Continua a campanha para derrubar o ministro da saúde. Desde as notícias recorrentes de mortes à porta das urgências, tentando explicita e implicitamente culpar a reforma dos serviços de urgência e os encerramentos dos SAP por esses infelizes acontecimentos, mesmo que os próprios implicados o neguem, até à entrevista do recém-eleito Bastonário da Ordem dos Médicos, que ao longo do último ano foi mudando subtilmente de opinião sobre a mesma reforma, e às graves afirmações de Manuel Alegre, acusando de estapafúrdia a política de saúde deste ministro e clamando contra o fecho dos serviços de saúde.Espero que estes mesmos intervenientes, que se auto-intitulam defensores do SNS, assumam as suas responsabilidades se esta reforma não for avante. Pois a inevitabilidade da reforma de um sistema que não está adaptado às evoluções tecnológicas, demográficas e culturais, às naturais e legítimas exigências dos cidadãos que querem todos ser cidadãos de primeira, é inquestionável. Aceitar que não há nada a fazer é a melhor forma de o destruir e abrir alas aos tão propalados seguros de saúde, aos tão glosados cheques de saúde, convenções e promiscuidade cada vez mais acentuada entre público e privado, à tão (pseudo)odiada privatização dos cuidados de saúde, demitindo-se o estado de servir as populações e os cidadãos, em vez de servir grupos dos mais variados interesses, que usam como escudo uma necessidade essencial para o bem estar individual e público, como a saúde.
A independência da Ordem dos Médicos em relação ao poder político é um excelente e necessário objectivo que tem sido desmentido diariamente pela actuação do Bastonário recém-eleito. Esta entrevista não parece ir em sentido contrário.
Tal como em épocas anteriores, em que a OM também era independente do poder político, reduziram-se as vagas para entrada nas Faculdades de Medicina, com o argumento apoiado pelos responsáveis da Ordem, de que havia médicos a mais. Está à vista o resultado.
Por outro lado, são peritos dos Colégios de Especialidade da Ordem que alertam para a necessidade de concentração de meios e do número de actos médicos realizados que garantam experiência, competência e qualidade na prestação dos cuidados médicos. Em que ficamos, é ou não necessária, mesmo indispensável a concentração de meios humanos e técnicos, investir em transportes especializados, rápidos e com acompanhamento de peritos para que haja cuidados médicos de qualidade para todos?
Em Portugal nada é levado até ao fim, porque há sempre os resistentes que afirmam a pés juntos que tem que se mudar, mas nunca da forma como se está a fazer, sempre de outra maneira melhor, mais certa, aquela sim, é que é. E tudo nunca muda. E a quem interessa que não mude?
Não sei se defender o SNS passa por defender ou atacar o ministro, leia-se governo. Onde é que está a verdade ;)?
ResponderEliminar(já respondi aos seus, sempre bem vindos, comentários).
bfs