11 dezembro 2007

O povo só atrapalha

Do pouco que vi do debate de ontem no Prós & Contras, o tratado de Lisboa foi defendido por Sérgio Sousa Pinto como se de uma questão de fé se tratasse. Ele crê na bondade e na necessidade deste desígnio europeu, com este modelo.

E com aquela superioridade moral de que são detentores todos os homens de fé, foi patente a sua irritação pela irritante persistência de quem caminha nas trevas e não vê a luz.

Este governo dificilmente referendará este tratado, pois a derrota é muito provável e José Sócrates e a própria UE já se comprometeram demasiado com esta solução.

Além disso, estas coisas finas negoceiam-se entre elites. Em democracia, o povo só atrapalha.

10 dezembro 2007

Formação e custos

A formação de médicos, aliás como a formação de qualquer profissional, tem custos. Com o modelo de gestão em que a produtividade e o bom funcionamento das empresas se mede quase só em números de consultas e tempos operatórios, não pode haver lugar à formação, pois quem aprende é mais lento, precisa de acompanhamento, pede mais exames complementares, gasta mais dinheiro.

Só que a formação contínua, pré e pós graduada, é imprescindível em qualquer profissão, nomeadamente na profissão médica.

Os custos inerentes à formação poderiam ser suportados pelo estado, com um orçamento que retirasse aos hospitais esse encargo. Os internos não estariam ligados a um só hospital mas prestariam serviço em vários hospitais, o que também permitiria uma formação uniformizada, disponível nas unidades mais apetrechadas e vocacionadas para o ensino, o que não significa obrigatoriamente instituições ligadas às Universidades. Teriam que ser instituições acreditadas por organismos externos, que tivessem actividade assistencial e de investigação em quantidade e variedade suficientes e um número de profissionais que permitisse dedicação à formação.

Aqui está mais um assunto de discussão premente.

Equidade na saúde

Num país em que se fazem grandes encontros e cimeiras vão-se esquecendo os problemas internos, ou faz-se o possível para não falar deles.

A discussão que se não faz sobre o papel do estado, sobre a escolha daquilo que o estado português deve ou não deve assegurar aos seus cidadãos, essa decisão que ninguém quer claramente assumir, esse é verdadeiramente um assunto de divisão ideológica que este governo deveria esclarecer.

Enquanto se assiste à amálgama em que se transformam os serviços públicos, cada vez mais turva e mais mole, haver hospitais que proíbem consultas a quem não pagou as taxas moderadoras, ou que apaguem ficheiros a quem tem dívidas de taxas moderadoras, é vergonhoso e merece que nos revoltemos.

Está definitivamente demonstrado que quem não tiver dinheiro para pagar as taxas moderadoras não tem direito às consultas no serviço nacional de saúde. E isso é intolerável porque divide os cidadãos em estratos dependentes do poder económico.

E não vale a pena sermos ingénuos e falsamente moralistas invocando o estatuto de caloteiros. Quem necessitar de pagar taxas moderadoras para as análises de rotina, marcadores tumorais, ECG, TAC, e consultas de especialidade, para além dos medicamentos e dos transportes até aos hospitais ou centros de saúde, principalmente se viver com baixos ordenados, fica mesmo a dever as taxas moderadoras.

Espero que o Sr. Ministro da Saúde seja veemente na condenação a esta vergonhosa visão da prestação de serviços públicos, já que célere foi pouco.

08 dezembro 2007

Se

Apesar do meu cepticismo e da ridícula pompa e circunstância da cimeira EU-África, espero que resulte alguma coisa de positivo.

É claro que os objectivos são económicos e que a Europa precisa de se expandir para África, até porque pode estar a perder a corrida com a China, como se comentava ontem no Expresso da Meia-Noite.

Mas se a reboque dos interesses económicos aumentar a visibilidade dos atropelos aos Direitos Humanos, da violência, da obscenidade da riqueza dos ditadores à custa da miséria dos cidadãos (décadas após os colonialismos e os racismos europeus), se por arrastamento a opinião pública se revoltar, se a abertura das sociedades civis à informação e a influência das democracias europeias melhorar as condições de vida dos povos, aumentando a exigência perante os seus torcionários, esta cimeira já terá valido a pena.

Contos sem história

Estamos tão preocupados e em fazer e ficar na História, como se alguém soubesse de antemão os factos que a marcam e mudam, que participamos nesta história em que há maus muito maus que vêm passear o seu mal, sem pedir desculpa, e há bons pouco bons que pedem desculpa por parecerem bons, e esticam os bons sentimentos de forma a conterem os imensos barris de maus sentimentos.

E que interessa isso para a História?

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...