30 novembro 2007

Sem vergonha

Há algumas notícias que me deixam estarrecida, pelo que revelam de desvergonha e sensação de impunidade.

Uma é a de que Fátima Felgueiras utilizou dinheiro da autarquia para financiar a sua fuga para o Brasil, assim como as custas do seu advogado.

Outra é a que nos dá conta dos comentários de responsáveis pela autarquia lisboeta, que brincam com os seus munícipes e com o dinheiro dos contribuintes.

Não fiz greve

Eu hoje não fiz greve.

Por muito que me incomodem alguns indicadores como o aumento do fosso entre os muito ricos e os muito pobres, os lucros obscenos no sector bancário, os oligopólios das empresas de comunicação e petrolíferas, o poder de grupos profissionais que emperram a mudança, apesar de tudo, este governo tem sido o melhor governo que temos desde há muitos anos, desde os governos de Guterres.

Todos os trabalhadores têm razão de queixa, não são só os funcionários públicos. E ao contrário da intensa campanha que nos tenta convencer que este governo é de direita, que quer desmantelar o SNS, a educação pública, acabar com as reformas e empobrecer a população, o que eu vejo é uma tentativa honesta e inadiável de reformar o estado, de gerir melhor os recursos, de tentar equilibrar as contas públicas.

Adenda: não deixando de registar a coincidência de ter saído hoje, a sondagem TSF/DN/Marktest demonstra que o PS está, novamente, perto da maioria absoluta. Se calhar, há mais pessoas a pensar como eu.

28 novembro 2007

Grupo Folclórico de S. Bento

O grupo parlamentar do PCP está cada vez mais a parecer-se com um grupo folclórico de S. Bento. Arcaico mas vistoso, anacrónico mas estridente.

Valha-nos Santo Ambrósio.

Aeroportos

Agora todos os partidos têm um estudo altamente científico e inquestionável quanto à melhor localização do novo aeroporto. Cada um mais barato que o anterior.
  • CDS/PP - Portela +1P
  • PD/PSD - Alcochete
  • PS - Ota
O LNEC vai ter uma trabalheira para comparar tantos e tão maravilhosos estudos.

Valha-nos Santo Ambrósio.

25 novembro 2007

Novembro, 25, 1975

Há 32 anos não fui ao liceu. Havia qualquer coisa no ar. Lembro-me do clima de suspeição conspirativa que reinava nos supermercados da zona, da agitação constante no liceu, na rua, nas fábricas, no parlamento, ameaças várias de reacção, ameaças contra a reacção, do Pinheiro de Azevedo a puxar os suspensórios, do Vasco Lourenço a suceder a Otelo Saraiva de Carvalho, o amigo da revolução, do Vasco Gonçalves desgrenhado e alucinado, levando a revolução a reboque, das manifestações e contra manifestações, do constante matraquear da muralha d’aço, do meu pai à janela, à espera que aparecêssemos, coisa inédita e nunca vista.


E depois do jantar daquele dia fora do normal, em que a ausência do meu pai já era hábito, a minha vizinha embrulhada em mantas ou xailes, ou qualquer coisa levemente cor-de-rosa e felpuda, aninhar-se no sofá da sala, com aspecto preocupado, pois o seu marido também faltava muito, nos dias que corriam.

Inusitadamente ouvíamos o Capitão Duran Clemente, a explicar qualquer coisa que ninguém entendia, mas todos entendiam que o camuflado na tv não trazia bons augúrios, e inusitadamente começamos a ver um filme cómico com o Danny Kaye, o que nós adorámos até porque a minha mãe, inusitadamente, não nos mandava para a cama, tão enrolada como a vizinha em xailes ou mantas, levemente acastanhadas.

Depois foi Ramalho Eanes, as suas patilhas e os seus óculos escuros, Melo Antunes, a salvar os comunistas da perseguição e do anonimato, Jaime Neves a passear o seu ar ameaçador por todo o lado.

Esse foi o dia em que se refundou o 25 de Abril, em que a utopia de alguns acabou para dar lugar à realidade da democracia pluralista.

Ainda bem que assim foi.

Catedral

Barricada na minha própria catedral
imune aos ruídos do bulício
gozo antecipadamente a antecâmara
da eficiência.

Horas enroscadas de preguiça.

(pintura de Ewa Sadowska: Cathedral-1)

Boas vontades

Candidamente, o ministro Correia de Campos reconheceu as trapalhadas das contas do SNS e, candidamente, prometeu levar em conta as críticas e recomendações do Tribunal de Contas.

Menos candidamente o ministro Teixeira dos Santos não explicou a mudança de estatuto da Estradas de Portugal, nem um período de 75 ou 99 anos de atribuição de uma concessão.

Candidamente, assistimos à substituição da discussão política, pública e parlamentar das opções das atribuições do estado, desde a suposta funcionalização dos magistrados, à descapitalização e inferiorização das forças armadas, ao esvaziamento das funções prestadoras como a educação e a saúde.

Candidamente arrebatamo-nos com as peripécias de histórias que se dizem e se desdizem, que incendeiam os bons sentimentos dos bons cidadãos, desta nossa mole de gente bem intensionada e mansa.

Cobardes ou apenas e só superiormente sábios, perante a imaginação de fazedores de factos e opiniões, de tanta ineficácia governativa, de tanta indigência da oposição.

Mas estamos na época das boas vontades universais, bem cobertas de bolas vermelhas e publicidade enganosa, créditos fantásticos que nos permitem forrar as paredes de plasmas e filmar-nos a comer bolo-rei
.

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...