13 dezembro 2007

Coisas fantásticas

Durante anos ouviram-se os elementos bem pensantes e comentadores deste país a perorarem contra a vergonhosa fuga aos impostos, contra a apatia da máquina fiscal, contra o estado que pactuava com os caloteiros.

Depois ouviram-se os mesmos bem pensantes e comentadores a perorarem a favor da excelência de Paulo Macedo, que o que ele ganhava não interessava porque era tão bom, e que todo o dinheiro era pouco para que os poucos desgraçados que pagavam se sentissem acompanhados pela fúria vingadora do país, encabeçado por Paulo Macedo.

Pois agora ouvem-se os ainda bem pensantes e comentadores a perorarem contra a máquina fiscal que está a esmagar e a levar à falência as pequenas e médias empresas, que é uma dos grandes causadores de instabilidade e das tensões sociais no país.

Há coisas fantásticas, não há?

E agora o referendo

Foi hoje assinado o Tratado de Lisboa, objectivo mais importante e quase único da Presidência Portuguesa da União Europeia. Portugal, pelas mãos do seu Primeiro-Ministro, cumpriu a sua promessa para com a Europa.

Esperemos que o Primeiro-Ministro também cumpra a promessa que fez aos portugueses que o elegeram e marque o referendo para ratificar, ou não, o Tratado de Lisboa.

O argumento falacioso e desonesto de que quem é a favor do referendo é contra o tratado vai fazendo caminho, de forma a poder conotar-se o reaccionarismo anti-europeu e o revivalismo nacionalista, de direita e de esquerda, com a defesa do “não” ao referendo.

O anúncio da realização do referendo é apenas a demonstração do respeito devido aos cidadãos e um exercício prático de democracia: convencer as pessoas da bondade do projecto para que elas o aprovem.

12 dezembro 2007

Monopólio (2)

Há algumas dúvidas básicas, muito básicas mesmo, que me assaltam de vez em quando. Uma delas é: para que servem os lucros obscenos dos bancos? O que é que fazem ao dinheiro? Para que serve? Para colocar numa conta do Banco a render?

Monopólio (1)

Quando leio notícias sobre fusões, compras e OPAs, em que gigantes empresariais se tornam cada vez mais gigantescos e engolem as grandes empresas, que entretanto já engoliram as pequenas, que de início tinham engolido as micro, sinto-me a viver dentro de um jogo de monopólio, estando sempre a ir de algum lado directamente para a cadeia, sem passar pela casa de partida, e a pagar o couro e o cabelo de cada vez que respiro, de cada vez que coloco um pé fora da porta, alugueres milionários de quem vai construindo hotéis, palácios, comprando continentes inteiros, que estão cada vez mais vazios.

11 dezembro 2007

Fantasmas

Naquele lugar vazio à minha mesa
estão os amáveis fantasmas familiares
os simpáticos defuntos que nos acompanham
para lá do amor e da raiva
dos desencontros da carne e do espírito.

Naquele lugar vazio à minha mesa
estão os fantasmas que ignoramos
os ausentes presentes que não se esquecem
para lá do amor e da raiva
entre cruzamentos desabrigados da alma.

Naquele lugar vazio à minha mesa
estão os olhares escondidos
que serenamente me contemplam
para lá do amor e da raiva
entre silêncios imutáveis rios de distância.

(ilustração de Filipe Franco: romãs)

O povo só atrapalha

Do pouco que vi do debate de ontem no Prós & Contras, o tratado de Lisboa foi defendido por Sérgio Sousa Pinto como se de uma questão de fé se tratasse. Ele crê na bondade e na necessidade deste desígnio europeu, com este modelo.

E com aquela superioridade moral de que são detentores todos os homens de fé, foi patente a sua irritação pela irritante persistência de quem caminha nas trevas e não vê a luz.

Este governo dificilmente referendará este tratado, pois a derrota é muito provável e José Sócrates e a própria UE já se comprometeram demasiado com esta solução.

Além disso, estas coisas finas negoceiam-se entre elites. Em democracia, o povo só atrapalha.

10 dezembro 2007

Formação e custos

A formação de médicos, aliás como a formação de qualquer profissional, tem custos. Com o modelo de gestão em que a produtividade e o bom funcionamento das empresas se mede quase só em números de consultas e tempos operatórios, não pode haver lugar à formação, pois quem aprende é mais lento, precisa de acompanhamento, pede mais exames complementares, gasta mais dinheiro.

Só que a formação contínua, pré e pós graduada, é imprescindível em qualquer profissão, nomeadamente na profissão médica.

Os custos inerentes à formação poderiam ser suportados pelo estado, com um orçamento que retirasse aos hospitais esse encargo. Os internos não estariam ligados a um só hospital mas prestariam serviço em vários hospitais, o que também permitiria uma formação uniformizada, disponível nas unidades mais apetrechadas e vocacionadas para o ensino, o que não significa obrigatoriamente instituições ligadas às Universidades. Teriam que ser instituições acreditadas por organismos externos, que tivessem actividade assistencial e de investigação em quantidade e variedade suficientes e um número de profissionais que permitisse dedicação à formação.

Aqui está mais um assunto de discussão premente.

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Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...