07 dezembro 2007

Boas práticas

Que o estado se preocupe em sensibilizar as famílias para uma alimentação saudável, para os perigos de uma vida sedentária, não faz mais que a sua obrigação.

Mas querer um código de boas práticas para as empresas que organizam festas infantis, para evitar e prevenir a obesidade infantil é assustador.

A febre da vida saudável, do homem novo, belo, limpo e esbelto continua, em rumo a uma sociedade que tudo regula, tudo impede, tudo estipula. Não tarda muito os doentes que fumam não serão tratados de cancro do pulmão, ou pagarão taxas e multas moralizadoras, os obesos não serão tratados da diabetes, as cáries dentárias serão consideradas consequência de má higiene dentária e, portanto, passível de aparecerem por responsabilidade própria, não devendo o seu tratamento ser comparticipado.

Aonde nos levará este totalitarismo dos vigilantes da moral e dos bons costumes do século XXI?

05 dezembro 2007

Marca genética

Na Quadratura do Círculo discute-se a remodelação governamental.

Parece-me que Pacheco Pereira e Lobo Xavier remodelavam o governo inteiro.

Jorge Coelho não tem opinião sobre remodelações porque o chefe (Sócrates) é que manda e decide. E decide sempre bem, claro, nem seria e esperar outra coisa (de Jorge Coelho e de Sócrates).

Pacheco Pereira anda há meses a dizer que todas as estatísticas são más para o governo, anda há meses, se não há anos, a falar da insegurança social e da catástrofe prestes a acontecer ao país.

Ele ainda não percebeu que o país sempre viveu assim. É a sua marca genética. Por isso é que tem sobrevivido aos governantes que por cá têm passado.

04 dezembro 2007

Lisboa

Se eles quisessem não conseguiriam ser piores. António Costa ainda não deve ter fechado a boca de espanto, tal é o embaraço de ter uma oposição assim.

Facilitar sim, mas tanto...

Sobras

Sobrou-me este sorriso. Não sei onde o guarde, se o pendure atrás da porta, se o arrume na gaveta do fundo.

Se calhar deixo-o na carteira. Sempre fica mais à mão.

03 dezembro 2007

Não me apetece

Não sei se me apetece escrever
ou sobre o que me apetece escrever
sei que estes dias tão iguais
tão vermelho esbatido e verde velho
tão folhas amassadas e pisadas
que são como as nossas almas de Outono
não sei mas tudo me parece liso e etéreo
mais pesado e mais real que o andar
que o comer que o falar
pois todos falamos com ar natural
mas por dentro apetece-nos o silêncio.

Não sei o que digo nem porque o estou a dizer
mas não me apetece
não me apetece
não me apetece.


Pintura de Salvador Dali: quadros bíblicos)

Se ficássemos

Se ficássemos por aqui devagar
como a chuva de Setembro
se ficássemos pelas mãos
de folhas e seda

tal como os medos que escondemos
se ficássemos só pelo olhar
só pela distância de um sinal
se ficássemos apenas sós
sem nos culpar
por nós

se ficássemos pelo que não tivemos
tal como o mundo que movemos
se ficássemos sem o sal
que arde nas feridas que sarámos
se ficássemos apenas sós
até que pudéssemos
ser nós.

(pintura de John Mars: Immeasurable)

01 dezembro 2007

Ponte

Quando chegar à borda do rio
e a alma cansada
repousar na frescura
do silêncio,
olharei sem mágoa
as folhas caídas
que atapetaram o caminho.


(pintura de George Ames Aldrich: bridge scene)

Nova morada - do Sapo para o Blogger

Resilience Paula Crown O Sapo vai deixar de ser uma plataforma de alojamento de blogs. Tudo acaba. Os blogs estão em agonia e só mesmo algu...