantes se convencem que o ensino da música, a sério, desde o infantário, o ensino da escrita da música, do solfejo, de um instrumento, do treino, da disciplina, do trabalho a que obriga a música, faz transcender a alma para o que há de belo e de criativo em todos nós, que o alimento para a beleza e para a harmonia é o cimento de uma sociedade mais justa e mais fraterna?
Convinha que a nossa Ministra da Educação, que os nossos mecenas, que os nossos políticos, que a nossa sociedade civil meditassem neste exemplo e que a música fosse incluída nos curricula escolares como elemento primordial da educação pública em Portugal.
(Orquestra Sinfónica Simón Bolívar)
Hoje, 1º de Maio, dia do trabalhador, quase todas as lojas estavam abertas no meu bairro. Supermercados e cafés albergavam alguns trabalhadores que, como eu, comemoravam o seu descanso.
(1º de Maio de 1974)
(...) Grávidas e idosos pobres recebem até 120 euros:
Durante este ano, serão apenas as cerca de 65 mil mulheres grávidas seguidas nos centros de saúde e os idosos beneficiários do complemento solidário (mais de 90 mil) a ter direito a cheques-dentistas. As grávidas receberão três cheques no valor de 40 euros cada e podem concluir os tratamentos até 60 dias após o parto. Já os idosos, que terão de pedir ao Instituto de Segurança Social um comprovativo da situação de beneficiário do complemento solidário, podem ter dois cheques por ano, num total de 80 euros. Os montantes dão apenas para procedimentos básicos, como tratamentos de cáries e de gengivites e extracções simples. (...) - Público, 01/05/2008, pág. 10
Vou a um consultório de dentista no meu bairro. Por cada consulta pago entre 60 a 70 euros. Como as grávidas têm direito a um máximo de 3 cheques de 40 euros, podem tratar, na melhor das hipóteses, 2 dentes. Se tiverem mais do que 2 para tratar, enquanto estão grávidas porque depois deixam de ter cheques em qualquer quantidade, como fazem? Escolhem quais os dentes que querem tratar? Tratam um bocadinho de cada um? Há dentistas para grávidas pobres e dentistas para grávidas ricas?
Não percebo muito bem se há algum objectivo maquiavélico escondido que faça com que as notícias sejam dadas da forma mais alarmista possível, que seja sempre o pior cenário a considerar, transformando-se rapidamente de previsível a certo.
Da insegurança com o carjacking , o assalto às lojas, o crime organizado e, ultimamente, o assalto às esquadras, do aumento contínuo do preço do petróleo, do preço dos cereais, dos alimentos e da fome que há-de vir, da crise mundial, do biocombustível e do aquecimento global, somos metralhados constantemente por frases feitas que nos levam a viver em permanente sobressalto.
Até o Presidente da República, ao escolher o tema da ignorância da juventude, embora não tenha mentido por acção mentiu por omissão, dando a entender um valor relativo do que foi estudado quando apenas falou do valor absoluto.
O problema é que acabamos por não dar atenção nem valor a nada, mesmo ao que, verdadeiramente, é importante e avassalador.
De cada vez que vou ao cinema espanto-me por o fazer tão poucas vezes. Adoro ir ao cinema.
Caramel (Sukkar banat - 2007), de Nadine Labaki, é um excelente filme, que nos enche de ternura. Uma história de todos os dias, de mulheres, do amor, da solidão, do carinho, da irmandade e companheirismo, da difícil mudança de mentalidades, do que se altera e do que permanece.
O Amor e a vida real (Dan in Real Life - 2007), de Peter Hedges, é um filme leve e bem disposto, realista e sonhador, com rugas de envelhecimento e má educação adolescente quanto baste.
De cada vez que vou ao cinema prometo a mim mesma passar a fazê-lo todas as semanas.
Erwin de Vris Aguardo. A música varre o tempo amena a brisa que consola. Aguardo a voz de quem se esconde a terra aprisionada ...