19 abril 2008

Voltar atrás

De novo o país entretém-se a apostar nas várias figuras emblemáticas do PSD, os D. Sebastião do costume, para as novas eleições no maior partido da oposição, que tinha encontrado o seu líder, de novo, há cerca de 7 meses.

Independentemente do valor que essas gratas figuras terão, intrínseco e simbólico, o PSD continua a viver das glórias do passado, mais precisamente do período áureo do cavaquismo.

O PSD deveria ser essencial ao debate político e ao país, pois as maiorias absolutas sem oposição ou alternativa credíveis empobrecem e descredibilizam a própria essência da vivência democrática.

Mas o recurso cíclico a figuras do passado é uma falsa fuga em frente. Não se volta atrás no tempo, nunca. A situação do país é diferente, as circunstâncias internacionais são diferentes, os protagonistas têm que ser diferentes. Parece a repetição de um erro clamoroso de José Sócrates ao lançar a candidatura de Mário Soares à Presidência da República.

Por outro lado, se é necessário que o PSD enfrente os seus mitos e os seus fantasmas, talvez seja indispensável que todas essas figuras finalmente se arrisquem a perder. Talvez assim surja algo de novo, refrescante e acutilante.


 


É urgente que algo aconteça.

17 abril 2008

O tempo dos abutres


 


Sete meses, foram só sete meses. O desmoronamento é total.


 


Alinham-se os eternos candidatos de bicos longos e curvos: António Borges, Mota Amaral, Santana Lopes, Passos Coelho, Aguiar Branco, Rui Rio, Manuela Ferreira Leite, Ângelo Correia.


 


A direita alimenta-se de si própria . E de vez em quando dá um ar a sua graça, ouvindo-se Paulo Portas com um ar sério e distinto, a dizer que o CDS quer tirar a maioria ao PS.


 


É risível e tristíssimo, o nosso quadro político , à direita e à esquerda.


 


Sócrates está para lavar e durar.


 


Luís Delgado, na SIC notícias, tenta transformar Luís Filipe Menezes num Cristo crucificado. Continua, de há 3 anos para cá, a dizer que quando a classe media estiver de rastos, quando perceber a horrível crise que aí vem, visto que está muito fragilizado, e todos perceberem quão mal está a situação económica, então aí sim, Sócrates começará a cair.

16 abril 2008

Algumas notas

Algumas notas sobre a face
pequeno rascunho entre dentes
gramática esquecida pelas rugas
rimas por dentro do olhar.


 



(pintura de Vincent Romaniello : untitle 714)

15 abril 2008

Sisters of mercy


 


Oh the sisters of mercy, they are not departed or gone.
They were waiting for me when I thought that I just can't go on.
And they brought me their comfort and later they brought me this song.
Oh I hope you run into them, you who've been travelling so long.

Yes you who must leave everything that you cannot control.
It begins with your family, but soon it comes around to your soul.
Well I've been where you're hanging, I think I can see how you're pinned:
When you're not feeling holy, your loneliness says that you've sinned.

Well they lay down beside me, I made my confession to them.
They touched both my eyes and I touched the dew on their hem.
If your life is a leaf that the seasons tear off and condemn
they will bind you with love that is graceful and green as a stem.

When I left they were sleeping, I hope you run into them soon.
Don't turn on the lights, you can read their address by the moon.
And you won't make me jealous if I hear that they sweetened your night:
We weren't lovers like that and besides it would still be all right,
We weren't lovers like that and besides it would still be all right.


 


(Leonard Cohen: sisters of mercy)

A Madeira e o Jardim

Alberto João Jardim soma e segue e continua. Mas isso já não me espanta. O desbocamento, a grosseria e o sentido de posse que tem do cargo que ocupa e para o qual tem sido sucessivamente eleito, valha a verdade, não é novidade. Mas ele ultrapassa-se sempre a si próprio.

O que também não é novo, embora não deixe de ser inédito, é o apoucamento que os mais altos representantes da nação aceitam desta personagem de opereta. Primeiro Jaime Gama, Presidente da Assembleia da República, depois os próprios deputados da Assembleia Regional da Madeira, que após um estremeção de ofensa não faltaram ao jantar solene oferecido ao Presidente, e por fim o Presidente da República que aceitou esta afronta ao país e a todos os cidadãos, ao regime democrático e à dignidade do cargo.

Alberto João Jardim recebeu na sua corte o Sr. Silva que, por acaso e lateralmente, é o Presidente desta República a que o Presidente Regional da Madeira transformou em bananas.

Adenda: vale a pena ler as declarações de Manuel Alegre e os posts de Medeiros Ferreira.

13 abril 2008

Dentro da vida

Não estamos preparados para nada:


certamente que não para viver


Dentro da vida vamos escolher


o erro certo ou a certeza errada


 


Que nos redime dessa magoada


agitação do amor em que prazer


nem sempre é o que fica de querer


ser o amador e ser a coisa amada?


 


Porque ninguém nos salva de não ser


também de ser já nada nos resgata


Não estamos preparados para o nada:


certamente que não para morrer


 


(poema de Gastão Cruz)


 



(pintura de Judith Goldstein: The Tree of Life and Death)

Campos

Os vivos sobrevivem, condição


simples de quem será sobrevivido


 


Olhando os campos verdes do inverno


é como se no escasso coração


 


da minha vida o sangue recebido


de quem antes viveu ficasse eterno


 


até à minha morte e, depois dela,


noutros sobreviventes esse rio,


 


não meu e meu ainda, perdurasse


E os campos, que não vela


 


nenhuma névoa humana, o mesmo rio


do meu sangue para sempre inundasse


 


(poema de Gastão Cruz)


 



(pintura de Carry Ackroid : Green Fields )

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...