24 novembro 2007

Fuga


Fecho as portas e a chaminé
para Dezembro não tenho espaço
as paredes cobrem abraços e fé
que eu acordo lá para Março.

Em vão

Em vãos gestos de alegria
suporto a certeza do mundo
numa teia apertada invisível
em lenta
rota
previsível.

(pintura de Christopher Le Brun: the speech of light)

22 novembro 2007

Que contas são essas, Sr. Ministro?

A sustentabilidade financeira do SNS tem sido uma das bandeiras do ministro Correia de Campos para concretizar muitas das políticas de saúde a que temos assistido, nomeadamente a manutenção e alargamento do modelo Hospitais-Empresa.

A notícia veiculada pelos media sobre as questões levantadas pelo Tribunal de Contas, relativamente às contas do SNS de 2005 e 2006 são muitíssimo preocupantes e requerem urgente esclarecimento do ministro.

Se a seriedade das contas, da metodologia e da apresentação dos resultados é posta em causa, ou se demonstra que não há razão para tal ou quem deixa de ser sustentável é esta política de saúde.

Em que ficamos?

Maus hábitos

Durante o dia de ontem, desde manhã, que ouvimos, nas rádios, incitações para acarinharmos a selecção, pois se apoiássemos a selecção os jogadores teriam muita vontade de corresponder e dar alegria aos portugueses. Fomos lembrados pelo treinador Scolari, que devíamos vaiar o seleccionador e os jogadores finlandeses, independentemente do que a selecção fizésse.

Portanto, se quiséssemos ter um bom espectáculo, teríamos que mostrar à selecção quanto a amamos, para que ela, na sua infinita generosidade, se dignasse dar um bom espectáculo.

No fim de mais um jogo da selecção (de que só vi resumos), determinante para o apuramento da fase final do campeonato europeu, depois de os portugueses, obedientemente, terem apoiado a selecção, o jogo terminou empatado e, dizem os entendidos, ninguém vibrou com a qualidade.

Pois Scolari, no auge da sua importância, indignado pela falta das humildes criaturas que ousam dizer que Portugal não joga bem e que o apuramento foi sofrido, ofende-se enormemente e abandona a sala com estrépito.

Nós estamos, de facto, mal habituados, pois aguentamos estas notícias e estas estopadas todas, estas arrogâncias e estas prima donas, dando-lhes a importância que elas não merecem.

Infância

Onde estão o pião e o arco com que brincávamos,
o que foi feito do pátio e da casa enorme,
em que momento perdemos a inocência da infância?
O tempo era o nosso maior brinquedo
mas isso foi antes de termos relógios
e de sermos controlados por eles,
isso foi antes de termos agendas e calendários
para tornar os dias previsíveis e antecipados.
Inventávamos o mundo,
éramos cowboys, índios, marcianos,
podíamos ser tudo por sermos crianças
e não tínhamos imagens para nos aprisionar os sonhos.
Sabíamos talvez menos sobre as coisas
mas as descobertas eram nossas
e as sensações que tínhamos eram mais verdadeiras
porque não condiziam com as que vêm nos manuais.
Dizem que todas as infâncias são lugares mágicos
mas a nossa, por ser nossa e única,
tem uma magia que ultrapassa as palavras
e obriga-nos a libertar outra vez a criança
que o tempo submergiu neste nosso corpo das certezas.


(poema de José Torres; fotografia de Shirley Baker: street kids)

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...