20 janeiro 2008

Petições - a defesa do SNS (2)

Já conheço o texto da petição:
  • Em defesa do Serviço Nacional de Saúde geral, universal e gratuito
    To: Presidente da Assembleia da República.
  • A actual política de saúde, em especial o encerramento de serviços e o corte de despesas necessárias ao seu bom funcionamento, tem degradado o Serviço Nacional de Saúde: o acesso é mais difícil e a qualidade da assistência está ameaçada.
  • O SNS é a razão do progresso verificado nas últimas décadas na saúde dos portugueses. Ao serviço de todos, tem sido um factor de igualdade e coesão social.
  • Os impostos dos portugueses garantem o orçamento do SNS e permitem que a sua assistência seja gratuita. Não é legítimo nem justificado exigir mais pagamentos.
  • Os signatários, reclamam da Assembleia da República o debate e as decisões políticas necessárias ao reforço da responsabilidade do Estado no financiamento, na gestão e na prestação de cuidados de saúde, através do SNS geral, universal e gratuito.
    Sincerely,
    The Undersigned

Todos os males desta política, ou o resumo desta política que desmantela o SNS está na primeira frase, com a qual não concordo.

A actual política de saúde, em especial o encerramento de serviços e o corte de despesas necessárias ao seu bom funcionamento, tem degradado o Serviço Nacional de Saúde: o acesso é mais difícil e a qualidade da assistência está ameaçada.

O resto do texto é uma verdade universal, com que todos estão de acordo.

Confesso que esperava mais, melhor e mais específico. Para mim esta petição é um conjunto de frases bem intencionadas. Como pedir para acabar com a fome no mundo e com a exploração do trabalho infantil. Sonante, bem intencionado e... vazio.

Se sim não, se não sim

Enfim, segundo um programa que estou a ouvir na Europa Lisboa, todos os ministros que tenham tido actuações que desagradam por impopulares, Correia de Campos, Maria de Lurdes Rodrigues e Mário Lino, Manuel Pinho (numa 2ª linha), porque politicamente inconvenientes, se José Sócrates quiser ganhar eleições, principalmente com maioria absoluta, devem ser remodelados, não se percebendo o autismo do primeiro ministro.

Se isso acontecer e no preciso momento em que acontecer, José Sócrates será acusado de ceder ao politiquismo, que não tem coragem de avançar com as verdadeiras reformas, cedendo à contestação e às pressões de grupos corporativistas. Ou seja, igual a Guterres.

São muito interessantes estas análises políticas: se não remodela, devia remodelar, se remodelar, está a ser eleitoralista, cobarde e anti-patriótico.

19 janeiro 2008

Just the way you are

Don't go changing, to try and please me
You never let me down before
Don't imagine you're too familiar
And I don't see you anymore.

I wouldn't leave you in times of trouble
We never could have come this far
I took the good times, I'll take the bad times
I'll take you just the way you are.

Don't go trying some new fashion
Don't change the color of your hair
You always have my unspoken passion
Although I might not seem to care.

I don't want clever conversation
I never want to work that hard
I just want someone that I can talk to
I want you just the way you are.

I need to know that you will always be
The same old someone that I knew
What will it take till you believe in me
The way that I believe in you.

I said I love you and that's forever
And this I promise from the heart
I could not love you any better
I love you just the way you are.

[canta Diana Krall - Just the way you are (Billy Joel)]

Defender o SNS

Continua a campanha para derrubar o ministro da saúde. Desde as notícias recorrentes de mortes à porta das urgências, tentando explicita e implicitamente culpar a reforma dos serviços de urgência e os encerramentos dos SAP por esses infelizes acontecimentos, mesmo que os próprios implicados o neguem, até à entrevista do recém-eleito Bastonário da Ordem dos Médicos, que ao longo do último ano foi mudando subtilmente de opinião sobre a mesma reforma, e às graves afirmações de Manuel Alegre, acusando de estapafúrdia a política de saúde deste ministro e clamando contra o fecho dos serviços de saúde.

Espero que estes mesmos intervenientes, que se auto-intitulam defensores do SNS, assumam as suas responsabilidades se esta reforma não for avante. Pois a inevitabilidade da reforma de um sistema que não está adaptado às evoluções tecnológicas, demográficas e culturais, às naturais e legítimas exigências dos cidadãos que querem todos ser cidadãos de primeira, é inquestionável. Aceitar que não há nada a fazer é a melhor forma de o destruir e abrir alas aos tão propalados seguros de saúde, aos tão glosados cheques de saúde, convenções e promiscuidade cada vez mais acentuada entre público e privado, à tão (pseudo)odiada privatização dos cuidados de saúde, demitindo-se o estado de servir as populações e os cidadãos, em vez de servir grupos dos mais variados interesses, que usam como escudo uma necessidade essencial para o bem estar individual e público, como a saúde.

A independência da Ordem dos Médicos em relação ao poder político é um excelente e necessário objectivo que tem sido desmentido diariamente pela actuação do Bastonário recém-eleito. Esta entrevista não parece ir em sentido contrário.

Tal como em épocas anteriores, em que a OM também era independente do poder político, reduziram-se as vagas para entrada nas Faculdades de Medicina, com o argumento apoiado pelos responsáveis da Ordem, de que havia médicos a mais. Está à vista o resultado.

Por outro lado, são peritos dos Colégios de Especialidade da Ordem que alertam para a necessidade de concentração de meios e do número de actos médicos realizados que garantam experiência, competência e qualidade na prestação dos cuidados médicos. Em que ficamos, é ou não necessária, mesmo indispensável a concentração de meios humanos e técnicos, investir em transportes especializados, rápidos e com acompanhamento de peritos para que haja cuidados médicos de qualidade para todos?

Em Portugal nada é levado até ao fim, porque há sempre os resistentes que afirmam a pés juntos que tem que se mudar, mas nunca da forma como se está a fazer, sempre de outra maneira melhor, mais certa, aquela sim, é que é. E tudo nunca muda. E a quem interessa que não mude?

17 janeiro 2008

Mansidão

Não te peço nada
nem espero que te ofereças.

Apenas ocupo o espaço
entre os dedos que me afagam
apenas te sirvo palavras
plenas de mansidão.


(pintura de Gavan Mccullough: water paintings)

14 janeiro 2008

Mapa


1.
Branca pedra
verde rumo
sulco vivo
onda leve.

2.
Abre sumo
peito nu
colhe mapa
bebe luz.

3.
Abre boca
lambe sal
cruza dedo
soma pele.


(pintura de Serena Bocchino: when the water rises)

13 janeiro 2008

Petições - referendar o Tratado de Lisboa

Só mais uma coisa: se o Bloco de Esquerda vai apresentar uma moção de censura ao governo pelo facto de Sócrates não promover um referendo para a ratificação do Tratado de Lisboa, que tal promoverem uma petição com recolha de assinaturas para apresentar à Assembleia da República, a favor da realização do referendo? Eu assino.

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...